Dia para a última chegada em alto do Tour! As oportunidades para se fazerem diferenças começam a ser cada vez menos por isso os ataques terão que surgir.
Percurso
Este tem tudo para ser um dos dias mais importantes deste Tour, as chegadas em alto não abundaram nesta edição, ainda para mais com esta dureza.
Dos primeiros 90 kms destaca-se o sprint intermédio ao km 45,5, espera-se mais uma grande guerra pela fuga e pela camisola verde entre Sam Bennett, Peter Sagan e Matteo Trentin. Os sprinters vão procurar o grupetto depois disso, pois surge o Col de la Madeleine, uma subida muito dura com 17,1 kms a 8,4%.
A descida do Col de la Madeleine tem 25 kms e depois há 15 kms de falso plano antes do Col de la Loze, que é o Souvenir Henri Desgrange, o ponto mais alto desta edição do Tour. São 21500 metros a 7,8%, onde se destacam os últimos 4 kms, quase sempre acima dos 10% e com rampas acima dos 20%
Táticas
Depois de um dia relativamente calmo para as equipas da classificação geral, apenas apareceram nos quilómetros finais, amanhã acreditamos que estas vão aparecerem, principalmente UAE Team Emirates e, talvez, Astana e Bahrain-McLaren. Pela Jumbo-Visma, a fuga terá o seu sucesso, de modo a roubar bonificações.
Favoritos
Foi impressionante a forma como Tadej Pogacar venceu no Grand Colombier. Aguentou o ataque de Primoz Roglic e, no final, ainda teve força para ultrapassar o seu compatriota para vencer, como já o tinha feito ao 10º dia. Amanhã, nova chegada em alto e, com a confiança em alta, o jovem sabe do que é capaz. Tem que recuperar tempo, não será fácil, mas está em grande forma.
Primoz Roglic tem estado no controlo das operações no entanto tem visto Pogacar aproximar-se, aos poucos. De forma a garantir uma maior controlo, o camisola amarela quererá dar um murro na mesa para ir mais descansado para as etapas finais. O final é ideal para si e, se a sua equipa corresponder às expectativas pode voltar a vencer.
Outsiders
Com algum atraso na geral, e sendo um mau contra-relogista, Miguel Angel Lopez poderá ter alguma liberdade na parte final. O colombiano costuma andar bem nas terceiras semanas das Grandes Voltas e subidas como esta são a praia do Superman. Não tem medo de atacar e, quando o faz é porque está forte.
Estamos muito agradados com o Tour que Richie Porte está a fazer. Aos 35 anos, o australiano está a realizar a melhor prova dos últimos anos, fora de percalços. Também ele já está um pouco atrasado na classificação geral, pelo que poderá ter alguma liberdade. Consegue impor fortes mudanças de ritmo e a primeira vitória da carreira no Tour é possível.
Mikel Landa tem estado muito discreto mas mais tarde ou mais cedo o basco terá que atacar para recuperar o tempo perdido por causa do vento. Se tiver capacidade, o ciclista da Bahrain-McLaren estará na ofensiva, ele que não tem medo de atacar de longe. A sua equipa está bem e isso é fundamental.
Possíveis surpresas
Enric Mas está em crescendo no Tour. Mais uma bela surpresa que parece estar a recuperar sensações de outros anos. A vitória não será fácil, mas se os grandes candidatos se marcarem é possível. Entre os homens da classificação geral, só vemos Rigoberto Uran a puder-se intrometer na luta, mas o colombiano costuma ser muito calculista e frio, preferindo seguir rodas e não atacar. Não será fácil, mas uma fuga também pode ter o seu sucesso. Aí, destacamos nomes que já estão bastante atrasados mas, noutras condições, estariam na luta pelo Tour. Falamos de Egan Bernal e Emanuel Buchmann, que se têm poupado nos últimos dias. Veremos em que condições físicas aparecem. Jan Hirt poderá dar a vitória que a CCC tanto procura e Sebastian Reichenbach e Thibaut Pinot são os nomes a ter em atenção na Groupama-FDJ. Marc Hirschi, Dan Martin, Daniel Martinez, Richard Carapaz e Pierre Rolland (que estará na fuga pela montanha) são outras alternativas.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Hugh Carthy e Marc Soler.