A BikeExchange é das equipas WorldTour que parece estar mais atrasada no que toca à formação do plantel para 2022, ainda assim a semana passada trouxe uma boa notícia, a contratação do italiano Matteo Sobrero. O jovem transalpino sempre foi um bom ciclista nas camadas jovens, especialmente no contra-relógio, mas não conseguiu mostrar a sua capacidade na primeira temporada como profissional, em 2019, na NTT Pro Cycling.
A Astana decidiu confiar nele para reforçar o bloco italiano para 2021 e Sobrero foi uma das grandes surpresas da temporada a partir de Maio. Deu boas indicações no contra-relógio final do Giro e depois arrancou para ser 3º na Volta a Eslovénia e campeão nacional de contra-relógio, diante de Filippo Ganna e Edoardo Affini, por exemplo. Na parte final da época ajudou a Itália a ser campeã europeia e medalhada de bronze nos Mundiais na estafeta mista. Se a sua evolução continuar neste caminho, pode ser um corredor muito perigoso em 2022, este ano provou que também consegue subir ocasionalmente bem, o que será útil se pensarmos que a BikeExchange quer montar um bloco sólido em redor de Simon Yates, cabe a Sobrero mostrar na fase inicial do ano que pode pertencer a esse bloco principal.
Mais um talento desenvolvido na Axeon, Will Barta irá seguir um rumo de carreira pouco habitual para quem passa pela equipa norte-americana. A experiência na CCC Team foi de grande aprendizagem e terminou em alta, subindo progressivamente nos rankings do contra-relógio até perder o contra-relógio da Vuelta 2020 por apenas 1 segundo para Primoz Roglic. Com o final da equipa polaca optou pela EF Education-Nippo para prosseguir a carreira.
Começou a época lesionado e a partir daí foi um tormenta, mal se viu durante todo o ano, até porque é um especialista em contra-relógio e só fez 1 esforço individual em provas por etapas este ano. Ainda assim esperava-se bem mais pela sua curva de evolução e pela equipa liderada por Jonathan Vaughters ter melhorado no contra-relógio. Em 2022 Will Barta assinou pela Movistar, fazendo companhia ao seu compatriota Matteo Jorgenson, num contrato válido por 2 temporadas. Não parece de todo a equipa certa para ele, a Movistar não aposta propriamente nesta especialidade e dificilmente terá um grande impacto e será escolhido para as principais provas.
Esta semana foi também conhecida uma saída da equipa espanhola, trata-se de Hector Carretero, que sai da estrutura liderada por Eusebio Unzué depois de 5 temporadas. Carretero não deu muito nas vistas ao início, mas foi ganhando lentamente protagonismo, principalmente depois de ter ajudado Richard Carapaz a ganhar o Giro em 2019. Este ano teve algumas oportunidades, venceu a 2ª etapa da Vuelta as Asturias e fez top 4 em 2 clássicas espanholas.
Carretero é um dos casos que sai para ter mais chances de liderar uma equipa, neste caso ingressou na Kern Pharma, que vê no espanhol de 26 anos um possível líder para a próxima época. É muito possível que em 2022 vejamos Carretero a discutir algumas clássicas e provas por etapas internas, até porque a Kern Pharma já mostrou ser capaz de retirar o melhor dos seus corredores, é uma equipa muito organizada. Dentro da estrutura Profissional Continental é preciso também ter olho em Raul Garcia Pierna, um jovem muito talentoso e polivalente. É também quase certo que Carretero irá passar por algumas corridas portuguesas nos próximos 2 anos.
Com o final da Delko, o actual plantel ficou livre de qualquer contrato e um dos alvos mais apetecíveis era Eduard Prades, corredor que conhece bem Portugal, primeiro porque representou a OFM Quinta da Lixa em 2013 e 2014 e segundo porque já ganhou o Troféu Joaquim Agostinho e 1 etapa na Volta a Portugal. O experiente ciclista de 34 anos fez uma temporada absolutamente histórica em 2018 ao serviço da Euskadi-Murias, a melhor da carreira, e em 2019 ingressou na Movistar, onde também fez alguns excelentes resultados.
Baixou ligeiramente o nível, foi dispensado no final de 2020, acabando por ser seleccionado para liderar a Delko, um projecto que sempre foi periclitante. Prades começou o ano mais tarde, apenas em Maio, em virtude de uma lesão, e ainda tempo de ser 6º na Arctic Race e 2º no Tour de Vendée. Em 2022 vai representar a Caja Rural, onde já esteve entre 2015 e 2017. A Caja Rural apresenta para 2022 talvez um dos melhores planteis dos últimos anos graças a esta contratação e vai ter bastantes opções, o que vai permitir aos seus líderes focarem-se em objectivos mais específicos. Jonathan Lastra, Fernando Barceló e Eduard Prades são garantia de bons resultados, tendo todos perfil de puncheur, perfeito para as estradas espanholas. Ainda têm alguns jovens talentos sul-americanos e é preciso recordar que vão contar com Iuri Leitão para os sprints.
Ian Garrison está de saída da Deceuninck-Quick Step após 2 temporadas que claramente não correram como desejado. O jovem norte-americano subiu ao World Tour após 3 temporadas com a Axeon, indo com o pergaminho de vice-campeão mundial sub-23 de contra-relógio. No entanto nunca foi capaz de mostrar essa capacidade, nem mesmo no circuito europeu, sendo inclusivamente apenas 27º nos campeonatos Nacionais este ano.
Garrison, com 23 anos actualmente, vai tentar reencontrar-se numa equipa norte-americana, que foi criada este ano, a L39ion, uma estrutura que praticamente não correu em 2021 porque a maioria das corridas norte-americanas foram canceladas e o calendário era exclusivamente daquela região. Com a situação pandémica mais calma, é provável que grande parte dessas provas regressem. O plantel em 2021 era interessante, com nomes como Tyler Williams ou Ty Magner, Garrison vai tentar voltar aos bons resultados para eventualmente regressar ao World Tour.