Neste momento o mercado já está mais calmo, os plantéis estão quase completos, fazem-se principalmente os últimos ajustes na maioria dos casos, mas ainda temos alguns actores principais em cena. Temos as equipas que por opção estratégica escolhem anunciar os reforços mais tarde e com mais calma, caso da Movistar, e as equipas que tiveram alguns problemas internos e financeiros e que entraram um pouco tarde no mercado, caso da Astana.



A formação cazaque tem sido protagonista nos últimos dias, para tentar ser protagonista no pelotão em 2022. Apesar da entrada tardia e de, possivelmente, algumas oportunidades perdidas, está a voltar um bloco bastante potente à volta dos líderes Vincenzo Nibali e Miguel Angel Lopez (ainda não oficial), que também foram recrutados de volta. Um desses reforços importantes e que também vai ser muito útil para liderar a equipa em provas de 1 semana é David de la Cruz, o espanhol de 32 anos assinou um contrato válido por 2 temporadas, saindo assim da UAE Team Emirates.

David de la Cruz é um ciclista que nunca se tem sentido completamente confortável nos projectos em que está, faz passagens de 2/3 temporadas e depois sai, foi esse o caso na Team NetApp, na Quick-Step, na Team Sky e na UAE Team Emirates. A grande temporada de revelação foi em 2016, na Quick-Step, onde ganhou 1 etapa e fez 7º na Vuelta, sendo que no ano seguinte venceu etapas na Volta ao País Basco e no Paris-Nice, antes de abandonar a Vuelta quando se preparava para mais um top 10.

Optou por sair para a Team Sky, onde de forma lógica não teve assim tantas oportunidades, principalmente nas Grandes Voltas, mostrando-se mesmo assim um valioso gregário na montanha. Foi com esse papel que foi para a UAE Team Emirates, um apoio importante e uma alternativa a Tadej Pogacar caso acontecesse algo ao esloveno, aproveitando para fazer 7º na Vuelta em 2020 e em 2021. Caso Miguel Angel Lopez vá ao Tour deve ser um dos escolhidos para estar ao lado do colombiano, não sendo de descartar uma possível co-liderança na Vuelta para David de la Cruz, um ciclista sempre consistente.



Quem também assinou um contrato de 2 temporadas com a equipa cazaque foi Joe Dombrowski, um ciclista curiosamente com uma carreira até semelhante a David de la Cruz na perspectiva que sendo se pensou que poderia chegar a patamares mais elevados e tirando os 5 anos que esteve na Cannondale, teve passagens fogazes pela Team Sky e pela UAE Team Emirates.

O norte-americano, que já tem 30 anos, é um tremendo talento quando a estrada empina. Deslumbrou numa fase inicial da carreira no cenário norte-americano, nomeadamente no Tour of Utah e na Volta a Califórnia em 2016, sendo que foi este ano que vimos a melhor versão de Dombrowski desde 2016, ao ganhar 1 etapa no Giro e quase fazer o mesmo na Vuelta. Nota-se que está a fazer a transição de possível líder para gregário e caça-etapas nas Grandes Voltas, onde também menos pressão em cima dos ombros.



Já a Movistar nos últimos dias anunciou 2 espanhóis, em fases bem diferente da carreira. No caso de Gorka Izagirre trata-se de um regresso a uma casa onde esteve desde 2014 a 2017, sendo que o experiente espanhol de 34 anos segue um caminho diferente do seu irmão Ion Izagirre, que vai representar a Cofidis em 2022. Gorka tem perdido algum rendimento desde 2018, a sua melhor temporada de sempre, onde foi campeão nacional, esteve perto de ganhar no Tour e fez pódio no Paris-Nice.

Já não é considerado um candidato em provas de 1 semana, continuando a ser um perigoso caça-etapas nas Grandes Voltas. Na Movistar poderá continuar perfeitamente essa vertente, neste momento como grande líder a equipa só tem Enric Mas, abrindo as portas a outras abordagens nas corridas de 3 semanas, é possível que os comandados de Eusebio Unzue vão ao Giro só a pensar em triunfos nas tiradas, levando Mas ao Tour e à Vuelta. Gorka gosta da Volta a Itália e até já ganhou lá.

O nome de Oier Lazkano não será estranho para muitos portugueses que seguem a modalidade. A única vitória como profissional do jovem espanhol de 20 anos foi precisamente na Volta a Portugal em 2020, na chegada a Viseu. Em termos de resultados Lazkano não tem propriamente mostrado muito, este ano foi 15º na Volta ao Luxemburgo, mas a Movistar viu potencial nele e assinou contrato até 2024. Proveniente da Caja Rural, é um corredor muito possante, com quase 1,90 metros.



A única transferência deste bloco de hoje que sai fora das cogitações da Astana e da Movistar é a de Alexys Brunel, que sai da Groupama-FDJ para reforçar a UAE Team Emirates, aquele que deverá ser o único gaulês de um plantel bem internacional para 2022. Brunel tem potencial para ser um caso muito sério como ciclista, enquanto júnior foi campeão europeu de contra-relógio (diante de Marc Hirschi) e ganhou a Gent-Wevelgem no mesmo escalão. Na temporada de estreia nos sub-23 foi campeão nacional e 6º no Paris-Roubaix do escalão e em 2018 repetiu esse título e ainda foi 3º na Liege-Bastogne-Liege sub-23.

Integrou a equipa de formação da Groupama-FDJ e ganhou o Paris-Tours sub-23, tendo subido para o World Tour em 2020. Entrou logo em grande, ganhou a 1ª etapa e fazendo 3º na geral do Etoile de Besseges, mas desde aí tem sido muito inconsistente, somando boas exibições ao trabalho da equipa e muitos abandonos pelo meio. Joxean “Matxin” Fernandez certamente detectou que Brunel pode ser um gregário de luxo, tem um motor incrível e até nem anda mal na montanha. Bom contra-relogista e com perfil para as clássicas, será muito interessante acompanhar a evolução do gaulês de 22 anos.




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