A espera terminou! Mais de 2 anos depois, os ciclistas regressam ao norte de França para uma das mais icónicas e emocionantes provas do calendário. Com chuva e lama esperadas, que será o vencedor no velódromo de Roubaix?

 

Percurso

A edição deste ano do Paris-Roubaix tem um total de 257 kms, sendo 55 kms de empedrado, divididos por 29 sectores.



Como é tradicional, o Paris-Roubaix deste ano começa com um longo troço de estrada asfaltada, serão 96 kms para aquecer as pernas, que poderão ser importantes para as equipas que coloquem homens na fuga do dia. Aí surge o 1º troço de pavé, e é aqui que o ritmo vai começar a endurecer e a luta por posicionamento no pelotão vai ficar mais activa. Falamos do Troisvilles-Inchy. Os primeiros 9 troços de pavé apenas irão servir para uma eliminação progressiva dos ciclistas no pelotão, até porque a dureza dos mesmos não é incrível, apenas havendo o sector com 4 estrelas (Quievy à Saint-Python, aos 109 kms), sendo a maioria de 3 estrelas.

A batalha entre os favoritos deverá começar no 10º sector, o Haveluy à Wallers, que tem 4 estrelas na sua categorização, isto porque a Floresta de Arenberg surge apenas 8 kms depois de Haveluy, e é o troço mais icónico desta corrida, sendo que no final do mesmo o pelotão já vai estar bem fraccionado e uma queda ou um furo nesta altura será o fim da corrida para muitos. Setor de 5 estrelas com 2300 metros.

Após a primeira grande selecção, o ritmo costuma abrandar, permitindo reagrupamentos. Geralmente, nos próximos 7 sectores de empedrado não se decide muito, apenas um acumular de desgaste e uma batalha enorme, que leva ao decisivo sector de Mons-en-Pevele, outro com 5 estrelas de dificuldade e que está localizado a 48 kms da meta, sendo um dos mais longos da prova com 3 kms de extensão. Nesta altura, já um grupo muito restrito deve estar na frente.

Mas tudo indica que a corrida se decida nos últimos 30 kms com o Cysoing-Bourghelles e Bourghelles-Wannehain (4 estrelas e 1300 metros e 3 estrelas e 1100 metros, respectivamente, que estão a 25 kms da meta) e o Champhin-en-Pevele (4 estrelas e 1800 metros a 19,5 kms do final), mas o desfecho da prova pode muito bem definir-se no Carrefour de l’Arbre, o 3º sector com 5 estrelas, que tem 2100 metros e que está a 16,5 kms da meta.



Após o Carrefour de l’Arbre apenas restam 3 sectores, mas que são menos complicados, Gruson, que tem 2 estrelas e está a 14,5 kms do final, Hem, que tem 2 estrelas e está a 8 kms da meta e por fim o sector de Roubaix, mesmo à entrada do velódromo, que é mais simbólico do que outra coisa, com apenas 1 estrela. A competição termina no velódromo de Roubaix, num espectáculo único, com os ciclistas a darem 1 volta e meia ao velódromo, sendo de consagração para muitos e de luta por lugares para outros.

 

Tácticas

As previsões apontam para chuva no final de hoje e para esta noite, o que significa que provavelmente teremos um Paris-Roubaix bem enlameado, algo que já não acontece há praticamente 2 décadas. Neste cenário a corrida pode logo decidir-se nos primeiros sectores de empedrado, tal como vimos hoje na prova feminina. Vai haver uma grande luta pelo posicionamento aí, depois disso vai haver muitos cortes e muitas quedas que vão partir o grupo por completo.

Vai ser uma corrida de sobrevivência entre quedas e furos, onde os blocos vão ser importante, mas vão ter uma preponderância reduzida. Nesse campo a Quick-Step tem a faca e o queijo na mão, praticamente metade da equipa são potenciais vencedores, chega a roçar o ridículo. Há varios corredores em boa forma e que gostam destas condições, mas deverão estar mais sozinhos. A formação belga vai querer isolar ao máximo Wout van Aert e Mathieu van der Poel, devendo abrir a corrida de longe. Depois há 2 blocos que se podem intrometer aqui num bom dia e se as coisas correrem bem, falamos da Trek-Segafredo e da Bahrain-Victorious.

 

Favoritos

Amanhã poderá significar o concretizar de um sonho para Florian Senechal, o ciclista francês está na equipa certa, conhece esta estrada como poucos e está em boa forma. Para além disso, num possível mano a mano contra metade do pelotão tem clara vantagem, excepto contra os puros sprinters. Vencedor da Primus Classic recentemente, fez top 10 nos Mundiais provando que se sente bem nas distâncias longas,  já fez 6º aqui em 2019, preenche muitos dos requisitos.



Wout van Aert não terá aqui a pressão que teve nos Mundiais, com o foco de toda a imprensa e de todo o público com um evento desta dimensão na Bélgica. Sabemos que as pernas estão lá, será preciso também destreza e sorte para uma corrida destas. Um ponto potencialmente negativo é a falta de apoio, precisa que Mike Teunissen esteja num dia daqueles. Nestas condições o resto da equipa pode sacrificar-se logo na fase inicial.

 

Outsiders

Estas condições favorecem também os ciclistas que vêm do ciclo-crosse, como é o caso de Zdenek Stybar. Aos 35 anos o checo estava um pouco desaparecido, mas o top 10 nos Mundiais é uma excelente referência para o aí vem. Está na estrutura certa e é uma das cartas fortes a jogar pela Deceuninck. Sabe bem o que é preciso para ganhar aqui, sabe que não terá muito mais oportunidades destas.

Mads Pedersen adora provas longas, com um perfil destes e que sejam em condições meteorológicas adversas. O dinamarquês parecia ter feito uma excelente preparação para os Mundiais, mas nesse dia não correspondeu como pretendido. É um corredor de grandes vitórias e possivelmente terá um apoio muito próximo de Jasper Stuyven, alguém que também já andou bem aqui.




Sonny Colbrelli está a ter uma temporada fenomenal e o italiano poderá aqui fechá-la com chave de ouro. Brilhante em provas duras, bastante possante, está numa estrutura cheia de confiança neste momento. Heinrich Haussler e Marco Haller são apoios excelentes e Colbrelli adora corridas à chuva, já conquistou belas vitórias assim.

 

Possíveis surpresas

Mathieu van der Poel terá aqui uma primeira experiência em Roubaix e logo em condições dantescas, o brilhante holandês ainda não nos parece a 100%, não podendo ser descartado. Dentro da Deceuninck realmente há uma larga panóplia de possíveis vencedores, Yves Lampaert está claramente em boa forma, gosta de corridas à chuva e já foi 7º em 2015 e 3º em 2019, Kasper Asgreen é uma máquina autêntica e mesmo Davide Ballerini é um perigo. Dylan van Baarle é outro ciclista que representa um grande perigo, bastante consistente quando tem oportunidades, sobressai nas corridas acima de 200 kms, vem em excelente forma do 2º posto dos Mundiais. Na Bora-Hansgrohe não nos parece que Peter Sagan consiga tirar nesta fase um coelho da cartola, mas nunca se sabe com o eslovaco, que prefere um Paris-Roubaix nestas condições, sendo que o possante Nils Politt é outro corredor a ter em conta. Jasper Stuyven fez uns excelentes Mundiais e é uma segunda carta que a Trek-Segafredo tem para jogar, não terá tanta pressão em cima como outros ciclistas e já surpreendeu na Milano-SanRemo. Com Arnaud Demare completamente fora de forma, Stefan Kung terá carta branca e será um perigo em Roubaix, o suíço já celebrou várias vezes à chuva e não podem dar muitos metros a Kung. Michael Valgren parece estar a voar neste fase da temporada, ainda assim mostra por vezes conta com alguns problemas de posicionamento e Sep Vanmarcke costuma ter muitos azares e cair muito, seria uma surpresa se não caísse amanhã. Estas condições favorecem corredores muito pesados, que não têm problemas com a chuva e o frio, casos de Alexander Kristoff, Ivan Garcia Cortina ou Marco Haller, não seria uma surpresa se fizessem top 10. A dupla da Ag2r composta por Greg van Avermaet e Oliver Naesen parece completamente fora de forma. Por fim, atenção a Sebastian Langeveld, John Degenkolb e Christophe Laporte.




Super-Jokers

Os nossos Super-Jokers são: Stan DeWulf e Silvan Dillier

 

By admin