Muitos se lembrarão certamente da Team Qhubeka ou da Team Dimension Data, uma estrutura sul-africana que esteve na estrada de 2013 a 2021 a tentar disputar as mais importantes provas do calendário internacional. Era uma equipa muito acarinhada pelos fãs da modalidade e contou com corredores como Gerald Ciolek (ganhou a Milano-SanRemo), Steve Cummings, Giacomo Nizzolo, Victor Campenaerts, Fabio Aru, Domenico Pozzovivo, Louis Meinjtes, Edvald Boasson Hagen, Tyler Farrar ou até Mark Cavendish. Numa versão inicial tinha uma forte influência africana, depois foi perdendo um pouco esse predomínio e inclusivamente em 2021 foi para a estrada, mas sempre com muita incerteza em relação ao futuro.
Um denominador comum entre o assunto acima mencionado e o tópico de hoje é o máximo responsável da equipa. O mentor desse projecto era Doug Ryder, alguém que fez de tudo para que a equipa permanecesse na estrada. Em Agosto começaram a surgir rumores nos meios internacionais, nomeadamente no Velonews, que indicavam que Doug Ryder estava a preparar a criação de um novo projecto, uma ProTeam, equipa do segundo escalão mundial, e que teria o apoio e financeiro de um bilionário sul-africano. O mesmo meio de comunicação, que tem estado bastante certeiro neste defeso em relação a rumores, aponta que o plantel será de cerca de 20 elementos e já estão garantidos 3 corredores que em 2022 correram no World Tour.
Da Trek-Segafredo devem chegar 2 ciclistas, um deles o sprinter Matteo Moschetti, italiano de 26 anos que está a cumprir a quarta época completa na formação norte-americana. Moschetti tem tido muitos problemas graves com lesões e tem tido algumas paragens prolongadas. Em 2019 entrou com a reputação de um dos melhores sprinters sub-23 de 2018 e obteve 1 pódio no UAE Tour e 2 top-5 no Giro, em 2020 teve muito azar, ganhou 2 clássicas espanholas logo a abrir, parecia que vinha para a temporada de afirmação e foi interrompida pela pandemia e por isso mesmo a relativa falta de resultados em 2021 foi uma desilusão, não se conseguiu afirmar nem conquistar o seu espaço. Vai para esta nova estrutura com 2 vitórias e mais 2 pódios em 2022, todos fora do World Tour, mas continua a ser um corredor perigoso para sprints puros no calendário europeu, veremos se consegue dar o salto.
Outro italiano, já numa fase bem distinta da carreira, é Gianluca Brambilla, de 35 anos. Na Trek-Segafredo desde 2018, também tinha estado 5 temporadas na Quick-Step e encarará este novo projecto numa perspectiva mais de capitão na estrada e final de carreira. De uma forma natural tem perdido algum terreno para esta nova geração, mas ainda é um ciclista capaz de obter bons resultados, esta época foi 15º na Volta ao País Basco, 9º no Tour de l’Ain, 8º na Settimana Coppi e Bartali. Será sempre uma aposta de top 10 neste tipo de corridas e mais uma opção para as clássicas com alguma montanha e para uma Pro Team chega e sobra, será mais protegido do que na Trek e terá um papel bem mais importante.
A contratação que achamos mais interessante é a de Damien Howson, antigo campeão mundial sub-23 de contra-relógio em 2013, e que pela primeira vez na carreira sai da estrutura da BikeExchange. Esta mudança significa também uma perda enorme para a formação australiana, de alguém que não só conhecia os cantos à casa e os líderes como poucos, como é alguém que tem sido uma pedra basilar principalmente nas Grandes Voltas. Realizou 10 provas de 3 semanas e completou 80% delas, é alguém muito completo, capaz de ajudar em todos os terrenos e que já apoiou Simon Yates e Michael Matthews em muitos momentos. Não tem liberdade muitas vezes para provas que é um trepador bastante competente em subidas longas, prova disso é que quando teve ganhou a Volta a Hungria e a Volta a República Checa, em 2021 e 2020, respectivamente, sendo corridas deste género precisamente objectivos para a nova estrutura liderada por Doug Ryder.