Com a Volta a Portugal e a Volta a Polónia a chegarem ao fim é altura de nos focar mais nas transferências e nos movimentos de mercado dos últimos dias, num momento em que muitas contratações estão a ser anunciadas.

A Cofidis confirmou um dos rumores que já vinha a circular, a contratação de Davide Cimolai por 2 temporadas. O italiano de 32 anos irá substituir outro italiano que está de saída da equipa gaulesa, Elia Viviani. Em 2021 a Cofidis tinha a dupla Viviani/Laporte, em 2022 terá Cimolai/Coquard como os seus principais sprinters.



O ciclista de Pordenone já tem uma vasta experiência, passou pela Liquigas, pela Lampre, Groupama-FDJ e esteve 3 épocas na Israel Start-Up Nation. Cimolai teve uma excelente temporada e 2015, onde foi top 10 na Milano-SanRemo, ganhou 1 etapa no Paris-Nice e o Trofeo Laigueglia, sendo que a sua passagem pela Groupama-FDJ não correu particularmente bem, entre 2017 e 2018.

2019, já na equipa israelita, correu muito bem e deu-lhe outro estatuto, somando nesse ano praticamente metade das vitórias da carreira. No entanto, desde aí que não ganha, apesar de ter feito um excelente Giro esta época, fazendo 3 pódios em etapa e terminando em 2º na classificação por pontos. Cimolai é um corredor regular, mas não muito vencedor, até porque não é o sprinter com melhor ponta final. Coloca-se bem, passa bem a média montanha e certamente estará na luta em alguns finais. Olhando para a equipa da Israel Start-Up Nation não vemos grandes sprinters para 2022, podem eventualmente ainda ir ao mercado.



Simon Pellaud foi um nome que ficou na nossa memória ao longo deste Giro, o suíço esteve em fuga mais de 1000 quilómetros ao longo da primeira Grande Volta do ano. O helvético de 28 anos teve uma carreira de altos e baixos, esteve no World Tour na IAM Cycling em 2015 e 2016, depois a equipa acabou e viu-se forçado a baixar ao escalão Continental durante 3 temporadas, até que a Androni lhe deu uma grande oportunidade na divisão superior.

Pellaud agarrou essa oportunidade com unhas e dentes, no Giro em 2020 deu nas vistas e voltou a fazê-lo este ano, garantindo muita visibilidade aos patrocinadores graças à sua capacidade como rolador. A Trek-Segafredo viu no suíço um corredor que encaixava bem na estrutura e na visão da equipa, alguém que gosta de entrar em fugas e que é bastante activo nas redes sociais, 2022 terá certamente Simon Pellaud em muitas escapadas.

Recentemente foi anunciado que a Astana continuaria em 2022, com Alexandre Vinokourov ao leme. No entanto, pode ter sido já tarde para segurar alguns dos principais ciclistas. Foi tarde, certamente, para segurar Jonas Gregaard, que assinou pela norueguesa Uno-X para as próximas 2 temporadas. O dinamarquês fez a sua formação na Riwal, foi estagiar para a Astana em 2018 e subiu oficialmente ao World Tour em 2019.



Como sub-23 sempre mostrou alguma capacidade na montanha, foi campeão nacional de estrada no escalão, 3º no Giro Valle d’Aosta, 13º por 2 anos consecutivos na Volta a França do Futuro. A adaptação ao World Tour não foi imediata, as oportunidades também não foram muitos e em 3 épocas Gregaard não tem muitos resultados vistosos, apenas alguns top-10 no circuito europeu. Parece um bom “casamento”, Gregaard ainda é jovem, tem 25 anos, e quer relançar a carreira, a Uno-X tem por hábito dar oportunidades a todos e potenciar este tipo de talentos, veja-se os casos de Tiller ou Halvorsen, Gregaard deve andar bem em 2022.

No sentido oposto estão 2 jovens de saída da Uno-X, algo que já é habitual, a caminho da Team DSM. A formação norueguesa mantém o desígnio de formar para “exportar”, não obstante a subida ao escalão Profissional Continental. Dos 2 corredores, aquele que mais deu nas vistas foi, sem dúvida, Jonas Hvideberg, actual campeão europeu sub-23 de estrada. Hvideberg é essencialmente um ciclista de clássicas, com uma boa ponta final, e que este ano até fez top 20 na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, é talhado para este tipo de provas.



Já Frederik Rodenberg tem 23 anos, e um percurso não tão vistoso, apesar de já ter sido campeão nacional de estrada tanto em júnior, como em sub-23. Em 2019 venceu a Eschborn-Frankfurt para sub-23, diante de Kaden Groves, Jake Stewart e Stefan Bissegger, todos eles já estão no World Tour. O dinamarquês é um bom sprinter que só não tem obtido mais resultados na estrada porque se tem focado na pista, foi medalhado na perseguição por equipas nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Numa altura em que se fala da saída de vários jovens da Team DSM, outros tantos entram, veremos se este rodopio não é um ciclo vicioso.

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