A 9.ª edição da Arctic Race of Norway, a prova mais setentrional do mundo, acabou hoje. As quatro etapas, com características e paisagens deslumbrantes do círculo polar Ártico, acabaram por ser palco de um bom espetáculo até ao final.



A primeira etapa começou com um circuito pela cidade de Tromso, 142.4 quilómetros, com três voltas a um percurso técnico na parte final. As quatro subidas nos últimos quilómetros eram propícias a ataques. A fuga do dia foi composta por quatro homens, com Alexis Gougeard a ser o último corredor a ser alcançado, a 12 quilómetros da meta. Os ataques começaram a surgir a partir daqui, com Samuele Battistella e Kristian Aasvold a abrirem as hostilidades. A 2.5 quilómetros da chegada, Markus Hoelgaard e o ciclista local Andreas Leknessund (nascido em Tromso) saíam em busca da vitória. Hoelgaard acabou por descartar o ciclista da Team DSM, que se encontrava a representar a seleção norueguesa, e rumou de forma isolada até à meta. O pelotão bem tentou alcançá-lo, mas Hoelgaard estava muito forte e arrebatou o seu segundo triunfo da carreira. As duas vitórias foram obtidas nesta corrida, a última tinha sido na edição de 2019. Alexander Kristoff terminaria em 2.º, enquanto que Bryan Coquard fecharia o pódio.



A segunda etapa, marcava a ligação entre as vilas de Nordkjosbotn e Kilpisjärvi, percurso de 177. 6 km, com o facto curioso de ser a primeira vez que a corrida rumava a um país diferente, com a meta a estar instalada na Finlândia. Tudo se resumiu a um sprint massivo, com o recordista da prova Alexander Kristoff a estar na posição ideal, mas a ser batido nos metros finais pelo estónio Martin Laas. Kristoff fecharia novamente no segundo posto e passava a ser o detentor da “midnight sun jersey”, símbolo de liderança da prova. Danny Van Poppel fechava o pódio da etapa.

A 3.ª tirada seria a mais longa e decisiva, com 184.5 quilómetros, e era destinada para os homens da geral. Foi na subida final que tudo se decidiu, uma primeira categoria de 3.7 quilómetros a uma média de 7,6%. Formou-se de pronto o grupo dos mais fortes, com Victor Lafay, Ben Hermans, Warren Barguil, Odd Christian Eiking e Samuele Battistella a liderarem. A 500m do fim, arrancava o ciclista que já tinha sido feliz naquela mesma chegada, em 2015, ao serviço da BMC, o belga Ben Hermans. Acabou por embalar e ir para nova vitória na carreira, apesar de ter sido seguido por Eiking e Lafay, mas estes foram incapazes de superar o corredor da Israel Start-Up Nation no sprint final. Kristoff perdia a liderança para Hermans, que dispunha de 4s de vantagem para Eiking e de 6s para Lafay.

O único representante português, André Carvalho, acabaria por não alinhar à partida para a 3.ª etapa. Fredrik Dversnes (Team Coop) selava, praticamente, a conquista da camisola de montanha, esta diferente do habitual, com o nome e cor representativas da cultura regional, com a denominação de “camisola salmão”. Para além da camisola, o norueguês de 24 anos garantia o peculiar prémio de 500 quilos de salmão.

                                                O norueguês Fredrik Dversnes, da Team Coop, sagrou-se o “rei do salmão”



A última etapa, com uma extensão de 163.5 km, ficou marcada pela vitória da fuga. A parte final continha várias colinas, o que podia provocar pequenas diferenças e ajustes na geral. Philipp Walsleben e Niki Terpstra, escapados desde o quilómetro quatro, na altura com mais sete ciclistas, decidiram entre si, num sprint emocionante, quem seria o vencedor da derradeira etapa. O alemão da Alpecin-Fenix foi quem levou a melhor na chegada à cidade de Harstad, com a conquista da segunda vitória da carreira que, supostamente, terá o término no final do ano.

Christian Eiking foi o primeiro a chegar dos favoritos, a 17s, com os restantes homens da geral a chegarem 2 segundos depois. Hermans garantiu a sua vitória na corrida nórdica, com apenas 2s de vantagem para Eiking! Lafay finalizou em 3.º, a 6s. É apanágio nesta prova a decisão ser feita ao segundo. Em 2019, Alexey Lutsenko havia vencido com 1s de vantagem para Barguil. Kristoff venceu pela 3.ª vez a camisola verde nesta competição. Victor Lafay ganhou a camisola da juventude.

 

 

 

 

 

 

 

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