O empedrado está de volta! A antecipar um fim-de-semana recheado de ciclismo, é tempo para o último grande teste antes do Tour de Flandres, com mais um duelo Mathieu van der Poel vs Wout van Aert em perspetiva.

 

Percurso

No menu estão 16 subidas e 10 sectores de empedrado, uma mistura atractiva numa clássica com cerca de 200 kms. Como já é habitual podemos dividir as dificuldades em fases, principalmente tendo em conta que os 3 primeiros sectores de empedrado e as 4 primeiras subidas não terão grande influência.



Entre 110 e 80 kms para o fim, será feito aqui algum endurecimento da corrida, a fuga deve começar a perder unidades e pode haver algumas figuras secundárias a atacar no pelotão: La Houppe (2,5 kms a 3.5%), Kanarieberg (1km a 8%), Oude Kruisberg (500 metros a 5.8% e em paralelo), Knokteberg (1,1 kms a 8,3%), Kortekeer (1 km a 6,5%) e a subida em paralelo do Taaierberg (800 metros a 6%).

Entre 75 e 55 kms para o fim surge a segunda fase, local onde os ataques no pelotão vão começar a sério, vai começar a jogar-se tacticamente a corrida, algumas equipas que falhem os principais movimentos serão obrigadas a perseguir e isso pode custar caro: Berg Ten Stene (1,3 kms a 5%), Boigneberg (1,2 kms a 5%), Eikenberg (1,2 km a 5% e em paralelo), Stationsberg (1,5 kms a 5%), Mariaborrestraat (2000 metros em plano mas em empedrado) e o Kapelleberg (700 metros a 5%).

Logo a seguir surge a combinação decisiva, aquela que já fez muitas vezes as diferenças finais nesta e noutras corridas nesta zona. As subidas sucedem-se muito rapidamente, o que também é um fator a ter em consideração. Paterberg (400 metros a 10,6%) e Oude Kwaremont (2,2 kms a 4,3%, subida em paralelo) só por si já é uma combinação dura, sendo que após ainda surge o Karnemelkbeekstraat (1 km a 7%).



A 23 kms da meta ainda há o paralelo no Varenstraat, num total de 2000 metros e o Tiegemberg (1 km a 4.1%). A partir daí não há mais dificuldades e só o jogo tático poderá decidir a corrida, se tal ainda não tiver acontecido.

 

Tácticas

Este é um ensaio muito importante para o Tour des Flandres, agora que estamos a cerca de 1 semana do 2º Monumento do ano. Voltamos a ter Mathieu van der Poel e Wout van Aert em prova e é quase certo que a corrida vai gravitar à volta deles, resta saber de que forma. Ou seja, ou vão ganhar ou quase decidir quem ganha. Já vimos que neste tipo de corridas do World Tour, mas que não são grandes objectivos, Van der Poel é capaz de atacar de longe, com um Van Aert mais na expectativa. Se não tiverem capacidade física e de coordenação para afastar a concorrência isso pode resultar num bloqueio táctico

Este vai ser um teste importante também para ver como alguns blocos poderosos, nomeadamente os da Trek-Segafredo e da Quick Step lidam com a ameaça dos monstros do ciclo crosse, será que jogam na antecipação ou aguardam para ver se têm a superioridade numérica após a principal seleção? Num sprint contra Van Aert e Van der Poel talvez só Mads Pedersen e Davide Ballerini tenham hipóteses.

 

Favoritos

Mathieu van der Poel não teve uma Milano-SanRemo nada feliz, é uma corrida onde é preciso estar no sítio certo à hora certa e o holandês claramente falhou nisso. É provável que mexa na corrida nas subidas decisivas, estes esforços explosivos são muito melhores para ele do que o Poggio. Quem for com ele pode ter uma boleia para um grande resultado.



Thomas Pidcock surpreendeu na Milano-Sanremo ao estar na frente, tendo em conta a extensão da prova e a sua juventude e inexperiência. Aqui tem uma corrida muito melhor para as suas características tendo as conta as subidas. Perde no confronto directo com muitos dos sprinters, terá de fazer algo quanto a isso.

 

Outsiders

É indubitável que Wout van Aert está em grande forma, mas nesta corrida raramente o ciclista mais marcado ganha. Vamos ver até que ponto o trabalho que o belga fez a melhorar na alta montanha não afectou a sua capacidade de explosão nestas colinas curtas. Todos sabem que Van Aert neste momento é um dos 5 melhores sprinters do Mundo, não o podem levar para a linha de meta.

Kasper Asgreen está numa condição física excelente e pode surpreender aqui. Quanto mais dura e mais longa a prova melhor para o dinamarquês, que possui um grande motor. Será utilizado de uma forma mais ofensiva, Senechal e Ballerini devem ser resguardados para um possivel sprint em grupo reduzido.



A Trek-Segafredo é uma das equipas do momento e pode chegar o momento de Mads Pedersen, depois do sucesso de Jasper Stuyven. O dinamarquês é um ciclista de grandes momentos e adora condições agrestes. Num sprint é um verdadeiro perigo, quantos mais kms melhor para a sua capacidade de sprintar.

 

Possíveis surpresas

Soren Kragh Andersen é um ciclista de grandes momentos. Tem vindo em crescendo e a forma apresentada na Milano-Sanremo só lhe pode dar confiança. O dinamarquês não tem medo de atacar e em grupos restritos é rápido. Jasper Stuyven pode continuar com a sua semana de sonho amanhã. O belga tem muita experiência neste tipo de provas e raramente espera pelo risco de meta apesar da sua boa ponta final. Florian Senechal, Zdenek Stybar, Davide Ballerini e Yves Lampaert são sérias alternativas na Deceuninck-QuickStep, todos com uma boa ponta final e, em vantagem numérica, pode fazer valer isso para, também, atacarem à vez. O duo da AG2R Citroen Oliver Naesen e Greg van Avermaet tem andado desaparecido mas a qualquer momento pode surgir um bom resultado destes dois grandes especialistas. Matteo Trentin, Michael Matthews e Ivan Garcia Cortina podem guardar-se mais para o sprint, apesar de não serem corredores de ficarem quietos, ao passo que Stefan Kung, Nils Politt e Sep Vanmarcke terão que atacar se quiserem ganhar. Todos eles têm apresentado boa forma e amanhã é um dia fundamental para as suas aspirações futuras. Atenção a Anthony Turgis e Arjen Lyvins nas ProTeams.



 

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Tiesj Benoot e Sonny Colbrelli.

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