Em fim-de-semana de Nacionais, o dia principal é sempre o Domingo “gordo”, mas hoje já houve algumas provas interessante de acompanhar, tanto na categoria masculina, como na categoria feminina. Vamos a alguns dos destaques:
-Annemiek van Vleuten finalmente perdeu uma prova em 2020! Depois de 5 triunfos ficou na 2ª posição, impotente face a uma brutal Anna van den Breggen, que conseguiu um verdadeiro conto de fadas. Na penúltima oportunidade, visto que se vai retirar em 2021, conquistou o título que lhe faltava na carreira e assim vestirá as cores da Holanda durante quase 1 ano.
-Ainda havia o contra-relógio para disputar na Áustria e o mais forte como Matthias Brandle, mas o corredor da Israel Start-Up Nation teve forte oposição de Patrick Gamper e do surpreendente Felix Ritzinger, ambos ficaram a menos de 30 segundos.
-Juraj Sagan, irmão de Peter Sagan, conquistou o 4º título nacional de estrada, diante de Erik Baska e Lukas Kubis, enquanto que na mesma corrida Adam Toupalik (que costuma fazer ciclo-crosse) surpreendeu Zdenek Stybar, numa corrida onde o ciclista da Quick-Step foi atacado por todos os lados. O 3º foi Petr Vakoc.
– Nas corridas femininas destaque para o título conquistado por Audrey Cordon-Ragot, depois de muitas vezes bater na trave. A representante da Trek-Segafredo foi claramente a mais forte, mesmo estando em inferioridade numérica. Também prejudicadas pelos números, Mavi Garcia e Ane Santesteban decidiram aliar-se, partir a corrida de longe e discutir o título entre elas. Garcia continuou a excelente época ao bater Santesteban, com Eider Merino, da Movistar a fechar o pódio.
Em relação a amanhã o que podemos esperar nos principais campeonatos:
-França – Traçado muito exigente pela extensão (236,5 kms) e pelo rompe-pernas constante. Não tem nenhuma grande subida, mas ao todo são 3600 metros de desnível. Como sempre será uma grande guerra de blocos, com várias formações a terem mais de 10 ciclistas. Não sendo para puros trepadores, a Ag2r tem algumas boas opções como Gallopin, Venturini ou Cosnefroy. Será que a Groupama-FDJ fará “all-in” em Arnaud Demare que está em grande forma? Será certamente para puncheurs ou sprinters num grande momento.
-Espanha – Sem grande parte da Movistar antevê-se um grande duelo entre a Bahrain-McLaren (Landa, Bilbao) e a Astana (irmãos Izagirre, LuisLe, Fraile, Aranburu) com a Caja Rural a tentar aproveitar a superioridade numérica. Nomes como Herrada ou David de la Cruz terão de fazer uma corrida perfeita. O circuito é exigente e tem uma subida de 7,1 kms a 5,3%, que será ultrapassada por 5 ocasiões.
-Itália – Uma distância absurda para esta fase da temporada (253 kms), ainda por cima com 12 passagens por uma subida que tem 3 kms a 6%. O que dá esperança aos sprinters é que a última colina está a mais de 20 kms da meta e pode permitir reagrupamentos. A Ineos é uma carta fora do baralho e quem pode decidir a corrida é a UAE Team Emirates com um bloco forte e Ulissi e Formolo em grande forma. A Trek-Segafredo com Nibali, Brambilla e Ciccone também quer à força toda partir a corrida.
-Holanda – Quase 200 kms e quase 30 passagens por uma colina com 500 metros a 4,8% que coincide com a meta. Sem Fabio Jakobsen e Dylan Groenewegen, os olhos estão todos postos em Mathieu van der Poel, que vai precisar de uma Team Sunweb a colaborar muito tendo em vista Cees Bol. A Jumbo-Visma vai querer lançar o caos o mais cedo possível.
-Alemanha – Percurso teoricamente para sprinters no circuito automóvel de Sachsenring. Ackermann, Walscheid e Bauhaus não parecem em grande forma, ao contrário de John Degenkolb, que está a subir bem como mostrou em Wallonie. Corrida depende muito da táctica da Bora-Hansgrohe.
-Outros – Na Dinamarca os sprinters têm o teórico favoritismo, mas como estão espalhados pelo World Tour as equipas continentais podem fazer uma gracinha. Na Áustria ainda mais plano é, a Bora-Hansgrohe tem muitos ciclistas, nenhum sprinter e tem de deixar Marco Haller para trás. Circuito muito duro na Noruega, quase 5000 metros de desnível, os sprinters não terão hipótese, olho em Tobias Foss e Carl Hagen. Na Polónia o perfil abre o apetite a todo o tipo de ciclistas, veremos se fica na CCC como muitas vezes acontece.