As clássicas já lá vão, agora é tempo para as provas por etapas! O pelotão viaja até à Suíça naquela que será a última prova por etapas do World Tour antes do Giro d’Itália.

 

Percurso

Prólogo

A Volta a Romandia inicia-se com um prólogo de 5,2 kms em Lausanne, com passagem por um aeródromo e um estádio olímpico. O traçado é plano, mas é bastante técnico, com várias curvas relativamente apertadas e poucas rectas para os puros especialistas colocarem toda a sua potência no chão.




Etapa 1

O dia em si não é muito complicado, com 2700 metros de acumulado em 180 kms, mas o final é perfeito para puncheurs. A jornada em si é de sobe e desce constante, vai ser difícil de controlar e termina com um circuito. Os últimos 30 kms incluem 2,6 a 5,3%, 1,9 kms a 5,4% e o final em Romont em que os 1000 metros finais têm 7,3% de inclinação média.

 

Etapa 2

Com partida e chegada a Echallens, esta é a única grande oportunidade para os homens rápidos, que ainda assim têm de superar as habituais dificuldades suíças. Nos 20 kms finais há 2 colinas que podem despoletar ataques, primeiro 1400 metros a 5,3% e 4500 metros a 3,7%, a 12 kms do final.

 

Etapa 3

Mais uma etapa de média montanha, esta deve ser mais dura e há vários cenários em cima da mesa. Desta vez as subidas mais difíceis estão nos últimos quilómetros, com 3600 metros a 5% (últimos 600 metros a 7%) a 17 kms da meta e 4500 metros a 4,4% já nos 10 kms finais, numa contagem que tem uma entrada muito dura, com 600 metros a 9,4%.A aproximação à meta será muito rápida e não haverá espaço para recuperações.

 

Etapa 4

Por pequenas diferenças que se possam fazer em dias anteriores, aqui podem-se perder minutos. O dia resume-se em 3 grandes subidas. A primeira delas é contínua e surge após mais de 50 kms planos, a ascensão de Nax é das mais duras com 10,3 kms a 7,6%). Depois faltarão 2 grandes subidas que estão seccionadas em várias contagens de montanha devido aos falsos planos existentes. A primeira inclui 2 contagens de montanha de 1ª categoria e tem resumidamente 20 kms a 5%. A segunda grande sequência coincide com a meta e começa com 7,8 kms a 6,2%, seguidos por 6,2 kms a 7,1% e termina com 3,9 kms a 5,2%).




Etapa 5

Há quanto tempo não viamos uma cronoescalada no final de uma corrida deste nível. Ao todo serão 15 quilómetros de esforço individual em que os últimos 10 são a ascensão a Villars, que tem 9600 metros a 8%. É uma subida muito dura, os primeiros 4 kms são demolidores, sempre acima da média e o final é mais acessível, mas nunca baixa dos 6%.

 

Tácticas

Esta é uma corrida para puros trepadores. Sim, nos 4 primeiros dias podem-se fazer pequenas diferenças, mas é nas últimas 2 jornadas que tudo se vai decidir. Para isso é preciso um bloco sólido, capaz de controlar a corrida e fazer algumas perseguições. Não nos parece que ter várias opções seja muito vantajoso.

 

Favoritos

Sergio Higuita começou muito bem a temporada e pelo desempenho do explosivo colombiano no último Domingo parece totalmente recuperado dos problemas de saúde que o fizeram abandonar no País Basco. Os primeiros dias mais calmos vão também ajudar Higuita a apurar a forma, deverá ser um elemento em destaque.



Uma corrida com este perfil é perfeita para alguém como Ben O’Connor, que é manifestamente mau no contra-relógio. Teoricamente o australiano está a subir de forma ainda, não tem medo de atacar de longe e tem ao seu lado Bouchard e Jungels, que vão ser importantes na montanha. Sabe que é uma boa oportunidade de ganhar uma prova por etapas no World Tour.

 

Outsiders

Aleksandr Vlasov partirá com o dorsal 1 da Bora-Hansgrohe e deverá andar entre os melhores, naquele que é talvez o melhor alinhamento da equipa alemã numa prova por etapas visto que também tem Schachmann, Konrad e Grossschartner. Vlasov está em grande forma, mas ainda existem dúvidas sobre o seu rendimento em subidas mais longas, como a da etapa 4.

Damiano Caruso está num excelente momento de forma, como se viu no Giro di Sicilia. O experiente italiano está a terminar a primeira fase da temporada e pode aproveitar uma start list que não é brilhante para fazer um pódio, que de resto já fez no Tirreno-Adriatico e na Volta a Suíça.



Há dúvidas sobre qual será a grande aposta da Ineos-Grenadiers, apesar do dorsal 1 em Geraint Thomas, a formação britânica pode muito bem jogar a carta de Luke Plapp, um jovem que já impressionou este ano no UAE Tour e na Volta a Catalunha, a preparar o ataque mortífero de Richard Carapaz. Deverá adorar a cronoescalada.

 

Possíveis surpresas

A Israel Premier Tech está numa boa fase depois de ultrapassar todos os problemas de saúde que os seus ciclistas tiveram. Michael Woods e Jakob Fuglsang estão a andar bem melhor e estão motivados também pela necessidade de pontos WT. Também existem dúvidas sobre a aposta da Jumbo-Visma, que tem Steven Kruijswijk (parece ainda bem longe do que já mostrou), Rohan Dennis (capaz do melhor e do pior) e Sepp Kuss (um incrível trepador, mas que não costuma ser um grande líder). Juan Ayuso e Brandon McNulty serão as opções da UAE Team Emirates, mas ambos não são puros trepadores e não têm mostrado muito recentemente. A chegada em alto e a cronoescalada deverão ser duras demais para Dylan Teuns, no entanto o belga não é um mau trepador e está em grande forma, quando se está em estado de graça tudo é possível. Ion Izagirre parte como o líder da Cofidis e repleto de confiança depois da Volta ao País Basco que fez, aqui as subidas são mais longas e não assentam tão bem nas características do basco. Thibaut Pinot mostrou no Tour of the Alps fome de vitória, veremos se o triunfo do último dia não o solta para voltar ao seu melhor nível. Nessa corrida Michael Storer finalmente mostrou o que levou à sua contratação por parte da Groupama-FDJ, a presença de Pinot é muito boa para ele porque lhe retira protagonismo. Louis Meintjes tem aqui um traçado bom para ele e é um fortíssimo candidato ao top 10, enquanto os líderes da Movistar serão Carlos Verona e Einer Rubio. Rigoberto Uran chefia a EF Education-EasyPost apesar de não parecer estar a 100% e veremos o que Geraint Thomas conseguirá fazer.




Super-Jokers

Os nossos Super-Jokers são Matteo Sobrero e Antonio Tiberi.

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