Percurso
Traçado predominantemente plano, 48 quilómetros com partida e chegada a Stirling e que inclui 3 pequenas colinas, nenhuma delas acima dos 5%. Muito se fala da chegada ao castelo, o último quilómetro tem uma média de 5%, mas dificilmente este quilómetro final vai desempatar o que 47 não conseguiram. Ao contrário da prova de estrada este percurso é rolante, tem longas rectas e poucas zonas técnicas em que seja necessário sair dos extensores, só para se ter uma noção nos sub-23 Lorenzo Milesi fez 50,5 km/h, o traçado era praticamente o mesmo, é de esperar que o vencedor aqui talvez ronde os 52 km/h.
Favoritos
Remco Evenepoel – A prova de estrada não lhe correu de feição, em abono da verdade estava longe de ser um percurso para ele, muito explosivo, muito técnico, esteve sempre mal colocado e a precisar de recuperações. Desligou um pouco mais cedo já a pensar nesta prova quando viu que não tinha hipóteses, a condição física que mostrou em San Sebastian continua lá e o traçado é bom para ele, rolante e com algumas pequenas colinas. É preciso pensar que esta é uma prova de 1 dia, Remco é incrível em clássicas e em grandes momentos e vai querer adicionar este título mundial ao currículo, quanto mais tempo passar mais vantagem tem em relação a quem vem desgastado do Tour.
Stefan Kung – Tenho alguns mixed feelings em relação ao “King Kung”. Existe um pouco a ideia que não é ciclista de grandes campeonatos, mas foi 2º nos Europeus e 2º nos Mundiais em 2022, teria conquistado o título não fosse uma exibição de Foss que nunca mais se viu. Acho este traçado muito bom para ele, é um pouco como na Austrália, mas sem ser tão duro, ele adora estas pequenas subidas e descidas e creio que saiu muito bem do Tour, é preciso estar em grande forma para fazer 5º na prova de estrada.
Outsiders
Wout van Aert – Somou mais um 2º lugar há uns dias, não é algo que surpreenda em Wout van Aert, parece sempre faltar aquele pontinho extra para sacar um grande triunfo numa corrida destas. No ano passado não competiu a pensar na prova de estrada, foi 2º em 2020 e em 2021, o factor decisivo face à concorrência pode ser ter o ritmo do Tour sem o desgaste de ter feito as 21 etapas até Paris
Filippo Ganna – Não creio que esteja na sua melhor forma, o que fez no Tour de Wallonie não impressionou assim tanto e esteve também focado na pista, que é um esforço com uma duração completamente diferente. Campeão em 2020 e 2021 pode provar que estamos enganados e dar um barrete a toda a gente, mas em 2022 mostrou algumas fragilidades num percurso minimamente ondulado.
Remi Cavagna – Sim, é um tiro um bocadinho no escuro, essencialmente baseado na sua experiência, na sua qualidade em percursos ondulados e no facto de ainda parecer relativamente fresco depois do Tour, onde impressionou pelo contra-relógio que fez. Não se desgastou em demasia na prova de estrada.
Possíveis surpresas
Tobias Foss – Será que um raio é capaz de cair no mesmo sítio 2 vezes? Duvidamos muito que isso aconteça, o ano que o norueguês teve como campeão mundial foi terrível, em 3 contra-relógios acima dos 15 quilómetros o melhor que conseguiu foi ser 5º na Volta ao Algarve.
Tadej Pogacar – Vai a todos, é surreal. Não é um puro especialista, não é ciclista de grandes campeonatos, ainda assim uma boa possibilidade para o top 10, foi 6º em 2022, 10º em 2021. Acabou a corrida de estrada completamente esgotado, esses watts vão fazer falta aqui.
Geraint Thomas – Um bocadinho na mesma onda de Pogacar, com a vantagem de que teve mais tempo de preparação e está a jogar em casa. A última vez que tentou ir a uma corrida destas foi em 2020, foi 4º, mas entretanto passaram-se 3 anos e já tem 37 anos.
Joshua Tarling – Era a minha alternativa a Cavagna na categoria acima, o jovem de 19 anos é mesmo um fora de série, se veio aqui em vez de ir aos sub-23 é porque fez trabalho específico para esta distância e o que fez no Tour de Wallonie (perder apenas por 7 segundos para Ganna) prova que pode fazer estragos, tenho ainda dúvidas da sua capacidade nesta distância maior.
Andreas Leknessund – O próximo Foss? Gosta destes percursos, teve tempo para preparar este dia, é bastante possante e deu mais um salto em frente este ano em termos de qualidade, outsider ao top 5.
Mikkel Bjerg – Um daqueles ciclistas dos quais nunca sabemos bem o que esperar, o dinamarquês foi campeão mundial sub-23 em 2017, 2018 e 2019, depois foi 17º em 2020 e 2021 e 14º em 2022 entre os elites, claramente a evolução não foi a esperada. No entanto este ano finalmente ganhou no World Tour e logo um contra-relógio de 31 quilómetros no Dauphine, é essa a última referência que existe, o pódio é uma legítima possibilidade.
Mattia Cattaneo – Nem sempre seleccionado para os grandes campeonatos, mas é muito regular ao longo do ano. Foi vice-campeão nacional apenas atrás de Ganna e foi o último vencedor de um contra-relógio no World Tour, o top 10 é bem possível.
Nelson Oliveira – Outro forte candidato ao top 10, é incrivelmente regular neste tipo de competições, 7º em 2014, 13º em 2015, 4º em 2017, 5º em 2018, 8º em 2019, 11º em 2020, 13º em 2021 e 8º em 2022, isto tudo em diversas distâncias e tipologias. Para além disso, parece ter saído em boa forma do Tour.
Stefan Bissegger – O ano não está a correr bem em termos de contra-relógio e não impressionou recentemente, foi mesmo muito fraco na Volta a Polónia, não o vejo a melhorar aqui num traçado ondulado e longo.
Brandon McNulty – Campeão mundial em juniores, 2 pódios em sub-23, nunca conseguiu confirmar isso entre os elites, até porque tentou fazer a transição para melhorar na montanha. Foi campeão nacional por uma larga margem e aqueceu os motores na Volta a Polónia, o top 10 é uma meta realista.
Super-Jokers
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