O ciclismo em Espanha não para e agora é tempo para se correr no sul do país. Uma competição muito dura, onde os trepadores serão os grandes animadores.
Percurso
Montanha logo a abrir! A “Ruta del Sol” abre com 173,8 quilómetros montanhosos que o mais duro a estar guardado para o final. O Puerto de las Palomas (12,4 kms a 6,5%) marcam o final de etapa, com o cume desta montanha a estar a 7 quilómetros da chegada. Após uma longa descida, os derradeiros mil metros são a 7,9%.
A mais longa das 5 etapas surge ao 2º dia, com praticamente 200 quilómetros. Mais uma subida perto da meta, desta vez o Puerto de la Parrilla (8,8 kms a 3,6%) que é menos duro que a subida do dia anterior. Já o final é em tudo semelhante com os últimos 1300 metros a serem a 7,2%.
Ubeda recebe o final da 3ª etapa mas para trás ficam 176,9 quilómetros com 5 subidas categorizadas e muitas mais não categorizadas. Uma delas fica a menos de 3000 quilómetros do fim, com 1.3 kms a 8,7%.
A última etapa em linha é, também, a mais curta. Apenas 125 quilómetros mas também eles muito duros, com o Alto del Purche a ser o prato principal do dia. São 9 quilómetros a 7,5%, mas que incluiu rampas a mais de 10%, com o último quilómetro a rondar os 9,5%, depois de uma pequena descida. O topo fica a 17,7 kms, seguindo-se uma descida de 7 quilómetros e 10 quilómetros planos até Granada.
Quando se poderia pensar que os contra-relogistas teriam uma oportunidade no último dia, enganem-se! 13 quilómetros em torno de Mijas com 3 curtas mas duras subidas (500 metros a 9,6%, 900 metros a 7% e 8 metros a 6,1%), para além de um pequeno troço em sterrato. Um dia bastante duro.
Favoritos
Uma competição tão dura como esta só pode ser ganha por um ciclista muito completo. Tem que subir bem, ter uma boa ponta final e defender-se no contra-relógio. Ao mesmo tempo, há duas equipas que se destacam. Astana e Bahrain-McLaren trazem diversas opções e devem ser as principais animadoras da corrida.
Jakob Fuglsang costuma começar as temporadas em grande e quererá fazê-lo novamente. O dinamarquês é o campeão em título. Apesar de não existir uma verdadeira chegada em alto, Fuglsang está cada vez melhor nas subidas mais curtas e explosivos e, para além disso, defende-se como poucos no contra-relógio.
O seu grande rival deverá ser o seu colega de equipa Ion Izagirre. Este tipo de provas são a praia do basco, que se defende muito bem nas montanhas, desce muito bem (podendo fazer recuperações) e o contra-relógio é uma arma muito forte. No ano passado foi 2º, precisamente atrás de Fuglsang.
Outsiders
Jack Haig esteve a um grande nível na recente Volta a Comunidad Valenciana, terminando em 2º frente a forte concorrência. O australiano está a evoluir a olhos vistos e estas oportunidades de liderar a Mitchelton-Scott são ouro. Deverá ser dos melhores na montanha, onde terá que ganhar algum tempo, já que o contra-relógio não é a sua “especialidade”, pois aí deve perder algum tempo. Tudo é possível para o australiano.
A Bahrain-McLaren tem várias cartas no entanto nenhuma é perfeita, só que há um que pode fazer “magia”. Mikel Landa abre 2020 nesta prova, depois de ter tido um pequeno acidente. O basco costuma começar sempre bem, apresentando bons resultados aqui. O seu calcanhar de Aquiles é o esforço individual pelo que para ganhar terá de chegar isolado numa das etapas mais duras, algo que com Landa é possível, já que este não tem medo de atacar.
Marc Soler desiludiu um pouco em Valência após um excelente Challenge Mallorca. Com algum tempo de descanso, o espanhol deverá ser o líder da Movistar, já que Enric Mas esteve doente nos últimos dias. A montanha não deverá ser um problema, veremos o contra-relógio onde, por vezes, Soler consegue realizar excelentes exibições.
Possíveis surpresas
Aleksandr Vlasov vem de fazer 2º no Tour de la Provence e é mais uma carta na Astana. Deverá ser o primeiro sacrificado, mas com o jogo tático poderá ter a sorte do seu lado. Pello Bilbao e Dylan Teuns não são puros trepadores e algumas das subidas podem ser duras demais para os ciclistas da Bahrain-McLaren. Se se conseguirem defender, são um perigo para os finais de etapa. Brandon McNulty chega de San Juan, onde foi dos melhores a subir e dos que melhor andou no contra-relógio. Ainda em tenra idade, mas com muita qualidade, não podem dar muita liberdade ao norte-americano. Atenção, ainda, a Ruben Fernandez, Sander Armeé e Mikel Nieve.
Super-jokers
Os nossos super-jokers são Jefferson Cepeda e Antwan Tolhoek.