As clássicas já lá vão, agora é tempo para as provas por etapas! O pelotão viaja até à Suíça naquela que será a última prova por etapas do World Tour antes do Giro d’Itália.

Percurso

Prólogo

Serão 6750 metros para dar início ao Tour de Romandie, com um traçado muito simples, 2 longas rectas e ainda bem que há apenas 3 curvas porque está prevista chuva para amanhã. Esta distância favorece os puros especialistas que tenham alguma explosão, falamos de Ethan Hayter, por exemplo.




Etapa 1

Uma rara oportunidade para os sprinters, mas há um encadeado de quase 10 kms a 7% a meio da etapa que pode aguçar o apetite a algumas equipas, ciclistas como Magnus Cort ou Ethan Hayter preferem certamente um sprint que não tenha Mark Cavendish ou Fernando Gaviria. Ainda existem Dainese, Nizzolo, Vernon ou Mozzato.

 

Etapa 2

Uns primeiros 70 quilómetros acessíveis em França e depois da fronteira e da passagem para a Suíça é que a estrada complica bastante. Ao todo são 5 contagens de montanha e a sequência mais complicada é já dentro dos 30 kms finais, com o Col de la Tourine (4,4 kms a 7,1%, 1 km a 9% no meio) e La Communal (1500 metros a 8,1%) a apenas 11,5 kms da meta. A partir daí segue-se uma descida, 1 km a 6% e uma aproximação à meta em ligeira descida, certamente que o lote para disputar o triunfo será muito reduzido.

 

Etapa 3

Mais um contra-relógio, o 2º em 6 dias de competição, mas este esforço individual é bem diferente da abertura. Praticamente 19 kms e quase não há um metro plano, a primeira fase não tem grande pendentes, havendo a meio uma subida com 4300 metros a 5,7%. Os últimos 4500 metros são em descida, será necessário ter uma boa técnica.

 

Etapa 4

Chegada a Thyon 2000, não é a primeira vez que esta competição tem este final, a 2090 metros de altitude. Com algumas diferenças na classificação geral não é de descartar que nas primeiras 3 subidas categorizadas do dia se forme uma fuga mais perigosa do que o normal. A subida de Thyon 2000 é tão dura que dificilmente a montanha de Suen (14 kms a 6,6%) terá ataques. A chegada em alto tem um total de 21 kms a 7,6%, indubitavelmente será uma das subidas mais complicadas do ano e tem mesmo uma fase intermédia de 8,2 kms a 9%.




Etapa 5

Uma jornada muito estranha para terminar este Tour de Romandie, cremos que a intenção da organização é evitar abandonos em massa na etapa anterior e que haja ataques desesperados de longe. Só há 2 hipóteses para fazer isso, no Grand Fuey (5,8 kms a 7,5%) e em Le Molard (3,3 kms a 6,8%), a questão é que estas subidas estão a 75 kms e 50 kms da meta, respectivamente, a partir daí não há dificuldades montanhosas.

 

Tácticas

Não é uma lista de participantes super forte, esta corrida já se encontra muito em cima para quem quer preparar o Giro e não entra nos planos de assim tantos corredores no caminho da melhor forma para o Tour. É preciso ver quem está mais pressionado e desesperado pelos resultados e na minha perspectiva a Jayco é a equipa que mais aposta nesta corrida e que mais apetrechada vem.

Este traçado engana bastante, apesar de ter 2 contra-relógios, é preciso ver que a subida da Thyon 2000 exponencia imenso as diferenças, da última vez que acabou lá uma etapa apenas 9 corredores terminaram dentro do mesmo minuto, esse final foi ganho por Michael Woods em 2021. Ou seja, mesmo que se perca 30/40 segundos entre os esforços individuais o pódio continua perfeitamente ao alcance e mesmo a vitória não está fora das cogitações.

 

Favoritos

Simon Yates – Não vou negar que tenha algumas dúvidas sobre a sua capacidade em montanha acima dos 40 minutos, a questão é que a Jayco precisa tanto deste resultado que o britânico tem um bom comboio de montanha (Harper, Dunbar, Craddock, Sobrero). O mais assustador para eles é que neste momento só a Astana tem menos pontos que eles no UCI World Ranking entre as equipas do World Tour. As indicações que deu no País Basco não foram incríveis, mas chegará aqui mais fresco do que alguns dos rivais.



Adam Yates – Manos Yates ao poder na Suíça. Esta é uma corrida importante para Adam no sentido da hierarquia interna, principalmente com o regresso de Juan Ayuso. Não se defende mal nos contra-relógios e em etapas como a de Thyon 2000 considero-o melhor do que o irmão nesta fase da carreira.

 

Outsiders

Ion Izagirre – Um corredor muito perigoso em provas por etapas de 1 semana e que tem muitos pontos positivos. Primeiro, conhece muito bem esta corrida, já a fez várias vezes, já ganhou etapas, já fez o final de Thyon 2000, segundo sabe-se que é daqueles que está em boa forma, o nível nas clássicas foi muito elevado e ele esteve bem lá na frente. Por fim, o contra-relógio da 3ª etapa tem um bom perfil para ele e em princípio só vai ter de seguir ataques no final em alto.

Sergio Higuita – Outro perigo à solta das corridas de 1 semana, mas fez umas clássicas das Ardenas deploráveis quando tinha responsabilidade de muito mais, 2 DNF e um 77º posto. Defende-se bem no contra-relógio, tem uma boa ponta final e até gosta da altitude, no papel o pódio é bem provável, resta saber se não abandonou nas Ardenas por problemas físicos.



Matteo Jorgenson – Deu claramente um grande salto competitivo este ano, foi impressionante vê-lo a competir contra os melhores nas clássicas. Agora entra noutra fase da época, já teve tempo para descansar um pouco. As corridas longas ajudam a sua evolução e podemos ver aqui outro pequeno salto para além daquilo que já vimos no Paris-Nice.

 

Possíveis surpresas

Michael Woods – Reapareceu numa condição física aceitável na Fleche Wallonne, nada que seja uma surpresa enorme visto que o canadiano está nas suas sete quintas aí. Aqui a conversa é outra e não obstante da forma estar a subir ainda parece bem longe do nível que tinha em 2021. Para além disso, tem tudo para chegar ao penúltimo dia com um atraso superior a 1 minuto face a alguns dos rivais.

Romain Bardet – Uma das apostas mais sólidas para top 5, duvido mesmo muito de um triunfo em parte pelas mesmas razões que Woods, vai chegar já um pouco atrasado a Thyon 2000 e não o vejo com capacidade de fazer diferenças para os irmãos Yates.

Juan Ayuso – Esteve sem competir vários meses devido a problemas físicos, em princípio vem somente ganhar algum ritmo, mas com fenómenos destes nunca se sabe.

Egan Bernal – Deu boas indicações logo a abrir o ano em San Juan, depois sofreu outro revés no seu regresso e nunca mais conseguiu estar entre os melhores, não acho que vá fazer um bom resultado.

Damiano Caruso – Acredito num bom resultado do italiano, é dos poucos que está aqui a dar os toques finais para a Volta a Itália, ele gosta deste programa. Aos 35 anos sabe que tem novamente aqui uma boa oportunidade, será daqueles que com um objectivo importante à porta pode não arriscar tudo nos contra-relógios.

Gino Mader – Voltou a um bom nível no Paris-Nice e depois eclipsou-se um pouco. Mader tem porta aberta para a liderança da Bahrain, tirando Landa não há propriamente nenhum indiscutível e tem de começar a aproveitar as oportunidades, adora subidas longas e está a jogar em casa, mas ainda é incrivelmente inconsistente.

Lenny Martinez – Um talento daqueles, tem uma séria hipótese de fazer top 10. Ainda está a aprender e a habituar-se a este nível, no entanto as indicações são incríveis. É um puro trepador ainda muito frágil, que perde tempo em etapas que ninguém espera e depois nos “Unipuertos” sente-se em casa.



Jefferson Cepeda – Aplica-se ao equatoriano quase tudo o que dissemos sobre Martinez, com as diferenças que ele é bem mais experiente e que está a dar os últimos retoques para o Giro, se replicar a performance do Tour of the Alps é candidato a top 5, mais deverá ser impossível pelo contra-relógio.

Alexey Lutsenko – Incrivelmente consistente nas últimas provas de 3 semanas que fez, incrivelmente inconsistente em toda a época, resta saber que Alexey Lutsenko vamos ter na Romândia, mas depois do que vi nas clássicas não espero grande coisa.

Louis Meintjes – Sólido perfil para o top 10, já andou bem na Sicilia e adora subidas longas.

Kevin Vauquelin – Um talento enorme, está em boa forma, não considero que seja um puro trepador, a chegada a Thyon deverá ser dura demais.

Gijs Leemreize – Estou a arriscar muito aqui, acho que poderá ter carta verde na Jumbo-Visma. Gloag não é um puro trepador, Kruijswijk está mais concentrado na preparação do Tour e Foss mais preocupado em arranjar um bom contrato, é o meu tiro no escuro para esta corrida.

Oscar Onley – Nunca se sabe, já mostrou laivos de grande brilhantismo contra Vingegaard no final do ano passado e mesmo este ano já andou bem a espaços.

 

Super-Jokers

Os nossos Super-Jokers são: Emanuel Buchmann e Thibaut Pinot.

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