Mais uma etapa complicada nesta Vuelta com os sprinters a espreitarem a primeira oportunidade de lutarem pela vitória. Conseguirão aguentar as dificuldades?
Percurso
Será uma jornada interessante, com os sprinters certamente de olho nesta etapa que tem partida precisamente na capital de Andorra. Os primeiros 120 kms são maioritariamente em terreno plano/descida antes de 2 contagens de montanha que podem decidir o desfecho desta tirada. A 54 kms da meta existe o Alto de Belltall (9 kms a 3,7%), é uma subida quase sempre em falso plano, apenas o primeiro quilómetro é acima dos 6%. A ficarem ciclistas para trás creio que seja no Alto de Lilla, com 4,5 kms a 5,5%, se for feito a full gas o pelotão ficará bem mais curto, é uma contagem muito regular, entre os 5% e 6% e está a 31 kms do final. No final da descida vai haver o sprint intermédio, a partir daí é uma aproximação rápida a Tarragona, onde o quilómetro final é em ligeira subida, 2,6%.
Táticas e clima
Finalmente a chuva vai desaparecer do mapa, 30º graus de temperatura, mas desta vez poderá haver outro factor a entrar em jogo, o vento. Os ciclistas deslocam-se quase sempre para Sul e o vento estará maioritariamente de costas/lateral, condições perfeitas para “bordures”. A questão é a intensidade do mesmo, as previsões apontam para 20 km/h, é relativamente pouco, portanto a menos que haja um ritmo alucinante ou uma zona ridiculamente exposta, não se deverá passar nada.
Este é um dia potencialmente muito importante para a classificação por pontos. Ontem já se viu que a Alpecin acredita totalmente em Kaden Groves, até em Montjuic apostou tudo, será uma das equipas a controlar a etapa e até deve receber alguma ajuda. No entanto, acho que há equipas que deviam ser ambiciosas e tentar alguma coisa na última subida, nomeadamente a EF Education com Marijn van den Berg, que é alguém que passa bem este tipo de montanhas, de resto não estou a ver muito mais equipas com um sprinter para a classificação por pontos capazes de fazer isso, talvez apenas a Cofidis de Bryan Coquard. Porque é que esta etapa é tão importante para essa classificação e uma oportunidade tão grande? Porque um sprinter que esteja na frente sem grandes rivais pode eventualmente ganhar a etapa e passar na frente do sprint intermédio, que está depois da última subida e dá 20 pontos ao vencedor.
Isto é o que eu acho que devia acontecer, no entanto creio que vai dar um sprint quase com todos, mesmo que Groves ou até Dainese passem pior há ainda espaço para recolar. Não esquecer que o final é em subida e nem todos os homens rápidos têm a mesma aptidão para este tipo de finais.
Favoritos
Kaden Groves – Impressionou-me não só a forma como passou Montjuic, mas como ainda teve capacidade para posteriormente ganhar o sprint pelo segundo lugar, é sinónimo de boa forma e é alguém que não se importa de fazer um final destes em subida.
Marijn van den Berg – Quanto mais elevado for o ritmo ao longo do dia nas subidas melhor para o holandês, que ontem foi dos que melhor respondeu ao ataque de Andreas Kron. Ainda recentemente na Polónia triunfou num sprint similar contra oponentes fortes e um grupo bem pequeno.
Outsiders
Bryan Coquard – É um corredor exímio nestes finais, será desta que finalmente soma um triunfo em Grandes Voltas? A Cofidis não vem com uma equipa propriamente para o apoiar, é mais para procurar etapas da montanha, o francês vai ter de escolher a roda certa.
Andrea Bagioli – Alguém que, a par de Van den Berg, beneficiaria de uma corrida altamente atacada, pelo italiano restariam 60/70 ciclistas no final. É um excelente puncheur, muito explosivo, e ainda algo desvalorizado neste tipo de chegadas.
Milan Menten – A Lotto já tem esta Vuelta virtualmente ganha, os ciclistas estão a correr sem qualquer pressão ou responsabilidade após o triunfo de Andreas Kron, o belga adapta-se bem a este tipo de chegadas e tem a vantagem de ter o apoio total da equipa amanhã.
Possíveis surpresas
Alberto Dainese – Estas chegadas com alguma inclinação, na minha opinião, não são propriamente a praia do italiano. Para além disso está a correr sem motivação extra porque já sabe que vai sair e a DSM está reduzida a 7 e com uma equipa mais focada na montanha.
Hugo Page – Ganhou recentemente no Tour du Limousin, numa chegada até semelhante a esta, num grupo de 50 unidades. De uma forma mais impressionante, na abertura dessa corrida integrou um grupo de 25 ciclistas que disputaram o 6º lugar numa chegada, candidato a pódio.
Primoz Roglic – Em circunstâncias normais seria o corredor da geral que melhor se adapta a este tipo de finais, com a colocação certa pode inclusivamente ganhar até porque pretende as bonificações.
Andrea Vendrame – Actualmente é o líder da classificação por pontos e é alguém que sobe bem, eventualmente a Ag2r poderá tentar livrar-se de alguns sprinters na última contagem de montanha. Não o vejo a ganhar, mas o top 5 é provável, é muito consistente.
Matevz Govekar – Corredor interessante que começou a aparecer no ano passado, é muito possante, mas também parece muito explosivo neste tipo de inclinações.
Fernando Barceló – Creio que será a principal aposta da Caja Rural nestas chegadas sem uma enorme inclinação, já em Barcelona esteve bem na frente.
Juan Sebastian Molano – Vem de lesão, mas em Burgos já ganhou 1 etapa, apesar de ter sido um sprint contra uma concorrência que nesse campo era muito fraca para a prova em questão. O foco da equipa está em Ayuso e Almeida, mas creio que terá carta branca amanhã.
Lewis Askey – Amanhã poderá não ser para Romain Gregoire, o francês terá outras chances. O britânico sprintou para top 10 na Polónia numa chegada parecida e para um pódio em Limousin.
Felix Engelhardt – Muito, muito cuidado com este alemão, esta costuma ser a Grande Volta onde os jovens talentos despontam. Fez um Julho incrível nas corridas do calendário europeu, tem uma boa ponta final em plano, ainda não mostrou isso ao mais alto nível em pequenas subidas, pode ser uma agradável surpresa.
Ivan Garcia Cortina – Tanto consegue desempenhos incríveis quando poucos esperam como desilude quando tem o foco das atenções, o possante ciclista espanhol adora as colinas de Flandres e adapta-se a este final.
Super-Jokers
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