Está na hora da última etapa de montanha! Jonas Vingegaard pode estar confortável na liderança, no entanto ainda há lugares no top-10 e uma classificação da montanha por decidir.

Percurso

Último dia de montanha do Tour, apenas 133,5 quilómetros mas com muita montanha para os últimos ajustes na classificação geral. Os ciclistas saem de Belfort e pouco depois começam logo a subir o Ballon d’Alsace (11,5 kms a 5,3%). Será o primeiro grande teste para o pelotão e depois de uma descida e de um falso plano aparece uma zona complicada do percurso com 3 subidas categorizadas em 30 quilómetros: Col de la Croix de Moinats (5,2 kms a 7%), Col de Grosse Pierre (3,2 kms a 7,9%) e Col de la Schlucht (4,2 kms a 5%).



Restam apenas 54,5 quilómetros no topo da última subida referida mas as grandes dificuldades ainda estão pelo caminho. Rapidamente os ciclistas chegam ao sopé do Petit Ballon (9,3 kms a 8,1%, com os primeiros 5,5 kms a 8,7%), uma subida que deverá fazer estragos. Como quem sobe também desce, logo depois estão no início da subida final, isto à falta de 15 quilómetros. Falamos do Col du Platzerwasel (7,1 kms a 8,3%), uma escalada muito complicada e que engana já que tem quilómetros a 5% e outros acima dos 10%. No topo restam apenas 8500 metros. Os ciclistas ainda continuam a subir, apanham 900 metros a 7,4% antes do terreno se tornar praticamente plano em direção ao final em Le Markstein.

 

Táticas

Dia do tudo ou nada para grande parte do pelotão! Se os classicómanos e não trepadores tiveram a sua última oportunidade hoje, os trepadores têm a última chance de brilhar amanhã. Apesar das grandes diferenças nas classificação geral, ajustes finais ainda são possíveis, muito está em jogo, há uma vitória em etapa em disputa e uma classificação da montanha ainda em aberto. Desta forma, esperamos uma etapa muito animada, atacada desde o início, com a fuga a poder formar-se no Ballon d’Alsace, onde a corrida deve explodir.

A Lidl-Trek deve ser das equipas mais interventivas, Giulio Ciccone tem que estar na frente, Mattias Skjelmose e Juan Pedro Lopez seriam importantes no seu auxílio para evitar tanto desgaste para o seu líder. Felix Gall também luta pela montanha, mas a presença no top 10 pode impedir que esteja na frente, já que quando a fuga começar a ganhar tempo irá ver outras equipas a perseguir para manter os seus lugares, terá que estar na frente à base da força. Muitas equipas ainda não venceram, sabem, também, que esta é a última oportunidade para procurarem o triunfo, casos da Groupama-FDJ, BORA-hansgrohe, Intermarché-Circus, Movistar, Arkea-Samsic, Lotto-Dstny, Astana e Uno-X.



Relativamente à luta pela etapa, não vemos os homens da classificação geral a lutar pela etapa, a intenção da Jumbo-Visma será controlar a etapa a seu belo prazer. A única equipa capaz de pegar na corrida seria a UAE Team Emirates, se Tadej Pogacar estivesse bem, no entanto é sempre um risco, será preferível correr na defensiva.

 

Favoritos

Ben O’Connor teve um papel fundamental no triunfo de Felix Gall, está na hora da glória pessoal. Nota-se que o australiano está a recuperar as boas sensações e tem uma etapa ao seu jeito, com longas subidas onde pode atacar de longe como tanto gosta. Seria, de certa forma, uma maneira de salvar o seu Tour, sabe que, para isso, tem que chegar sozinho. O 3º lugar de hoje, numa etapa não tão complicada mostra que está bem.

Se quer garantir a camisola da montanha, Giulio Ciccone tem que estar na frente. É certo que pode gastar muitas energias para tal, no entanto tem tido sempre muito apoio da sua equipa e, se Gall não estiver na frente, não irá gastar muitas energias nos sprints. Quando está num dia super é um grande trepador e seria bonito carimbar a montanha com um triunfo.

 

Outsiders

Tom Pidcock tem estado mais discreto nos últimos dias, quem sabe resguardando energias para esta etapa. O britânico está a fazer um teste à sua condição ao longo de 3 semanas e nada melhor que uma fuga no último dia de montanha. Preferiria um final em descida, no entanto o plano também não é mau para si. Neste Tour já teve dias em que subiu muito bem, se reencontrar essas pernas muita atenção.

Tem sido um Tour para esquecer para Mikel Landa. Cedo ficou de fora da luta pela geral e nas duas vezes que esteve na fuga do dianão conseguiu estar na luta. O basco é um corredor que adora as terceiras semanas, ainda não tentou nestas, acreditamos a pensar neste dia onde irá tentar de tudo para vencer e salvar o seu Tour.



Tobias Halland Johannessen pode ainda não ter vencido mas tem sido um dos bons destaques. Em estreia nas Grandes Voltas esteve em 3 fugas e foi 3º, 5º e 6º, uma delas já esta semana, mostrando que ainda tem disponibilidade física. Um dos grandes talentos da sua geração, o jovem norueguês vai voltar a tentar, é a melhor hipótese de vitória da Uno-X. As subidas ao seu jeito e o final adapta-se que nem uma luva.

 

Possíveis surpresas

Última oportunidade da carreira para Thibaut Pinot vencer no Tour! Se há ciclista que amanhã vai tentar de tudo para estar na frente é o francês. Perto mas longe ao mesmo tempo do top-10, Pinot terá a liberdade necessária, veremos é se até ao final não irá gastar demasiadas energias. Michael Woods e Dylan Teuns formam um duo muito perigoso dentro da Israel-Premier Tech. O canadiano corre sem pressão, o que até o pode favorecer, numa jornada bastante dura e ao seu jeito. Já o belga tem estado mais despercebido mas por norma aparece sempre no Tour em dias como estes, basta ver as suas vitórias. Dentro das equipas ainda sem triunfos e com ciclistas talhados para este terreno, atenção a Georg Zimmermann, Warren Barguil, Maxim van Gils e Harold Tejada. Todos eles sabem que não tarefa fácil, dificilmente não haverá ciclistas mais fortes que eles na frente, têm que atacar de longe e aproveitar qualquer hesitação. Não seria de estranhar ver a Jumbo-Visma e a UAE Team Emirates colocarem ciclistas na fuga e aí lutar pela vitória. Wilco Kelderman e Rafal Majka são as melhores opções dentro de ambas as equipas. Se virmos Felix Gall na frente, David Gaudu deve fazer o mesmo para proteger o seu 9º lugar e ambos entram para os principais candidatos à vitória. Entre os homens da geral, se Jonas Vingegaard quiser vencer sera muito complicado derrotá-lo depois da forma que demonstrou ao longo da terceira semana. O dinamarquês está muito acima de todos e quando arranca é para fazer diferenças. Seria preciso ver o regresso do melhor Tadej Pogacar e a melhor versão de Adam Yates para alguém derrotar o camisola amarela.

 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Clement Berthet e Chris Harper.




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