AG2R Citroen Team – 15
Andrea Vendrame mostrou uma capacidade subir extraordinária, a sua exibição na 12ª etapa foi simplesmente perfeita, sabendo que era o mais rápido do grupo e que o iriam obrigar a perseguir, o italiano jogou ao ataque e foi a opção certa, conseguindo a maior vitória da carreira. A Ag2r globalmente andou bem e Geoffrey Bouchard logrou a camisola da montanha, depois do triunfo na mesma classificação na Vuelta, só lhe falta no Tour. Bouchard também esteve próximo da vitória na etapa 9.
Lawrence Naesen foi o sprinter de serviço nas etapas mais planas e Clement Champoussin não teve oportunidade de mostrar realmente o que tinha exibido nos primeiros meses de 2021, uma pena. Tony Gallopin é um ciclista já sem a capacidade de outrora, desde 2018 que não obtém um grande resultado e foi uma sombra dele mesma neste Giro.
Alpecin – Fenix – 15
Mesmo sem a sua grande estrela, Mathieu van der Poel, foi um Giro excelente para a Alpecin-Fenix e a pressão saiu logo da equipa quando Tim Merlier ganhou a 2ª etapa, a primeira para os sprinters. Só voltaria a fazer pódio em Termoli e depois abandonou, já se sabia que teria mais hipóteses logo nos primeiros dias e que provavelmente não iria completar a corrida.
Louis Vervaeke mostrou que ainda anda bem na montanha, o 4º posto em Sestola elevou-o ao top 10 e andou por lá algum tempo, o que também o impediu de entrar em algumas escapadas prometedoras, acabou em 20º da geral. Gianni Vermeesch fez o que se esperava dele, sempre activo nos sprints em grupo reduzido e Dries de Bondt foi um dos mais combativos, entrou em muitas fugas e procurou sempre pontos nas classificações secundárias, fazendo ainda 2 top 10 em etapa, o que lhe valeu o triunfo nas classificações da combatividade e dos sprints intermédios. Até Oscar Riesebeek, um nome relativamente desconhecido, teve a sua chance e fez 2º.
Androni Giocattoli – Sidermec – 7
Foi uma Volta a Itália de bastante desilusão para a formação de Gianni Savio, algo que já se estava a prever com um alinhamento mais débil do que o normal. Aproveitaram a publicidade de terem o ciclista mais jovem do Giro em Andrii Ponomar e bem podem agradecer a Simon Pellaud todas as fugas que o suíço conseguiu. A sua constante presença em fuga valeu ao suíço a vitória no prémio “Fuga Bidone” pelo segundo ano consecutivo.
Os trepadores Eduardo Sepulveda e Jefferson Cepeda estiveram abaixo do esperado, especialmente o equatoriano porque aguçou o apetite no Tour of the Alps. Natnael Tesfatsion esteve bem, principalmente na segunda metade do Giro.
Astana Pro Team – 13
Foi um Giro um pouco sensaborão por parte da Astana. A equipa nunca arriscou a sério, nunca deu grande liberdade aos seus gregários (Izagirre e Luis Leon Sanchez tinham hipóteses em muitas etapas e mal estiveram em alguma fuga). Faltou atitude e panache, nem Felline teve carta branca para ir à procura de etapas de média montanha.
Aleksandr Vlasov esteve dentro das expectativas, o russo conseguiu salvar o seu dia mau em Sega di Ala, perdendo 2 minutos para os seus rivais quando descolou muito cedo, manteve sempre o seu ritmo e nunca entrou em pânico. De resto foi consistente, esteve atento às movimentações e ser 4º neste Giro é um bom resultado, ainda que bastante longe do pódio. Não se estava à espera que o russo abafasse a concorrência, que era de peso.
Bahrain-Victorious – 19
Tendo em conta as circunstâncias, o que a Bahrain fez neste Giro foi estupendo, brilhante mesmo. Perder o seu líder logo na etapa 5, perder gregários de luxo às etapas 9 (Matej Mohoric) e 12 (Gino Mader) e ainda assim fazer 2º na geral e ganhar 2 etapas não é para qualquer equipa. Uma carreira inteira a trabalhar para outros líderes e finalmente aos 33 anos, Damiano Caruso mostrou do que é verdadeiramente capaz, com uma consistência admirável, foi o que mais se aproximou de derrotar Egan Bernal no Giro. O que surpreendeu mais foi a audácia na penúltima etapa, quando era mais fácil e seguro simplesmente ficar no pelotão e defender o lugar no pódio, que seria o melhor resultado da carreira.
Pello Bilbao fez um Giro algo apagado, mas apareceu no momento certo para ajudar o seu líder quando era mais preciso, realizando uma etapa genial a fechar o Giro, e ainda foi 13º na geral. Jan Tratnik escolheu criteriosamente as fugas e foi 5º em Sestola e 2º no Monte Zoncolan, apenas negado por um incrível Fortunato.
Bardiani – CSF Faizané – 9
Uma formação que tentou, mas que não conseguiu aproveitar as oportunidades que teve para levar de vencida uma etapa e teve algumas. O único pódio surgiu por intermédio do improvável Filippo Fiorelli, primeiro porque é um ciclista relativamente desconhecido, segundo porque foi na montanha quando o italiano até é um bom finalizador. Umberto Marengo deu muita exposição aos patrocinadores, foi para várias fugas em etapas planas.
As oportunidades estiveram lá, só que não houve pernas para as concretizar, a equipa colocou quase sempre um elemento importante na frente, principalmente naquelas fugas mais débeis. No dia em que Lafay ganhou Carboni fez 5º, no dia em que Vendrame ganhou Visconti fez 5º, no dia em que Schmid ganhou Battaglin fez 6º, isto resume bem o Giro da Bardiani.
Bora-Hansgrohe – 13
Não se pode dizer que tenham deslumbrado. O foco esteve muito em Peter Sagan, e depois de ameaçar por 2 ou 3 ocasiões, lá conseguiu o triunfo na etapa 10, após um trabalho estupendo dos seus colegas. Ficou nesse dia com a Maglia Ciclamino e nunca mais a largou, adoptando um estilo de corrida bastante defensivo. Marcação directa aos seus rivais, e nunca quis atacar ou entrar em fugas, fez o que era necessário e mais racional, jogando muito frio.
Emanuel Buchmann foi muito, muito infeliz e gostaríamos de ter visto o alemão nesta última semana de muita animação. Deixou a corrida quando era 6º e estava em nítida subida de rendimento, o pódio era possível. Esperávamos bem mais de Matteo Fabbro, quanto a Felix Grossschartner, tentou nos dias errados.
Cofidis, Solutions Crédtis – 13
Foi na 8ª etapa que o Giro da Cofidis foi salvo por Victor Lafay, através de uma fuga de 9 elementos, onde o francês foi claramente o mais forte na subida final. Lafay acabaria por não aparecer muito mais no Giro, rubricando ainda uma exibição positiva no Zoncolan. A preparação foi boa e veremos se este foi o derradeiro passo para o francês dar o salto.
O que dissemos na antevisão do Giro sobre Elia Viviani cumpriu-se em cheio, o italiano continua uma sombra do que era na Quick-Step, ainda fez 2 pódios, mas depois foi perdendo o gás e a confiança e na última semana apareceu Simone Consonni para fazer 4º em Gorizia e 2º em Stradella, um lançador de luxo que merece mais e melhor e que está no último ano de contrato na Cofidis.
Deceuninck-QuickStep – 14
É caso para dizer que valeu João Almeida e a capacidade física do ciclista português, que só teve liberdade quando Remco Evenepoel quebrou de forma definitiva. Esteve muito próximo da vitória em etapa em 2 ocasiões, recuperou de uma forma notável e terminou em 6º da geral. O que mais impressionou é a resiliência e a forma de lutar mesmo contra as adversidades, numa situação psicologicamente bastante complicada. Foi pena aquele dia mau logo na 1ª semana, nunca se sabe o que teria acontecido sem esse dia mau porque perdeu muito tempo a ajudar e esperar por Evenepoel. Se na etapa do sterrato ainda se percebe por causa do terreno e da posição na geral de ambos, no Zoncolan foi completamente incompreensível, já que naquelas pendentes não há ajuda que valha, foi claramente um tomar de posição por parte da equipa. Infelizmente para João Almeida na última semana Knox não apareceu e Masnada já não estava no Giro.
A gestão da formação belga durante a corrida foi má, mas foi antes da corrida que o caldo foi entornado, a maior nota negativa vai para Lefevere. Primeiro Evenepoel vinha para ajudar João Almeida, depois já era líder, depois João Almeida já era “persona non grata” por causa de não querer renovar. As dúvidas ficaram dissipadas quando João Almeida teve o seu dia mau e Remco ficou no grupo, mas aí já o filme se estava a ver. Remi Cavagna teve muito azar na última etapa e merecia mais. Falando de Remco Evenepoel, o que aconteceu é completamente normal, depois de pouco treino, nenhuma competição e numa estreia em Grandes Voltas, seria demasiado ambicioso fazer mais e melhor. Serviu de aprendizagem.
EF Education – NIPPO – 14
Fica claramente uma sensação agridoce relativamente a esta equipa. Ruben Guerreiro estava numa excelente condição física e foi forçado a abandonar, um rude golpe para um ciclista naturalmente ofensivo. Hugh Carthy teve uma última semana sofrível e um mau contra-relógio final, que o levaram a terminar em 8º da geral. Tendo em conta que o britânico foi 3º na Vuelta em 2020 (que teve um nível super-elevado) e que até teve apoio na montanha, não é um resultado que certamente o satisfaça.
O Giro da EF Education – Nippo ficou mais colorido quando Alberto Bettiol (que demonstrou grandes pernas todo o Giro, nunca tínhamos visto o italiano a trepar assim) ganhou com autoridade a etapa 18. O bloco no seu conjunto não era fortíssimo, Bettiol e Ruben Guerreiro foram tapando as fragilidades aparentes.
EOLO – Kometa – 17
O Giro nem começou da melhor maneira para a equipa que conta com Alberto Contador e Ivan Basso na estrutura. Manuel Belletti, o sprinter da equipa, foi para casa mais cedo e Francesco Gavazzi teve uma grande chance na etapa 8, onde só perdeu para Victor Lafay. Gavazzi marcou pela presença em fugas, não esperou por sprints em pelotão reduzido, onde apenas o top 10 estava ao seu alcance.
E eis que surge Lorenzo Fortunato, uma das grandes sensações deste Giro, para levar Contador à loucura numa formação a fazer a sua estreia em Grandes Voltas. E logo com um triunfo no Monte Zoncolan. Fortunato aguentou-se regularmente com os melhores na montanha e terminou num fantástico 16º lugar final, um ciclista que até aqui não tinha qualquer grande resultado relevante.
Groupama-FDJ – 11
Foi uma Volta a Itália um pouco estranha. A equipa partiu com o objectivo de vitórias em etapa, no entanto viu-se forçada a alterar a estratégia por culpa das circunstâncias. E porque foi o Giro da revelação do jovem Attila Valter. O húngaro integrou a fuga na etapa 4, ficou entre os primeiros da geral e foi o que melhor resistiu com os favoritos no Ascoli Piceno. O resultado foi uma camisola rosa que foi defendida até onde deu. A questão é que Valter ainda estava bem posicionado na geral e os colegas foram ficando com ele. O esforço valeu um 14º lugar na geral em Turim.
Graças a isso os caça etapas da equipa (Rudy Molard, Matteo Badilatti e Sebastien Reichenbach) mal se viram neste Giro, também por causa do desgaste de ajudar Valter algumas vezes, algo resultante da estratégia da equipa.
INEOS Grenadiers – 20
Praticamente perfeita do início ao fim. E pensar que a formação britânica dominou este Giro sem Pavel Sivakov é ainda mais assustador. Dentro da estrutura há várias figuras de destaque, sendo incontornável falar de Egan Bernal, que vence aqui a sua 2ª Grande Volta. O colombiano foi claramente superior durante 2 semanas e meia, quebrou ligeiramente em Sega di Ala, mas na última etapa de montanha mostrou apenas que foi um dia mau. Foi uma vitória da autoridade, de alguém que ainda ganhou 2 etapas e começou o Giro com uma confiança fragilizada devido a um 2020 abaixo do esperado.
Dani Martinez foi um gregário de luxo que ainda acabou no 5º posto. Sempre junto de Bernal sem qualquer dúvida ou hesitação, esteve lá quando o seu líder mais precisava e também se mostrou como uma alternativa a 3 semanas, o problema é que o espaço para liderar é pouco. Filippo Ganna também leva para casa 2 jornadas, numa Volta a Itália absolutamente genial, ganhou a abrir e a fechar (mesmo com um furo) e foi decisivo em momentos importantes (descidas, estradas expostas, e a etapa do sterrato). Jonathan Castroviejo mostrou novamente que consegue fazer um trabalho como poucos no pelotão internacional.
Intermarché – Wanty – Gobert Matériaux – 16
Uma das grandes histórias deste Giro foi Taco van der Hoorn e a sua vitória em etapa, uma das mais improváveis dos últimos anos numa Grande Volta. A Wanty chegou sem vitórias no World Tour, e o holandês pensava que em Dezembro ia correr (tinha contrato até) numa equipa Continental. Mas o Giro é feito de grandes surpresas.
A partir daí a Wanty fez uma Volta a Itália bastante positiva, sem a pressão de alcançar um bom resultado partiram para o ataque. Andrea Pasqualon fez alguns top 10 em sprints, Rein Taaramae ainda pensou em correr por um top 15 na geral, não aguentando na alta montanha e Jan Hirt bem atacou na última semana, mas já o vimos melhor em subidas longas. Nota muito positiva para a estreia em Grandes Voltas de Quinten Hermans, o belga fartou-se de atacar e merecia mais.
Israel Start-Up Nation – 17
Para o alinhamento que tinham foi uma prestação excelente, até porque perderam Krists Neilands logo ao 2º dia. Alessandro de Marchi foi 2º na etapa 4 e cumpriu o sonho de criança ao vestir de rosa, depois disso uma queda grave empurrou-o para fora da corrida logo ao 12º dia. A Dan Martin coube ganhar 1 etapa, uma excelente vitória num dia duríssimo, finalizando também no top 10 da geral. Martin tem fragilidades óbvias nas descidas, no posicionamento e no contra-relógio, o que lhe leva sempre a perdas de tempo desnecessárias. Ainda assim já finalizou no top 10 de Grandes Voltas por 6 vezes, sendo que neste Giro esteve praticamente sozinho na montanha.
Patrick Bevin tinha estado em grande da Romândia, mas aqui praticamente não se viu, esteve mal nos contra-relógios e na fuga em que entrou foi quase último do grupo. Davide Cimolai exibiu-se a um excelente nível e foi 2º na classificação por pontos, foi 2º por 2 vezes, 3º por 1 vez e 4º na etapa 13, poderoso e regular.
Lotto Soudal – 12
Requisitos mínimos cumpridos, mas a imagem final de chegar a Milão apenas com 2 corredores, nem contando para a classificação colectiva, não é positiva. Caleb Ewan voltou a demonstrar que é um dos melhores sprinters do Mundo e arrebatou 2 etapas, indo para casa logo na 8ª etapa para preparar o Tour e a Vuelta. Thomas de Gendt, também capaz de fazer isso, mal se viu neste Giro.
Coube aos jovens levar a Lotto-Soudal até final. Stefano Oldani foi um dos que finalizou, conseguindo até 3 top-10 em etapa, enquanto Harm Vanhoucke teve bastante azar num dia que parecia dele, em Montalcino. Kobe Goossens não aproveitou a oportunidade da etapa 8, mas da juventude da Lotto-Soudal ficam algumas boas notas.
Movistar Team – 10
Aos 27 anos Marc Soler tinha aqui uma chance de ouro, que ficou por terra na etapa 12 devido a uma queda, o espanhol estava a andar bem e era 11º na geral, junto de Martinez e Bardet. A partir daí a formação espanhola focou-se somente em caçar etapas, sendo que Antonio Pedrero se guardou para a última semana, mostrou um nível muito alto, só que teve azar com as circunstâncias de corrida, que levaram a que as equipas da geral quisessem endurecer a corrida.
Nelson Oliveira foi dos mais inconformados de todo o Giro, foi dos ciclistas que mais quilómetros em fugas somou. Foi 8º nas etapas 4 e 14 e 4º na etapa 8, naquela que foi realmente a sua grande chance de triunfo tendo em conta o grupo onde estava inserido. Dario Cataldo também esteve em algumas escapadas, sendo que Einer Rubio e Matteo Jorgenson desiludiram neste Giro.
Team BikeExchange – 16
Yates geriu este Giro com pinças, e talvez tenha gerido demais. Com medo de uma quebra na 3ª semana, o britânico poupou forças e praticamente não se mexeu na luta pela geral até à semana final, algo expectável. O problema é que foi para o Zoncolan já com quase 1:30 de atraso, e depois levou a machadada final na geral em Cortina D’Ampezzo, onde perdeu 2:30 para Bernal, uma diferença que seria decisiva. No entanto Yates deve estar satisfeito com a sua prestação, até porque somou mais 1 etapa ao seu currículo.
A equipa esteve totalmente focada nele, foi raro o ciclista que esteve em fugas, o britânico não se pode queixar de apoio, no entanto Mikel Nieve habituou-nos a mais na alta montanha da 3ª semana. Tanel Kangert e Nick Schultz estiveram bem e consistentes.
Team DSM – 14
Jai Hindley tinha um ponto a provar depois de aparecer quase do nada no Giro de 2020 e continua com esse ponto a provar depois do que não mostrou aqui. Perdeu tempo muito cedo mesmo com a equipa a ajudá-lo e a DSM focou-se em Romain Bardet depois disso, uma decisão acertada. O francês teve uma segunda metade de Giro muito melhor do que a primeira, saiu de Montalcino fora do top 10 e a mais de 3 minutos de Bernal, terminou em 7º e conseguiu o melhor resultado em Grandes Voltas desde 2018, um passo na sua recuperação.
Nikias Arndt focou-se de forma inteligente nas etapas em que sabia ter hipóteses e foi tremendamente eficaz, 3º nas etapas 8 e 15 e 4º na jornada 18, o alemão teve um excelente Giro. Michael Storer deixou uma excelente impressão a ajudar Bardet e Chris Hamilton só perdeu para Andrea Vendrame na etapa 12.
Team Jumbo-Visma – 14
As abelhas vieram com a segunda linha, e tomara muitas primeiras linhas terem este rendimento. Aqui começamos pela desilusão, que foi Dylan Groenewegen. Quase sempre mal posicionado nos sprints massivos, quase sempre o primeiro a descolar nas colinas, o Giro foi bastante agressivo para o regresso do holandês, que se mostrou receoso e pouco confiante. Pensamos que a decisão da equipa holandesa foi errada, era preferível Groenewegen ter começado por corridas mais acessíveis e dar uma oportunidade importante a David Dekker.
Edoardo Affini confirmou todo o seu potencial, finalmente. Foi 2º no contra-relógio de abertura e 3º no contra-relógio a fechar, ainda fez 2º numa etapa plana em que tentou enganar os sprinters e foi importante em fugas. George Bennett perdeu tempo na geral muito cedo e focou-se em ganhar etapas, algo que não conseguiu, sendo visível a sua frustração. Ainda acabou em 11º na geral. Foi o Giro da afirmação de Tobias Foss, um ciclista do estilo de Tom Dumoulin, muito forte nos contra-relógios. Foi-se defendendo na alta montanha com maior ou menos dificuldade e terminou em 9º. É de recordar que tem apenas 24 anos. Koen Bouwman esteve muito bem, quando esteve em fuga até quase ganhou, e foi crucial a rebocar Foss em algumas subidas, acabou em 12º da geral. A Jumbo-Visma terminou com 9º, 11º e 12º.
Team Qhubeka ASSOS – 18
Uma das sensações inesperadas deste Giro, sem dúvida alguma, com 2 vitórias por parte de ciclistas que já muito há as procuravam a este nível. Ainda para mais quando a equipa até esteve para acabar no final de 2020 e teve um orçamento reduzido para 2021. Victor Campenaerts apostou nas clássicas e apercebeu-se que mais cedo podia ganhar corridas assim do que em contra-relógios e a aposta resultou em pleno, um corredor que caiu algumas vezes em momentos decisivos e que já merecia. O mesmo se aplica a Giacomo Nizzolo, que cumpriu um sonho de criança depois de bater na trave diversas vezes.
O triunfo de Mauro Schmid equipara-se ao de Taco van der Hoorn no nível de surpresa. O jovem suíço ainda não tinha mostrado quase nada a este nível, agarrando a oportunidade com unhas e dentes. E uma formação que perdeu um dos seus líderes bem cedo, falamos de Domenico Pozzovivo. Lukasz Wisniowski e Max Walscheid estiveram muito activos ao ajudar os seus colegas, quer a lançar sprints, quer em fugas.
Trek-Segafredo – 11
Uma das avaliações mais complicadas a fazer. Isto porque a equipa norte-americano chegou aqui com um bloco fortíssimo e ambições claras, as expectativas eram elevadas. O nível exibicional foi superior aos resultados alcançados. Giulio Ciccone vinha a fazer um Giro incrível, com uma grande atitude, quando foi forçado a desistir já na última semana, quando era 6º da geral.
Nibali veio claramente debilitado e esteve sempre longe, muito longe, do seu melhor, terminando em 18º. Moschetti até cumpriu com o que era esperado, ao contrário de Brambilla (que mal apareceu e quando entrou numa fuga ganhadora teve umas tácticas curiosas, para dizer o mínimo) e de Bauke Mollema (muitas fugas, mas nunca mostrou realmente ter pernas para ganhar, um corredor com o calibre e estatuto de Mollema tinha de ganhar, pelo menos, 1 etapa).
UAE Team Emirates – 14
Foi um Giro bastante razoável, não fosse a vitória de Joe Dombrowski logo ao 4º dia e seria o Giro do quase, mas o norte-americano voltou aos seus melhores momentos, abandonando infelizmente logo no dia seguinte. Alessandro Covi esteve em muito bom plano, aos 22 anos foi uma das revelações deste Giro. Conhecido por ser um ciclista que passa bem montanhas e que tem uma boa ponta final, foi 2º na etapa do sterrato e 3º no Monte Zoncolan, provando a sua polivalência. É um daqueles corredores que pode completar rebentar com a escala em 2022 graças à rodagem e experiência adquirida este ano.
Fernando Gaviria esteve até bem melhor do que esperávamos, principalmente a subir ao nível de Peter Sagan. Resistiu sempre quando a Bora-Hansgrohe forçou o ritmo e terminou em 3º na classificação por pontos, falta melhorar a química com Juan Sebastian Molano, o colombiano tem muito capacidade física, mas toma constantemente decisões erradas no sprint, talvez fosse mais prudente passá-lo para 3º elemento do comboio. Diego Ulissi esteve relativamente escondido no Giro até surgir na última semana a subir com os melhores da geral, sem grande proveito, infelizmente.