Venha o Giro d’Itália! Será na Hungria que tudo começará e o primeiro dia é tudo menos fácil, com um final inclinado, onde os puncheurs vão lutar pela primeira maglia rosa.

 

Percurso

Grande Partenza deste ano dá-se na Hungria, mais concretamente na capital Budapeste. Ao contrário do que é habitual, o Giro não começa com um contra-relógio mas sim com uma etapa em lintaha que termina, 195,5 quilómetros depois, em Visegrád.



O dia é relativamente fácil, os primeiros 190 quilómetros são praticamente planos, tudo se vai decidir na subida final de 5500 metros a 4,2%. As rampas iniciais são as mais fáceis, a 1500 metros do fim surge a maior dureza com 1 quilómetro a 6,5%, antes dos 500 metros finais a 5,1%.

 

Tácticas

Vai ser um dia muito nervoso, como é habitual no início das Grandes Voltas. Sem grandes dificuldades até à subida final vai chegar um grande pelotão aos 5 kms finais, e essa luta pelo posicionamento vai ser muito perigosa. Muitos chegam com o pensamento da camisola rosa, até os contra-relogistas não vão querer perder tempo por causa da 2ª etapa.

Em declarações antes da prova Mathieu van der Poel disse muito bem ao que vinha e que a estratégia passa por deixar os sprinters para trás. Quando o holandês se refere aos sprinters cremos que o foco é deixar Caleb Ewan em dificuldades, mas o australiano já provou que com a preparação e colocação certa pode fazer estragos. Um grande problema que se coloca aqui é a força colectiva da Alpecin-Fenix, não estamos a ver ninguém excepto Oldani que nos 2 kms finais esteja lá para fechar os espaços e perseguir ataques, vai ter de ser Van der Poel. Se for um sprint não estamos a ver muitos possíveis vencedores para além dos 2 nomes já referidos, mas devido à falta de força colectiva do bloco que mais tem responsabilidade de perseguir pode muito bem surgir um ataque de alguém que não seja visto como uma ameaça para a geral e que surpreenda tudo e todos.

 

Favoritos

O maior favorito de todos tem de ser Mathieu van der Poel, é para isso que tem vindo a trabalhar nas últimas semanas e a sua ambição é pública. O holandês é muito mais forte num sprint em subida do que num sprint em terreno plano, a questão é que ter o foco nele pode levar a uma marcação cerrada e a que toda a gente espere que ele feche espaços. E van der Poel já mostrou este ano que não está para isso, está muito mais frio a correr, precisa de um ritmo elevado para sufocar os sprinters, mas não demasiado elevado.



Consideramos que estes 5,5 kms a 4,2% estão mesmo no limite para Caleb Ewan. O australiano evoluiu muito nestes finais nos últimos anos e viu-se bem o que fez no Poggio em 2021, foi absolutamente surreal. Muitos consideram que é duro demais para ele, mas ainda na Volta a Turquia ganhou depois de 1,6 kms a 5,6% e o Poggio são 4 kms a 3,7%, onde acompanhou os melhores trepadores do Mundo. No Giro em 2019 foi 2º num final bastante duro em Frascati depois de uma etapa com mais de 200 kms e 3000 metros de acumulado, esta jornada acessível amanhã vai ajudá-lo a chegar fresco ao final. Precisa de entrar na subida nos primeiros lugares.

 

Outsiders

No seu pico, este final era absolutamente incrível para Diego Ulissi e é preciso ver que o italiano de 32 anos ainda tem alguma explosão e deve ter liberdade para ir sprintar. Está em boa forma, disputou um final de etapa na Volta ao País Basco e fechou top 30 nas clássicas das Ardenas, sendo que este deve ser um dos grandes objectivos do ano. É daqueles que pode passar entre os pingos da chuva e fazer estragos na roda certa.

Nas casas das apostas Biniyam Ghirmay é um dos favoritos, mas nós não o colocamos tão em cima neste ranking de candidatos. Ainda não sabemos bem ao certo os limites do eritreu, mas até agora pareceu alguém relativamente frágil nos esforços a subir acima de 5 minutos, por isso achamos que esta subida é muito no limite para ele, que prefere aquelas colinas mais inclinadas e explosivas. Caso sobreviva tem um bom sprint a subir e seria incrível vê-lo a fazer história. A sua condição física também é uma grande incógnita, esteve um bom tempo na Eritreia depois das clássicas e não esteve incrível em Frankfurt.



Com as atenções dos rivais mais em Pello Bilbao podem surgir oportunidades dentro da Bahrain-Victorious e este tipo de final é muito bom para o explosivo Santiago Buitrago, um colombiano que não tem dado muito nas vistas, mas que não tem medo de atacar, consegue aguentar estas subidas e pode ter liberdade para ganhar alguns metros e não mais ser visto. Vemos este cenário a acontecer.

 

Possíveis surpresas

Dentro do leque de sprinters aqui presentes será muito duro para eles, Fernando Gaviria e Arnaud Demare até podem sobreviver ao ritmo, mas ter forças para sprintar depois é outra conversa, enquanto parece-nos impossível para Nizzolo, Cavendish e Bauhaus. Entre os ciclistas da geral é possível que haja algumas mexidas para testar as águas e desses ciclistas os mais plausíveis de mexer serão Richard Carapaz e João Almeida, o problema é que vão ser muito marcados pelos rivais. Há alguns puncheurs italianos que certamente querem e vão fazer um bom resultados aqui, nomes como Vincenzo Albanese e Andrea Vendrame têm o perfil indicado, o problema é que são menos explosivos que Ewan e Van der Poel e não vão querer arriscar e atacar de longe, são fortes candidatos ao top 5. Attila Valter tem a grande motivação de estar a correr em casa, vamos ver se isso dá asas ao húngaro, que até é um ciclista explosivo. Magnus Cort é um grande perigo neste tipo de finais, um corredor capaz de alcançar vitórias quando menos se espera, com os puros sprinters sufocados pode muito bem aproveitar para surpreender. Um Alejandro Valverde em grande forma será sempre um candidato aqui, o veterano espanhol perdeu uns pontinhos face à concorrência em termos de explosão e isso pode custar caro. Pello Bilbao e Simon Yates são relativamente explosivos, o problema é que não terão liberdade para sair. Depois vemos alguns nomes mais alternativos, daqueles que podem ganhar num ataque mais longe da meta, tal como Buitrago e nesse cenário elegemos Giulio Ciccone, Rein Taaramae, Mauro Schmid e Alessandro Covi.

 

Super-Jokers

Os nossos Super-Jokers são Jhonatan Narvaez e Natnael Tesfatsion.



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