O último Monumento da temporada! Está na hora da última grande batalha entre os grandes ciclistas do pelotão internacional. Quem será o mais forte?
Percurso
A RCS Sport mantém a tradição e volta a trocar partida e chegada. Il Lombardia parte de Bergamo para terminar em Como, um dia com 253,4 quilómetros e mais de 4800 metros de desnível acumulado positivo.
Os primeiros 120 quilómetros são bastante complicados e marcam a primeira fase dura da prova. Os ciclistas começam logo com Forcellino Di Bianzano (6,3 kms a 5%), seguindo-se Passo di Ganda (9,3 kms a 7,1%), Dossena (5,5 kms a 4,9%), Olda (8,8 kms a 4,5%), Forcella di Bura 18,8 kms a 2,5% mas com uma descida pelo meio) e Colle di Berbenno (4,4 kms a 6,3%).
Esta é uma fase muito dura da corrida que leva os ciclistas a 70 quilómetros mais acessíveis antes da entrada na sempre temível Madonna del Ghisallo (8,7 kms a 5,4% mas com rampas a 14%). Sem o Muro di Sormano devido a questões de segurança, os ciclistas pedalam rapidamente para os derradeiros 30 quilómetros, onde ainda terão 3 subidas pela frente.
A subida a San Fermo della Battaglia (2,8 kms a 6,7%) antecede uma primeira passagem pela meta e a entrada num pequeno circuito. Civiglio (4 kms a 10%) promete fazer diferenças, termina a somente 16 quilómetros do fim e, logo de seguida, surge nova passagem por San Fermo della Battaglia. O seu fim é a apenas 5000 metros do fim, restando 3500 metros de descida e 1500 metros planos.
Táticas
As clássicas italianas têm sido animadas e esperamos mais do mesmo amanhã. UAE Team Emirates (Tadej Pogacar, Davide Formolo, Diego Ulissi, João Almeida, Rafal Majka, Marc Hirschi e Jan Polanc) tem o bloco, de longe, o bloco mais forte mas sabe que tem na Movistar um osso duro de roer, devido às suas duas opções em Enric Mas e Alejandro Valverde. A primeira parte da corrida deverá ser feita de forma a endurecer bastante a corrida, não nos admirávamos de ver várias equipas a tentar meter ciclistas em fuga, para os usar mais tarde.
Sem o Muro di Sormano logo a seguir a Madonna del Ghisallo, será difícil ver movimentações a 65 quilómetros do fim, algo bastante comum em anos anteriores. Desta forma, a ação poderá estar toda guardada para o circuito final, principalmente para a subida de Civiglio, onde os puros trepadores têm que fazer diferenças se querem evitar chegar num pequeno grupo.
Favoritos
Tadej Pogacar mostrou sinais de humano ao ceder no Giro dell’Emilia mas mesmo assim ainda foi 2º. Venceu, dias depois, Tre Valli Varesine mostrando que está pronto para revalidar o título. Em teoria, esta foi uma preparação mais bem conseguida que em 2021, o que deixa o esloveno motivado. Sabe que tem que endurecer a corrida, é dos mais fortes e sabe que consegue derrotar todos num sprint. O problema poderá ser a Movistar, se estiver num grupo com Mas e Valverde, estes vão obrigá-lo a trabalhar. Se chegar com apenas um deles, o triunfo será seu.
Quem conseguiu derrotar Pogacar em San Luca foi Enric Mas. O espanhol saiu da Vuelta a voar, está na forma da sua vida, tem que aproveitar agora se quer ganhar um Monumento. Tentará de tudo em Civiglio para deixar os seus rivais para trás, é lá que tem que fazer diferenças, tal como aconteceu no Giro dell’Emilia. Para vencer tem que chegar isolado.
Outsiders
A olhar atentamente para o duelo acima estará Alejandro Valverde. É incrível como o espanhol vai para a última prova da sua carreira e tem hipóteses de a ganhar, ainda para mais um Monumento! As suas chances dependem de conseguir acompanhar Pogacar e Mas e, tal como já referimos, colocar Mas ao ataque e obrigar o esloveno a responder, deixar Valverde tranquilo nas suas rodas. Num sprint direto não será fácil superar Pogacar, mas com este mais cansado é possível.
Domenico Pozzovivo é outro veterano que está a terminar a temporada em grande, o transalpino fez top-10 em todas as clássicas. Vencer é outro cenário mas todos sabemos que, por vezes, os principais favoritos começam a entreolhar-se e isso leva a surpresas. É aqui que entra o ciclista da Intermarché-Wanty, um corredor que não tem medo de atacar.
Com uma preparação completamente diferente temos Jonas Vingegaard. O dinamarquês saiu de cena depois de vencer o Tour e volta na Croácia, onde venceu duas etapas. Para trás, esteve em estágio em altitude, pelo que a Lombardia é um objetivo sério. Numa corrida tão longa poderá acusar alguma falta de ritmo, mas se há ciclista capaz de derrotar Pogacar e Mas é Vingegaard.
Possíveis surpresas
Fez bem a Rigoberto Uran vencer na Vuelta. Parece de volta aos bons momentos e as recentes clássicas comprovam isso. Tem um bom historial aqui, conhece muito bem estas estradas e, sem a pressão dos pontos, poderá libertar-se para um bom resultado. Pódio em 2021, Adam Yates é capaz do melhor e do pior, basta ver os seus últimos resultados. Num dia bom é possível acompanhar os melhores, derrotá-los não será fácil, precisa de jogar bem taticamente. Aleksandr Vlasov também entra neste patamar, já apresentou as duas facetas neste final de temporada, veremos qual apresenta amanhã, ele que é um ciclista muito ofensivo. Já o seu companheiro de equipa Sergio Higuita encaixa que nem uma luva neste traçado, boa ponta final, dificuldades não muito longas e explosivas, tudo depende de como o pequeno colombiano se apresentar. Matej Mohoric correr por fora, sabe que não é um trepador e, para tal, terá que antecipar os ataques, aproveitando, e muito as descidas! Vem em boa forma, venceu na Croácia. Como estará Julian Alaphilippe? Em condições normais esta é uma prova dura para o francês, a forma também não está a 100% mas LouLou é um corredor capaz de surpreender quando menos se espera. Vincenzo Nibali vai querer deixar tudo na estrada na sua última prova, já aqui venceu por várias ocasiões, sabe onde e como tem de atacar. Romain Bardet, Warren Barguil, Rudy Molard e Valentin Madouas são 4 franceses que podem dar nas vistas, gostam deste tipo de prova. Por fim, olho em Mikel Landa, Lorenzo Fortunato e Davide Formolo.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Andrea Piccolo e Pierre Latour.