A montanha está de volta numa etapa em que os últimos 35 kms são quase sempre em subida. Com muitos ciclistas já longe na geral será esta a primeira real chance para a fuga?
Percurso
Depois de 155 kms relativamente planos começa uma nova fase da subida, apenas 2 subidas categorizadas, mas na verdade os últimos 35 kms são quase sempre em ascensão. Começa com 5800 metros a 5,1%, antes do Col de la Lusette, com 11,8 kms a 7,2%. Esta contagem de 1ª categoria é realmente bastante dura e no seu miolo tem 2 quilómetros a quase 11% de inclinação média. O seu final chega a 14 kms da meta e passado 6 kms começa o Mont Aigoual.
A ascensão final tem 8000 metros a 4% de inclinação média, trata-se de um falso plano que nunca passa dos 5% e que pode provocar hesitação entre quem esteja na frente já que existe bastantes benefícios em ir na roda num terreno assim.
Tácticas
Um dos motivos por que não houve fuga hoje é o facto de etapa de amanhã ser tão propícia a uma escapada, muitos corredores já se pouparam e quiseram guardar cartuchos. Ora vejamos, nenhuma equipa quer propriamente a liderança da corrida, já só temos 35 ciclistas a menos de 5 minutos do líder e a chegada em alto é num terreno que não permite aos favoritos fazer grandes diferenças. A Quick-Step até poderia controlar, mas Julian Alaphilippe perdeu a liderança hoje e nem com a vitória em etapa a poderia recuperar, apenas caso fizesse diferenças na estrada. Sendo assim, parece-nos a tempestade perfeita para uma fuga vingar. Temos de olhar aos ciclistas que já estão relativamente longe e que hoje perderam tempo para pouparem energias.
Favoritos
Jesus Herrada preenche todos os requisitos necessários para estar nesta categoria. Vem para o Tour com o pensamento de vencer etapas, está em grande forma como se viu nos Nacionais de estrada, já ganhou etapas em Grandes Voltas portanto tem pedigree para tal e hoje cedeu cerca de 5 minutos quando estava relativamente perto na geral, precisamente para amanhã poder ter liberdade. O final encaixa-se nas suas características.
A Team Sunweb deu carta branca aos seus ciclistas para irem à procura de etapas e amanhã pode ser o dia de Nicholas Roche tentar depois de ter trabalhado para Marc Hirschi no dia em que o suíço fez 2º. Roche manteve-se activo durante a quarentena e chega aqui em boa forma, é outro corredor com muita experiência.
Outsiders
Ben Hermans é outro corredor que chega ao Tour em boa forma depois do top 10 no Giro di Lombardia e que já perdeu muito tempo. A única hipótese da Israel Start-Up Nation triunfar em etapas é desta forma e como já mostrou no dia em que ganhou Roglic, está disposta a colocar vários homens em fuga.
Simon Geschke também tem aqui uma jornada que lhe assenta bastante bem, com alguma montanha capaz de fazer diferenças entre os homens da fuga no final. O alemão da CCC tem plena liberdade por parte da equipa e tem vindo a poupar-se, tendo perdido já 25 minutos.
Caso haja uma conjugação de factores muito especial e os favoritos discutam esta chegada, é impossível não olharmos para Primoz Roglic como o principal candidato. O sprint do esloveno foi tão dominador que todos os rivais estarão com medo de o levar novamente às bonificações.
Possíveis surpresas
A Astana é daquelas equipas que tem vários ciclistas capazes de ganhar esta etapa, resta saber se terão liberdade para tal, olho em Gorka Izagirre e Luis Leon Sanchez. A CCC também tem algumas opções mais, Alessandro de Marchi é um ciclista do qual já falámos várias vezes e não seria uma surpresa completa ver Greg van Avermaet na fuga e possivelmente a ganhar. O belga está a 3:17 da liderança e para as equipas da geral era perfeitamente se ele ficasse com a amarela. Cuidado com Soren Kragh Andersen que tem melhorado imenso na montanha, foi 10º no Paris-Nice, a Direct Energie deve lançar-se ao ataque com Lilian Calmejane e Romain Sicard, enquanto é possível que sem a liderança a Quick-Step dê liberdade a Kasper Asgreen e Remi Cavagna. Olho ainda em Matej Mohoric e Lennard Kamna.
Super-Jokers
Os nossos Super-Jokers são Sergio Higuita e Nicolas Edet.