Mais um dia de dificuldades pela frente na Vuelta. Com Remco Evenepoel mais firme na liderança, será que a fuga voltará a ter sucesso? Teremos, novamente, João Almeida a atacar de longe?
Percurso
Talavera de la Reina será o epicentro do dia de amanhã na Vuelta, com a partida e a chegada da etapa a ocorrerem na cidade espanhola, num dia que é maioritariamente feito em circuito.
Falando do circuito, e depois de 12 quilómetros planos, surgem dois pequenos topos, o primeiro com 5100 metros a 4,1% e o segundo com 1500 metros a 6,6%. Logo de seguida, começa a subida do Puerto del Pielago (8,9 kms a 5,9%). Numa segunda passagem, o topo fica a 41 quilómetros do fim seguindo-se mais de 21 quilómetros de descida e outros tantos planos.
Táticas
A montanha não para nesta Vuelta e amanhã temos novo dia com dificuldades. Uma subida longa, a ser passada por duas vezes, marcará a etapa no entanto, estando ainda bastante longe do final, não acreditamos que seja alvo de ataques de longa distância por parte dos homens da geral. João Almeida tentou hoje, amanhã estará mais marcado, talvez do 8º classificado para baixo, ou seja, a partir de Ben O’Connor os corredores tentem a sua sorte no tudo ou nada de subir na classificação.
Com tudo isto, e tendo no horizonte a etapa de sábado e sabendo já que Enric Mas não está a quebrar com Remco Evenepoel, a fuga volta a ter grandes hipóteses. Pela primeira vez numa etapa de montanha os fugitivos não conseguiram ter sucesso mas amanhã o cenário deverá ser diferente, pelas razões já mencionadas. Para além disso, é a última grande oportunidade para os não trepadores, puncheurs que subam relativamente bem, estes vão tentar de tudo para estar na frente. Pode haver oportunidade para os sprinters, mas muitos vão temer as subidas e não vão querer colocar as equipas a trabalhar.
Favoritos
Jesus Herrada já somou um triunfo, esteve discreto até ontem, quando esteve muito perto de nova vitória. O experiente espanhol parece escolher na perfeição os dias em que entra na fuga e, no final, é sempre dos mais fortes. Trepador competente, tem uma excelente ponta final, essencial para amanhã.
Será desta que Fred Wright consegue a vitória? O britânico tem sido um dos homens da Vuelta, já leva 5 top-10 e por várias vezes esteve em fugas vitoriosas. Está a subir bem e mesmo que perca algum tempo consegue recuperar a descer. Num sprint é muito rápido mas não pode ir com excesso de confiança.
Outsiders
Lawson Craddock tem sido um dos mais combativos dos últimos dias, sempre em fuga e tenta com ataques de longe que, até agora, não tiveram sucesso. O norte-americano pode tentar o mesmo amanhã, está a subir bem e com subidas regulares adapta-se ainda melhor, e depois tem 40 quilómetros para fazer um longo contra-relógio individual.
Ben Turner tem estado muito preso aos seus líderes, mas com a queda de Carlos Rodriguez hoje e, numa etapa mais inofensiva, pode ter liberdade. O britânico é um classicómano de grande qualidade que se defende bem na montanha e tem uma boa ponta final.
Será desta Alejandro Valverde? Amanhã é a última grande oportunidade para El Bala poder vencer uma etapa na sua Vuelta, no sábado deve concentrar-se em Enric Mas, e não poderá desperdiçar. Valverde é um perito neste tipo de terreno, uma velha raposa que sabe como e onde deve atacar. Não tem a ponta final de outros tempos mas ainda é rápido.
Possíveis surpresas
Não nos admirávamos de ver Mads Pedersen em fuga, a camisola verde está matematicamente fechada, está sem pressão e pode procurar novo triunfo. As subidas não lhe vão meter medo, mas terá todos a correr contra si. Luis Leon Sanchez e Gino Mader são outras opções na Bahrain-Victorious, estas mais ofensivas, equipa que quer sair com algo da Vuelta. Patrick Bevin e Daryl Impey têm uma grande oportunidade de dar uma alegria à Israel-Premier Tech, são ciclistas muito completos, e a formação israelita tem passado ao lado da corrida. Bob Jungels, Dylan van Baarle, Rohan Dennis e Brandon McNulty são outras alternativas a ciclistas para atacar de longe e aguentarem a feroz perseguição. Já nomes como Xandro Meurisse, Sergio Higuita, Jan Bakelants e Alexey Lutsenko têm uma excelente ponta final, podem esperar pela chegada. Em caso de sprint, e para além de Mads Pedersen, Danny van Poppel, Pascal Ackermann e Mike Teunissen são nomes a considerar.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Robert Stannard e Thomas de Gendt.