A preparação para o Giro di Lombardia continua e amanhã é tempo para o tradicional final na Basílica de San Luca. Em 2020, João Almeida foi 2º, conseguirá melhorar o resultado este ano?

 

Percurso

194,5 quilómetros é o menu de amanhã, um dia já bastante tradicional no calendário de clássicas italiano. Começo em Casalecchio di Reno com os primeiros 114 quilómetros a terem alguma dureza mas longe daquilo que o pelotão ainda terá pela frente.



Aí aparece a subida de Medelana (7,8 kms a 6,7%), escalada bastante dura que poderá começar a fazer as primeiras vítimas no pelotão. Seguem-se praticamente 40 quilómetros muito rápidos até à chegada a Bolonha onde os ciclistas terão pela frente um curto circuito a percorrerem por 5 vezes.

Circuito de 9 quilómetros, onde se destaca a subida final para a Basílica de San Luca (2100 metros          a 9,4%). Ultrapassada por 5 vezes em menos de 40 quilómetros, irá fazer moça nas pernas dos corredores que, logo após a passagem pela meta ainda terão uma rampa de 200 metros a 5%, antes de uma rápida descida até nova subida para San Luca.

 

Táticas

Apesar da dureza inicial, esta é uma corrida que se decide no circuito final de Bolonha. Por norma, é na subida final que acontecem os ataques vencedores, no entanto, em anos anteriores, já se viu que na penúltima passagem pela meta se podem fazer movimentações decisivas.



Tudo vai depender da composição do grupo uma vez que há muitas equipas com mais que uma opção, como são os casos da Deceuninck-QuickStep, Groupama-FDJ, INEOS Grenadiers, UAE Team Emirates e Jumbo-Visma. Se algum desses ataques tiver corredores destas equipas, uma fuga pode conseguir triunfar.

 

Favoritos

Primoz Roglic é um dos antigos vencedores presentes. O esloveno ganhou a prova em 2019, depois de também ganhar a Vuelta. Este ano quererá repetir a receita, ele que vem de uns Mundiais mais discretos, num percurso que não o favorecia. Está numa Jumbo-Visma muito forte e a subida final é perfeita para si.



Desde Agosto que Remco Evenepoel está a andar a top. 5 vitórias e 3 medalhas em Campeonatos da Europa/Mundo e uma exibição de luxo no passado domingo. Está numa forma impressionante e todos sabemos daquilo que Evenepoel é capaz quando é “picado” pelos seus rivais. É daqueles que poderá atacar de longe.

 

Outsiders

Tadej Pogacar pouco tem corrido desde o Tour, tem estado mais discreto mas o seu último objetivo do ano ainda não chegou. Cada vez mais perto da Lombardia, a condição física tem que estar ainda melhor. Tem mudanças de ritmo impressionantes que poucos conseguem acompanhar.

Thibaut Pinot tem, aos poucos, voltado a um bom nível. Após uma paragem, o francês parece motivado para o final de temporada, ele que costuma render sempre muito bem nas clássicas de Outono. Numa Groupama-FDJ com dois líderes, não correrá com tanta pressão o que o irá beneficiar.



No ano passado, João Almeida esteve muito perto da vitória. O português atacou ainda antes da última volta e foi ultrapassado já dentro do quilómetro final. Com duas grandes cartas na Deceuninck-QuickStep, o ciclista luso poderá ser mais resguardado para a parte final.

 

Possíveis surpresas

David Gaudu vem em muito boa forma da Volta ao Luxemburgo, onde foi um dos mais forte a subir e conseguiu vencer uma etapa. Corredor muito explosivo, gosta deste tipo de chegadas. A chegada a San Luca também é ideal para Adam Yates, o britânico gosta de clássicas deste género e sempre se adaptou bem a finais muito inclinados, numa INEOS que tem Tao Hart e Richie Porte como cartadas para jogar de longe. Jumbo-Visma e UAE Team Emirates trazem blocos muito fortes, com Jonas Vingegaard, Davide Formolo, Marc Hirschi e Diego Ulissi a serem opções sérias dentro das respetivas equipas. Recordar que Ulissi já aqui venceu, e tem um registo muito positivo nas restantes presenças. Michael Woods adora este tipo de provas, um classicómano exímio que anda como poucos em finais muito inclinados. Na mesma equipa, a Israel Start-Up Nation, Dan Martin, em fim de carreira, quererá deixar marca. Bauke Mollema anda sempre bem todo o ano, é sempre um perigo em qualquer tipo de clássica. Claro que não podemos descartar o vencedor de 2020 Aleksandr Vlasov mas o russo não está com a mesma capacidade física do ano passado. Em Itália, Rigoberto Uran anda sempre bem, principalmente nas clássicas do Outono, é sempre um corredor a ter em conta. Por fim, muita atenção a Ben Hermans, Sergio Higuita, Tim Wellens e Benoit Cosnefroy.



Super-jokers

Os nossos super-jokers são Domenico Pozzovivo e Gianluca Brambilla.

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