Mais uma jornada de transição nesta terceira semana da Volta a França, será que a fuga vai ter sucesso novamente?
Percurso
Uma etapa “plana”, mas que tem muito que se lhe diga, tem quase o dobro de acumulado face à etapa de hoje e os puros sprinters já podem ter o pensamento em Paris depois de ver o que aconteceu hoje. A parte inicial tem algumas colinas e inclusivamente 1 contagem de montanha, nesta fase da corrida qualquer topo feito a fundo deixa metade do pelotão em dificuldades. A contagem de montanha de 3ª categoria com 2,5 kms a 5,6% que está a 28 kms do final da tirada pode muito bem ajudar a ditar o vencedor, na verdade os corredores sobem durante praticamente 5 quilómetros. A partir daí é quase sempre a descer, não há grande território para perseguir, há 2 pequenos topos dentro dos 10 kms finais e o último quilómetro também empina ligeiramente.
Tácticas
Penso que este traçado e depois do que aconteceu hoje, parece-me lógico que amanhã seja dia para a fuga novamente. Ora vejamos, a orografia é mais complicada do que hoje, quase 2000 metros de acumulado e bem mais difícil de controlar por todo o sobe e desce envolvido. Muitas das equipas que poderiam estar interessadas em perseguir tiveram hoje um desgaste extra tremenda e para nada, isso psicologicamente também diz que amanhã metade do pelotão claramente vai querer estar na frente. Já há muitas formações dos sprinters altamente debilitadas e imensos ciclistas de média montanha sabem que amanhã é na realidade a última chance neste Tour, portanto vai haver uma luta enorme nos primeiros quilómetros.
Se ninguém dos 11 primeiros fizer questão de ir para a frente então aí a fuga tem tudo para ganhar 10/15 minutos e ir até ao fim sem grande problema. Creio que neste caso devemos olhar a alguns sprinters e a muitos roladores/classicómanos que tenham mostrado alguns laivos de boa forma durante as etapas de montanha. Também acho que numa escapada destas é muito importante ter mais 1/2 colegas na frente devido a todos os jogos tácticos que acontecem neste tipo de etapas.
Favoritos
Jasper Stuyven – Confesso que quando vi o belga a andar acima do esperado em algumas etapas de montanha anotei logo o nome dele para esta jornada e hoje até teve um dia tranquilo, apenas lançou Mads Pedersen no final. Na etapa 10 Stuyven liderou o grupo de 50 que chegou depois da fuga e na etapa 15 aguentou-se muito bem, para além de ter sido 41º no contra-relógio, que tinha muita montanha. Acho que o percurso é perfeito para ele, acho que todos os olhos vão estar em Mads Pedersen e ele está a andar muito bem.
Remi Cavagna – A pressão está oficialmente fora da Soudal-Quick Step depois do triunfo de hoje e o francês que teve um dia bem tranquilo esteve a guardar-se precisamente para amanhã. É daqueles corredores aos quais não se pode dar um metro e creio que está a recuperar muito bem, fiquei impressionado pelo 6º lugar que fez no contra-relógio.
Outsiders
Matis Louvel – É a minha escolha do “coração” para amanhã. É alguém que ainda não apareceu verdadeiramente neste Tour, mas que tem um talento enorme para as clássicas, é um corredor muito poderoso que ainda não gastou balas apesar de boas exibições ocasionais. Tem uma ponta final subvalorizado e alguns adversários podem levá-lo na roda sem saber disso.
Christophe Laporte – Já brilhou noutras etapas com esta orografia e deve ter liberdade total na Jumbo-Visma, já no ano passado o teve. É alguém que recupera bem dos esforços, rola bem e sprinta muito bem, vamos ver que impacto o desgaste do trabalho de gregário teve na capacidade explosiva dele.
Nils Eekhoff – Quase todos os fãs de ciclismo estão à espera da grande explosão e revelação do holandês que foi campeão do Mundo de sub-23 e depois foi relegado. Tem aparecido a espaços e já mostrou que estes percursos rolantes e com colinas são a sua praia, a DSM está à procura de salvar o Tour, tem aqui uma boa chance na lotaria da fuga.
Possíveis surpresas
Magnus Cort – Raramente passa por uma Grande Volta completamente despercebido, se não aparecer amanhã quase de certeza não será em Paris. O que me chamou mais à atenção é que na parte final desligou-se por completo e perdeu tempo.
Dylan van Baarle – Um dos melhores gregários deste Tour e quase ninguém fala dele. Ainda não teve uma oportunidade de glória pessoal, o Tour está quase ganho e amanhã pode ser o dia, é um rolador exímio.
Mads Pedersen – É inacreditável como está a andar tão bem depois de um Tour desta dureza e principalmente depois de completar um Giro daqueles. No plano, na montanha, está complicado de parar Pedersen, o problema é que amanhã todos vão estar de olho nele.
Matej Mohoric – Ainda não convenceu em pleno neste Tour, será que o vai fazer amanhã? Este traçado é muito bom para ele, sobe e desce constante, difícil para fazer perseguições a quem ataca cedo, deve ser esse o plano do esloveno.
Stefan Kung – Não parece a 100%, mas numa etapa destas seria quase um crime não o referir.
Danny van Poppel – Daqueles ciclistas que aparentemente ainda não teve um grande desgaste extra, não se envolveu em fugas, em perseguições, só lançou Jordi Meeus e amanhã a glória pode estar próxima, é um corredor explosivo em colinas e com experiência nestas situações.
Simon Clarke – Um corredor muito experiente e que ainda não se viu neste Tour. Hoje na parte final perdeu tempo e desligou-se, certamente não foi por incapacidade física porque a Israel não perseguiu, cuidado com ele amanhã.
Rasmus Tiller – Tem aproveitado da melhor maneira as chances que lhe são dadas, amanhã é mais uma. Um norueguês que é inteligente a correr e super-poderoso, pode ainda ter energia no tanque.
Mathieu van der Poel – Já ajudou e muito Jasper Philipsen, tem tido altos e baixos neste Tour, nos dias melhores para ele passou mal e as caras que estava a fazer hoje não auguram nada de bom. Ainda assim, é um grande campeão e deve tentar.
Alex Aranburu – Realisticamente é a melhor oportunidade da Movistar até Paris, a formação espanhola já está sem grandes trepadores e não sendo um grande sprinter, Aranburu é muito perigoso em grupos reduzidos.
Rui Costa e Nelson Oliveira – Pouparam energias hoje, amanhã têm tudo para conseguir estar na fuga, para qualquer um deles ganhar tem de encontrar o grupo certo de 2/3 elementos dentro da fuga.
Super-Jokers
Os nossos Super-Jokers são: Nikias Arndt e Frederik Frison