Nas últimas 2 a 3 semanas o foco esteve quase em exclusivo na Volta a Espanha. O mercado de transferências ficou um pouco esquecido tanto para nós como para as equipas que não fizeram tantos anúncios importantes, sabendo que também não iriam receber assim tanta exposição mediática. Ainda assim, quase 2 dezenas de transferências foram oficializadas, contando apenas formações do World Tour e ProTeams. Vamos começar a analisá-las hoje.

Uma das estruturas mais activas foi a Team DSM-firmenich, que reforçou o seu contingente holandês em mais 3 elementos. Uma das apostas foi no poderoso Bram Welten, ciclista de 26 anos proveniente da Groupama-FDJ, onde participou em vários comboios para os seus sprinters. Numa fase em que a formação gaulesa muda de rumo para as provas por etapas é normal que tenha ficado livre no mercado e resta saber se não foi um pedido expresso de Fabio Jakobsen, que já foi confirmado na DSM até 2026. Welten é um ciclista que tem capacidade também para fazer alguns top 10 não fazendo serviço de lançador, sendo compatriota de Jakobsen a colaboração poderá ser potencialmente facilitada.

As restantes contratações da DSM foram feitas à Jumbo-Visma, Timo Roosen assinou até 2026, tal como Jakobsen, o que também deixa indicações dos planos em conjunto. Veremos até que ponto não vamos ter um bloco com Roosen e Welten como últimos homens de trabalho para Jakobsen. Roosen tem 30 anos e estava na Jumbo-Visma desde 2015. Nunca pertenceu ao bloco principal juntamente com outras estrelas, em 9 épocas fez apenas 4 Grandes Voltas apesar de ter pertencido algumas vezes ao conjunto de ciclistas das clássicas. Ou seja, vendo também a qualidade dos reforços para 2024, acaba por não ser uma perda dramática para a Jumbo-Visma.




O outro reforço não teve a afirmação que se esperava em 2023 e é daquelas transferências que pode resultar bem para todas as partes. Gijs Leemreize fez a transição para o World Tour depois de ser 4º na Volta a França do Futuro em 2021, sendo que fez uma belíssima estreia no Giro em 2022 com 2 pódios e 5 top 10 em etapas. Só que em 2023 mal se viu, teve alguns problemas de saúde no início do ano, ficou com a preparação afectada e a partir daí nunca mais recuperou. A DSM gosta deste tipo de ciclistas e de tentar moldá-los, fará parte de um bloco de jovens promessas ao lado de Max Poole, Matthew Dinham e Oscar Onley e Leemreize não teria quase oportunidades na equipa que ganhou as 3 Grandes Voltas este ano.

Passando para outra equipa, olhando para o plantel e para os resultados da Astana em 2023, bem que precisavam de reforços de peso para a próxima temporada. A formação cazaque recrutou Davide Ballerini, o que vendo bem as coisas trata-se de um regresso visto que o italiano de 28 anos já tinha estado ligado à Astana em 2019. É um tipo de ciclista que a equipa precisa neste momento, bom finalizador, passa bem a média montanha e é muito regular nas principais provas do calendário, mesmo um pouco tapado na Quick-Step já leva 500 pontos UCI este ano, lembrando que em 2019 contribuiu precisamente com 500 pontos. É um corredor vencedor, já com 1 dezena de triunfos na carreira e que a equipa precisava e faz sentido, até pelo contingente italiano que já tem. Quanto à Quick-Step, estão a fazer uma autêntica revolução no plantel, já anunciaram a entrada de 7 jovens talentos, não se sabe bem o que estão a fazer, veremos no que está a pensar Patrick Lefevere para o futuro imediato.




Stefano Oldani destacou-se em 2021 ao serviço da Lotto-Soudal e por isso mesmo foi recrutado em 2022 pela Alpecin-Deceuninck. Na altura estranhamos um pouco esta contratação porque o italiano teria na teoria quase as mesmas oportunidades e foi para uma estrutura com vários ciclistas com características semelhantes. O que é certo é que ainda fez 640 pontos UCI em 2022, só que o espaço não é infinito e as afirmações de Jasper Philipsen e de Kaden Groves “obrigaram” o italiano a mudar de ares se quer mostrar todos os seus talentos. Oldani é um excelente finalizador em grupos reduzidos, o seu perfil encaixa bem em diversas clássicas italianas e francesas do circuito europeu. Nesse sentido é uma excelente opção para a Cofidis, que não tem mais nenhum ciclista assim para além de Bryan Coquard e creio que Oldani não fará assim tanta falta à Alpecin devido à constelação de estrelas que por lá habita.

O italiano de 29 anos, Niccolo Bonifazio regressa a uma estrutura transalpina e vai liderar a Team Corratec, que bem precisava de um corredor deste gabarito. Apesar de já não dar nas vistas há muito tempo, Bonifazio já tem 21 vitórias na carreira, é um ciclista extremamente eficaz, apesar de apenas 2 delas terem sido no World Tour. Este ano festejou no Giro di Sicilia, mas de resto foi muito irregular. Com o seu estatuto e tendo em conta o plantel desta ProTeam, é quase garantido que vai estar em todas as principais provas do calendário italiano, o que certamente valoriza.

 

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