Está na hora do último teste antes da Volta a Portugal! O Troféu Joaquim Agostinho sai para a estrada com apenas 3 etapas, no entanto 3 dias complicados, onde se podem fazer diferenças todos os dias.

Percurso

Etapa 1

O Troféu Joaquim Agostinho apresenta um traçado diferente de outros anos, mais duro e em que os sprints só poderão sonhar com o triunfo em Torres Vedras. É o sonho dos trepadores, sem contra-relógio e com 2 chegadas em alto. Logo no primeiro dia vamos ver como os ciclistas vão conseguir lidar com as pendentes duríssimas da Serra do Socorro. É uma etapa curta e simples, de 85 kms, mas o final é terrível, os ciclistas vão mesmo pedir por socorro nos últimos 1500 metros com uma média de 11,7%, os números oficiais rondam os 2,3 kms a 10,6%.




Etapa 2

A 2ª etapa apresenta a dureza habitual do circuito de Torres Vedras, mas globalmente é mesmo muito complicada, com quase 2800 metros de acumulado em 168 kms. Para além do circuito final, com 4 passagens pela Serra da Vila (1,9 kms a 6,1%) e 3 passagens pelo Varatojo (1,4 kms a 6,6%) há ainda o Parque Eolico da Carvoeira a meio da etapa (2,6 kms a 7,3%). Costuma chegar a Torres Vedras um pelotão delapidado pelas dificuldades e muito esticado, devido à aproximação rápida e técnica à meta.

Etapa 3

Tudo se deverá decidir na clássica chegada ao Alto de Montejunto, numa jornada que será um verdadeiro teste, com 185 kms e uns 50 kms finais muito difíceis. A primeira metade da etapa é bastante acessível e o terreno começa a endurecer depois da passagem pelas Caldas da Raínha, desde logo com a subida da Abrigada (2 kms a 7,2%). A 30 kms do final há 2,2 kms a 8,5%, não sabemos como é que não é considerada uma contagem de montanha. Para terminar temos o Alto de Montejunto, pela vertente do Avenal.




Esta é talvez a vertente mais dura do Montejunto, principalmente de entrada. Globalmente a subida de 7,3 kms a 7,3%, as maiores diferenças fazem-se nos 2 primeiros kms a 11%, com rampas onde os corredores vão praticamente parados, ainda dentro da povoação. O resto da subida é bastante exposta, onde por vezes o vento tem bastante influência, com pendentes rondar os 6/7%. Volta a endurecer para os 1300 metros finais, a 8,4%.

 

Táticas

Sem o contra-relógio a corrida, teoricamente, perde alguma dimensão porque deixa de haver aquela guerra entre puros trepadores e ciclistas mais completos. A Serra do Socorro vai fazer algumas diferenças, o que pode provocar que no circuito em Torres Vedras haja alguma luta entre grupos em fuga e o pelotão, por outro lado, quem atacar forte aí pode passar factura no Montejunto.

Estamos a sensivelmente 2 semanas da Volta a Portugal e a maioria das equipas estiveram em estágios. A lista de participantes é excelente, muitos blocos na máxima força ou perto disso, a questão é se as grandes figuras irão todos os dias a fundo ou vão só testar as pernas.

Favoritos

Estas 2 chegadas em alto com pendentes muito elevadas favorecem os trepadores mais pequenos e mais leves. Um desses ciclistas é Amaro Antunes, que está numa W52/FC Porto onde é que complicado saber quem será a opção principal, sendo provável que seja a estrada a decidir. Amaro já ganhou aqui em 2017, nem sempre vem ao Oeste, em 2020 participou, mas ficou afectado por uma queda.




Frederico Figueiredo defende aqui o título conquistado em 2020, na altura ainda ao serviço do Clube Ciclismo Tavira. Desta vez na Efapel, é a opção lógica internamente e conta com uma boa equipa em seu redor, com os experientes Karel Hnik, André Cardoso e Javier Moreno e o recente vencedor da Volta a Portugal do Futuro André Domingues.

Outsiders

Como referimos, dentro da W52/FC Porto deverá ser a estrada a decidir, mas tentando fazer um exercício de adivinhação geralmente João Rodrigues é um corredor que se foca mais nas grandes corridas e a Volta a Portugal está à porta, José Neves tem tido bastantes chances e está há muito tempo a andar bem, portanto olho em Joni Brandão, tendo em conta que nunca conquistou esta corrida e pode ter a ambição de a juntar ao seu currículo.

Tiago Antunes tem sido uma das grandes confirmações de 2021, não obstante as quedas e consequentes lesões que teve. Começou a época em grande, esteve algum tempo parado e nas últimas corridas deu indicações que está perto de regressar ao seu melhor. É um trepador pequeno, leve e explosivo, que conhece muito bem estas estradas, não terá receio destas estradas inclinadas.




O que não falta da Rádio Popular Boavista são opções, mas é inevitável olharmos para João Benta para esta corrida, é dos ciclistas com melhor registo no Troféu Joaquim Agostinho, venceu em 2015,  foi 4º em 2016 e 2017, 5º em 2018 e 7º em 2020, anda sempre entre os melhores aqui e também tem alguma explosão.

Possíveis surpresas

Obviamente são incontornáveis os nomes de João Rodrigues (vencedor da Volta ao Algarve e que já não compete há algum tempo) e de José Neves (campeão nacional, a fazer uma grande temporada e que conhece muito bem estas subidas), qualquer um deles poderá ganhar a corrida se tiver pernas e liberdade para isso. Na Efapel estamos com muita curiosidade para ver o que conseguem fazer o regressado André Cardoso e o promissor André Domingues, ambos têm excelentes características para este tipo de pendentes. Na Rádio Popular Boavista também não é fácil definir um líder, para além de João Benta também os jovens Hugo Nunes e Gonçalo Carvalho gostam destas subidas. Uma boa alternativa a Tiago Antunes na formação de Mortágua é Joaquim Silva, 15º na Volta ao Algarve, 5º no Abimota, 8º na Volta ao Alentejo, está a fazer uma época muito regular. Na equipa tavirense Alejandro Marque e Gustavo Veloso procuram aquecer os motores para o grande objectivo do ano, dos 2 Veloso é o que ainda tem mais explosão. A Antarte-Feirense tem obtido bons resultados e é hora de Vicente Garcia de Mateos chegar-se à frente como grande líder com a Volta a Portugal à espreita, o espanhol não tem por hábito estar no seu melhor antes do grande objectivo, veremos como anda aqui. Das equipas estrangeiras o foco está nas formações espanholas, a Caja Rural vem com ciclistas mais roladores, mas a Euskadi traz Antonio Angulo e Joan Bou, com bons resultados recentemente

Super-jokers

Os nossos super-jokers são Jesus del Pino e Gaspar Gonçalves.

By admin