Depois de uma temporada extremamente bem sucedida, claramente acima das expectativas, a Bahrain-Victorious quer continuar a tendência de subida nos rankings mundiais e as contratações e renovações recentes indicam isso mesmo. Yukiya Arashiro, Hermann Pernsteiner, Rafael Valls, Mikel Landa, Pello Bilbao e Fred Wright foram anunciados há 5 dias e mais recentemente também Damiano Caruso e Gino Mader, 2 peças muito importantes no puzzle das Grandes Voltas, foram confirmados para o próximo ano.




Entretanto também foram oficializados 2 reforços, com um perfil bem diferente. Luis Leon Sanchez vem dar polivalência e experiência, rubricando um contrato de 2 temporadas, mesmo aos 37 anos. Com passagens por muitas equipas, “LuisLe” já tem 47 vitórias na carreira, sendo que em 2021 festejou na Clássica de Ordizia. Obviamente não é um ciclista tão ganhador como no auge da sua carreira, entre 2008 e 2012, tendo agora um papel mais de gregário e capitão de equipa dentro das estruturas que integra, com liberdade para continuar a integrar algumas fugas.

Sai da Astana, que tinha um forte bloco espanhol, para integrar uma equipa que também terá, pelo menos, 4 ciclistas do país vizinho no plantel, também estará de certa forma em casa. Qualquer estrutura forte nas Grandes Voltas precisa destes ciclistas âncora e é preciso ver que a Bahrain-Victorious perdeu Marco Haller, Marcel Sieberg e Eros Capecchi, que desempenhavam este papel. O mais provável é ainda entrar mais 1 corredor deste género.

A outra aposta é de futuro, trata-se do campeão europeu e campeão mundial de contra-relógio na categoria sub-23, o dinamarquês Johan Price-Pejtersen. Dominador nos Europeus e superior à concorrência por 10 segundos na Flandres, o jovem de 22 anos que regressou a Uno-X confirmou este ano que tem potencial para altos voos. É uma contratação muito interessante da Bahrain, que neste momento não tem nenhum puro especialista (Jan Tratnik e Matej Mohoric ao seu melhor fazer top 5/top 10), e pode indicar que a equipa pretende alargar horizontes, mas também tentar melhorar nos contra-relógios colectivos. Certamente que Price-Pejtersen era um alvo muito apetecível para muitas equipas World Tour e acabou por aterrar na Bahrain-Victorious por algum motivo.




A EF Education – Nippo não é propriamente a equipa do World Tour com mais recursos financeiros, e também por isso está a apostar em ciclistas relativamente desconhecidos e de “low-profile”. Na última semana anunciou 3 reforços, todos eles entre os 19 e os 22 anos, procurando o futuro em vez do presente. Apesar de fazer o último ano de formação com a equipa Continental da Groupama-FDJ, Marijn van den Berg vai dar o salto para o World Tour com a estrutura de Jonathan Vaughters.

O poderoso holandês de 22 anos dá nas vistas nas clássicas desde o escalão de juniores e realizou uma temporada de 2021 fenomenal, dando bastante nas vistas. Van den Berg é bom nas colinas e um bom finalizador, ganhou 2 etapas na Volta a França do Futuro ao sprint, em circunstâncias bem diferentes, foi 8º nos Europeus (1º do grupo perseguidor) e foi 3º no Paris-Tours para sub-23. Muito provavelmente até terá algumas oportunidades para sprinters na formação norte-americana, que não está recheada de sprinters, e tem a possibilidade de fazer algumas clássicas, pode ser uma boa escolha para a sua evolução como ciclista.

Antes já tinha sido confirmado Georg Steinhauser, um corredor com um perfil bem distinto. Bastante leve, o alemão de 19 anos é um trepador que nas últimas 2 épocas correu pela equipa austríaca da Tirol. Foi nesta temporada que chamou a atenção das principais equipas, foi 2º na Volta a Bulgária, ganhou 1 etapa no Giro Valle d’Aosta e numa excelente fase do ano foi 9º no Tour de l’Ain, um resultado incrível tendo em conta a sua idade e considerando que ficou diante de alguns trepadores conceituados. Ainda teve tempo para ser 16º na Volta a França do Futuro e fazer pódio no Giro di Lombardia para sub-23. Em outras equipas World Tour este tipo de jovens assina contratos bem longos, a EF acordou com Steinhauser 2 épocas de contrato.




O último reforço é um corredor “da casa”, o norte-americano Sean Quinn, de 21 anos. Mais um elemento que passou pela estrutura da Axeon, e que curiosamente foi estagiário este ano na Deceuninck-Quick Step. Quinn entrou na Axeon depois de uma boa época como júnior de 2º ano e surpreendeu logo em 2019 ao ser 6º no Baby Giro, atrás do contingente colombiano e italiano. Não podendo tirar grandes referências de 2020, apareceu em 2021 em Portugal, vencendo a Clássica da Arrábida e sendo 14º na geral, e melhor jovem na Volta ao Algarve. Caiu e abandonou no Baby Giro e voltou a surgir no Tour de Wallonie com um excelente 8º lugar. Claramente 2021 prova que Quinn já tem nível para competir entre os melhores, será um ciclista interessante de acompanhar, é um trepador algo explosivo e até parece estar na equipa certa para evoluir.

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