Protagonista no pré-mercado, a Bora-Hansgrohe não está a deixar ficar as transferências esquecidas e parece querer arrumar bem rapidamente esse assunto. Os acordos com os ciclistas já estavam preparados há algum tempo, o mercado abriu e a formação alemã anunciou 7 reforços em 2 dias.



Depois de ontem ter sido reforçado o bloco de sprinters, hoje foram anunciados 2 excelentes trepadores 1 experiente ciclista de clássicas. Um desses ciclistas foi o australiano Jai Hindley, a grande revelação do Giro 2020. Hindley foi um dos melhores sub-23 da sua geração, 5º na Volta a França do Futuro, 3º no Baby Giro, ingressou na Team Sunweb em 2018. A adaptação não foi fácil, fez a Vuelta em 2018, o Giro em 2019, ia mostrando sinais de qualidade, mas com muita inconsistência.

Finalmente chegou a sua hora quando foi 2º na Volta a Polónia em 2019, abrindo o apetite para um 2020 de sonho, onde ganhou o Herald Sun Tour logo de entrada e depois começou a preparar o Giro. As etapas foram passando, os favoritos foram caindo na luta pela geral e Hindley chegou-se à frente, ganhando confiança e forma física. Mostrou-se fortíssimo na alta montanha, entrou na última etapa vestido de rosa e só perdeu no contra-relógio para Tao Hart. O jovem de 25 anos esperava que 2021 corresse da mesma forma, só que não foi assim, desilusão atrás desilusão, incompatibilização com a estrutura da DSM (sim, mais um) e a saída era dada como certa.



Hindley irá partir para 2022 como uma das grandes incógnitas, até pela forma como apareceu e desapareceu ao mais alto nível. Estará numa estrutura mais flexível e mais estável, onde os ciclistas têm mais liberdade, mas também terá mais concorrência, tendo em conta que é um ciclista que claramente aponta às classificações gerais. Será daqueles reforços que vai resultar muito bem ou muito mal.

Outro dos reforços é Sergio Higuita, em mais uma aposta na juventude (24 anos) por parte da Bora-Hansgrohe. Ralph Denk, responsável da formação alemã vê em Higuita um corredor para ajudar nas clássicas mais duras e com capacidade para ganhar etapas em provas por etapas já que é muito completo e tem uma boa ponta final. De resto, tem sido esse o rumo da carreira de Higuita, que já conta com 1 etapa na Vuelta, um 3º lugar no Paris-Nice e um 2º posto na Volta a Califórnia.

O colombiano tem um percurso curioso, bem diferente da maioria dos seus compatriotas. Passou a profissional na Manzana Postobon, uma equipa Profissional Continental colombiana, que acabaria por ser extinta. Mas ainda foi a tempo de chamar a atenção de Jonathan Vaughters, que o “emprestou” à Fundacion Euskadi até Maio de 2019. Higuita nessa época começou a deslumbrar em provas espanholas, veio à Volta ao Alentejo ganhar 1 etapa e acabou o ano a fazer 2º na Volta a Califórnia, 4º na Volta a Polónia e 14º na Vuelta, com 1 vitória em etapa.



Em 2020 e 2021 tem feito algumas boas exibições, não é um puro trepador, mas sim um ciclista muito completo, que no Tour prestou um auxílio precioso a Rigoberto Uran. Como também se defende no contra-relógio e tem uma boa ponta final é sempre uma carta importante para provas de 1 semana, não tendo perfil para ser voltista, algo que a Bora-Hansgrohe já tem em catadupa, agora com Buchmann, Kelderman e Hindley. Deverá ter um papel semelhante ao que tinha na EF Education-Nippo.

O último reforço de hoje á o austríaco Marco Haller, o mais experiente dos 3 com os seus 30 anos. Na sua carreira de quase 1 década como profissional só representou a Katusha e a Bahrain, não é um corredor que ganhe muito, apenas 4 vitórias na carreira, mas é alguém que ajudou a ganhar muito. É um bom especialista em clássicas e será uma espécie de capitão na estrada, um apoio importante a Nils Politt nas clássicas, o novo líder na equipa alemã com a saída de Peter Sagan. Também poderá participar em algum comboio visto que tem uma boa ponta final.



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