Alexander Kristoff é dos ciclistas mais carismáticos do pelotão internacional e a grande aposta da Intermarche-Wanty para 2022, depois de 5 épocas na Katusha, onde conquistou 2 Monumentos, e de 4 temporadas na UAE Team Emirates, onde obteve bons resultados em 2018 e 2019, mas desceu muito o nível em 2020 e 2021.
A formação liderada por Joxean “Matxin” Fernandez e onde milita o quarteto de portugueses composto por Rui Costa, João Almeida, Rui Oliveira e Ivo Oliveira está a construir uma estrutura com um grande foco nas Grandes Voltas e o espaço para Kristoff foi diminuindo com o passar do tempo, para além do rendimento do norueguês não ter sido o esperado nos últimos 2 anos. Ainda assim, Kristoff mantém confiança nas suas capacidades, tal como evidenciou numa entrevista dada recentemente ao “Sportwereld”.
Como é hábito no “viking”, foi totalmente aberto e sincero sobre várias questões e a primeira advém da sua mudança da UAE Team Emirates para a Intermarché-Wanty-Gobert, curiosamente uma das razões que Kristoff deu foi…a bicicleta! “Na UAE tínhamos uma bicicleta da Colnago que era incrível para subir, mas não para sprinters. Não havia uma bicicleta mais aerodinâmica para as corridas planas, o que é um problema para um sprinter. A Cube (marca de bicicleta usada pela Intermarche-Wanty) é rápida e aerodinâmica.”
É uma declaração interessante já que Fernando Gaviria, outro sprinter, também não teve um grande ano, e Jasper Philipsen saiu para outra equipa, é uma incógnita o nível que Pascal Ackermann vai apresentar pela UAE Team Emirates. O norueguês mostrou confiança no seu novo comboio (Bystrom, Pasqualon e Petit), confirmando que as funções de Pasqualon vão mudar, e em si mesmo. “O meu objectivo é fazer top 5 nos Monumentos, Milano-SanRemo, Tour des Flandres e Paris-Roubaix. Valverde foi campeão do Mundo com a minha idade, ainda estou confiante que posso fazer o mesmo.” Kristoff tem neste momento 34 anos.
Outro tema abordado foi a concorrência do outro Mundo que existe agora, nomeadamente de Mathieu van der Poel e de Wout van Aert, 2 nomes incontornáveis nas clássicas. “Eles parecem imbatíveis, mas após uma corrida dura e longa é possível. Se eles gastarem energia a mais há hipóteses para ciclistas como eu”, recordando que sprints após corridas bem duras é a especialidade de Kristoff. “Se eles se marcarem mutuamente e começarem a olhar um para o outro criam possibilidades para os outros. Eu estava no mesmo nível que eles há 7 anos atrás.”
O norueguês é uma personagem enigmática, gosta de desfrutar da vida e por vezes chega aos primeiros estágios com alguns peso extra das férias. Nesta entrevista também revelou que usa métodos de treino e abordagens mais convencionais. “Nunca em 100 anos me apanham num estágio em altitude. Nunca fiz isso e mesmo assim ganhei corridas. No dia em que estiver a ser deixado para trás nas clássicas e tiver bons valores vou considerar fazer um.”
Olhando para o futuro, Alexander Kristoff é uma das grandes esperanças da Intermarche-Wanty-Gobert e a sua regularidade pode vir a ser chave para segurar a equipa no escalão máximo o ciclismo Mundial. Já nos parece complicado que o norueguês faça pódios em Monumentos com a concorrência que há hoje em dia, mas nunca se sabe, ainda sendo possível que faça alguns top 10 em corridas importantes se for bem secundado. É preciso recordar que com 81 vitórias é dos ciclistas com mais triunfos a correr no pelotão actualmente. Em relação à feroz luta pelo World Tour é um assunto que iremos abordar com mais detalhe nos próximos dias.