Até foi um dia relativamente calmo no mercado este, as transferências vão-se sucedendo e as equipas vão compondo os seus plantéis, hoje vamos falar e explorar um pouco as 4 transferências que foram oficializadas nas últimas 24 horas.
Warren Barguil para a Team DSM
É um regresso à sua segunda casa, uma casa da qual saiu na mó de cima e se formos a consultar o seu currículo podemos ver que as exibições e as vitórias que ficam na retina são aquelas quando ainda representava a formação holandesa. 2 etapas na Vuelta, 2 etapas no Tour, a classificação da montanha na Volta a França, 3º na Volta a Suíça e em 2018 optou por ir liderar a estrutura da Arkea-Samsic. Nunca mais se exibiu ao nível de 2017 não obstante a boa temporada de 2022 que fez, muito a jogar em equipa para os pontos do WorldRanking, foi top 15 em 6 clássicas do World Tour incluindo 2 Monumentos e ainda ganhou no Tirreno-Adriatico.
Agora com 31 anos, volta à estrutura da Team DSM num contrato válido por 3 temporadas e a presença de Barguil num plantel tão jovem é muito importante, o gaulês tem muito para ensinar e ajudar a jovens como Vanhoucke, Vermaerke, Onley ou Poole e enquanto esta juventude toda não alcança o seu potencial pleno ainda tem espaço para brilhar, suportando a pressão dos resultados conjuntamente com Romain Bardet. Parece-me, por isso mesmo ser uma boa transferência para ambas as partes, Barguil não tem a responsabilidade e o foco francês da Arkea, a DSM precisava de um corredor com estas características e que já mostrou trabalhar para um líder quando é necessário. Em relação à Arkea, ou vem aí um grande reforço para além de Demare ou a equipa confia cegamente no talento de Kevin Vauquelin para assumir o papel de Barguil. Com apenas 2o ciclistas confirmados no plantel parece-me que podem ainda vir grandes novidades.
Andrea Bagioli para a Lidl-Trek
Desta transferência ainda não existia grandes rumores e é mais uma saída importante da Soudal-Quick Step. Andrea Bagioli teve uma temporada de estreia no World Tour, com 21 anos, que impressionou muitos. Ganhou no Tour de l’Ain, na Settimana Coppi e Bartali, foi pódio numa etapa da Vuelta e 7º na Brabantse Pijl, a partir daí somou 1 vitória por ano, a Drome Classic em 2021, 1 etapa na Volta a Catalunha em 2022 e recentemente 1 etapa no Tour de Wallonie, mas não teve a progressão de carreira que se esperava a partir de 2020, muito menos a consistência. É um ciclista que é exímio em pequenos topos, bom em finais com grupos reduzidos pois tem um bom sprint. A questão é que na Quick-Step estava um pouco tapado para esse tipo de corridas, tanto por Alaphilippe como por sprinters que passam bem a montanha.
A saída percebe-se, quer mais oportunidades, quer outro espaço para evoluir, viu a Quick-Step a apostar em sprinters e mais recentemente num comboio para Evenepoel. Assinou por 3 épocas com a equipa norte-americana, que deve ver em Bagioli um ciclista que potencialmente irá liderar nas clássicas das Ardenas, é aí que está o seu grande ganha pão. Será um bloco muito perigoso e completo, perfilam-se Skjelmose, Mollema, Skujins e eventualmente Simmons, mas destes corredores todos Bagioli é aquele mais explosivo e que melhor ponta final tem.
Matteo Sobrero para a Bora-Hansgrohe
Este movimento também apanhou alguns de surpresa e curiosamente o italiano de 26 anos só assina por 1 temporada, quer ter o futuro na palma da mão. Sobrero gosta desta prática, é a 4ª equipa do World Tour em 5 épocas, já conta com passagens por NTT, Astana e Jayco. Já foi campeão nacional de contra-relógio, na altura uma grande surpresa, e venceu uma etapa da Volta a Itália, claramente o seu maior sucesso da carreira. Sempre se defendeu na montanha, na estrutura australiana parecia que estava a tentar dar o salto para discutir provas por etapas, mas ainda lhe falta a consistência a subir, uma área onde melhorou substancialmente.
Não estando entre os melhores contra-relogistas do Mundo nem entre os melhores trepadores do Mundo, creio que a Bora-Hansgrohe vê em Sobrero a possibilidade de ter um gregário extremamente jovem e completo. É uma ajuda preciosa em contra-relógios colectivos, tem as características certas para ajudar a perseguir fugas na montanha e para estar ao lado de Hindley e Vlasov nas fases mais complicadas das etapas. Se olharmos bem até tem algumas características em comum com Tratnik ou van Baarle, as outras equipas começam a ver o estilo de contratações da Jumbo-Visma e a tentar seguir a mesma política de corredores altamente versáteis. Para a Jayco é uma pena perder estes corredor, podia dar um bom apoio a Zana, Dunbar ou Yates, a formação australiana deu boa conta de si nas Grandes Voltas.
Antoine Huby para a Soudal-Quick Step
O nome menos conhecido de todos, o francês é um jovem de 22 anos que está a ter uma temporada final no escalão sub-23 verdadeiramente incrível desde Abril, foi 2º na Liege-Bastogne-Liege, na Fleche du Sud, ganhou a Course de la Paix e foi 5º no Tour Alsace, isto tudo ao serviço de uma equipa amadora de França, a Vendeé. Huby é um corredor explosivo que adora a média montanha, em Glasgow até tinha hipóteses do título mundial quando caiu e já batalhou algumas vezes contra António Morgado nesta época. A formação belga deverá ter algum cuidado nesta transição e deverá ser um nome a ter em conta em algumas semi-clássicas ao longo do ano.