Estamos já numa fase do mercado em que as equipas World Tour e Profissionais Continentais estão a finalizar os seus plantéis, aproveitando os corredores que ainda não têm contrato, percebendo as oportunidades que ainda podem existir.



Em relação a contratações World Tour nos últimos dias a grande protagonista foi a Lotto-Soudal, que garantiu o concurso de 2 corredores. Falamos primeiro de Steff Cras, jovem belga de 23 anos que após prometer muito como sub-23 não conseguiu mostrar na Katusha-Alpecin todo o seu potencial, um ciclista que em 2017 foi 3º na Ronde de l’Isard e 5º na Volta a França do Futuro. De facto esteve uns furos abaixo do esperado, principalmente em 2019, já que 2018 foi uma época de adaptação e ainda foi 7º na Volta a Eslováquia e na Arctic Race. Esta temporada destaca-se o 11º lugar no Tour of Oman e o 14º no Tour of Guangxi, muito pouco para o potencial que Cras tem. A Lotto-Soudal gosta de promover um crescimento sustentado dos seus ciclistas e num ambiente mais estável Cras pode ser uma das surpresas de 2020.

O outro reforço salta directamente do escalão Continental para o World Tour aos 25 anos, algo que é raro acontecer. Trata-se de Matthew Holmes, britânico que representava a Madison Genesis desde 2014. Holmes começou a aparecer realmente em 2017, quando fez 5º no Tour de Yorkshire e este ano voltou a repetir a gracinha ao ficar em 6º nessa mesma prova, sendo ainda 15º no Tour of Britain. Veremos o que ele vale fora da sua zona de conforto, duvidamos que tenha um papel importante na Lotto-Soudal, pode ter sido contratado para ajudar a controlar etapas e para ajudar Caleb Ewan.



Outra equipa a apostar no futuro é a Deceuninck-Quick Step, uma equipa que terá João Almeida, Andrea Bagioli, Mikkel Honoré, Fabio Jakobsen, Jannik Steimle, Alvaro Hodeg, Remi Cavagna e Kasper Asgreen com 24 anos ou menos. A eles junta-se o norte-americano Ian Garrison, especialista em contra-relógio de 21 anos. Recentemente foi vice-campeão do Mundo nessa especialidade em Yorkshire, ele que esta época foi campeão nacional de sub-23 e elite. Um pouco como aconteceu com Asgreen em 2018, deverá passar muitos quilómetros na frente do pelotão em 2020. Assinou por 2 temporadas.

Uma das equipas que mais aumentou a qualidade do seu plantel para 2020 foi de longe a Gazprom-Rusvelo, é verdade que saiu Alexandr Vlasov, mas primeiro a formação russa apostou em italianos, com Marco Canola, Damiano Cima, Imerio Cima, Cristian Scaroni e Simone Velasco. Agora decidiram contratar 2 dos melhores corredores russos. Dmitriy Strakhov fez uma fenomenal época de 2018, principalmente em Portugal, ganhou a Clássica da Arrábida, 2 etapas na Volta ao Alentejo, a geral e 1 etapa do G.P. Beiras e ainda triunfou numa etapa na Vuelta às Asturias. Passou para a Katusha-Alpecin e não conseguiu vingar, não obteve resultados relevantes, tendo que trabalhar muitas vezes, na Gazprom-Rusvelo pode ter de novo alguma liberdade, um bom finalizador que adora a média montanha.

Sergei Chernetskii foi uma das grandes apostas da Caja Rural para 2019 depois de ter ganho a Arctic Race e ter feito 3º no Tour of Guangxi ao serviço da Astana em 2018. E realmente, tal como Trofimov ou Silin não teve sucesso numa formação na Península Ibérica, foi 10º na Vuelta a Murcia e 5º na Clássica Ordizia, mas nos grandes objectivos da equipa Profissional Continental espanhola mal se viu. Com tantos ciclistas de qualidade a Gazprom-Rusvelo poderá tirar o melhor de cada um deles, com um calendário vasto todos terão oportunidades e sem a pressão de haver um grande líder.



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