Domingo de Páscoa com o Inferno do Norte tinha tudo para ser uma combinação perfeita e não desiludiu! Esta é uma prova onde a luta pela presença na fuga é sempre muita e, ao contrário de outras edições, este ano não houve uma fuga, o pelotão rolou sempre a alta velocidade e, a mais de 210 quilómetros do fim acontecia o que poucos esperavam, bordures!
A INEOS Grenadiers estava perfeita, com praticamente toda a equipa na frente, explodindo com a corrida e deixando no segundo grupo nomes como Mathieu van der Poel, Wout van Aert, Christophe Laporte, Stefan Kung, Kasper Asgreen e Mads Pedersen. A equipa britânica era uma das equipas mais interessadas na frente mas com quase todos no grupo, também a Quick-Step, ajudava na perseguição. Atrás, Alpecin-Fenix e Trek-Segafredo eram as equipas que mais trabalhavam.
A entrada no primeiro setor de empedrado, fez-se com 1 minuto de diferença entre grupos e com quedas de Mads Pedersen e Kasper Asgreen atrás e furo de Filippo Ganna à frente. Todos retomaram a corrida, o nervosismo aumentava ainda mais nos setores seguintes no entanto, apesar de vários ataques isolados de ciclistas como Niki Terpstra, ninguém conseguia ganhar uma vantagem importante. As quedas e os furos eram uma constante, a corrida estava um caos autêntico, sendo que entre os 110 e 100 quilómetros para o fim é que existiu alguma acalmia.
Davide Ballerini, Matej Mohoric, Casper Pedersen, Tom Devriendt e Laurent Pichon entraram em Haveluy à Wallers praticamente 1 minuto de vantagem para o pelotão onde, pouco antes, tinha reentrado o grupo de Van der Poel e Van Aert (que chegou a estar a 2 minutos do grupo comandado pela INEOS!).
O sempre importante Trouée d’Arenberg viu o grupo da frente passar com 2 minutos de vantagem para o pelotão onde Wout van Aert sentiu muitas dificuldades. As dificuldades de Van Aert foram explicadas por uma troca de bicicleta logo após o setor de empedrado, que o fizeram perder praticamente 1 minuto para o grupo dos favoritos, mas antes de nova fase importante conseguir recolar. Na frente, já não estavam nem Ballerini nem Pedersen.
A INEOS continuou muito ativa na perseguição, mas nem isso impediu que o trio da frente chegasse aos 2:30 de vantagem. Foi já a menos de 60 quilómetros do fim que a Jumbo-Visma apareceu na frente, acelerou num setor de empedrado para Van Aert aumentar ainda mais o ritmo à saída do setor, o que provocou um corte no pelotão, ficando cerca de 15 ciclistas no grupo, entre os quais Van der Poel, Kung, Van Baarle, Lampaert, Senechal e Trentin.
Antes de Mons-en-Pévèle, a 50 quilómetros do fim, Dylan van Baarle atacou no grupo perseguidor. Já no setor em si, Pichon cedia na frente e Van Aert acelerava forte no grupo perseguidor, sendo que apenas Van der Poel e Kung conseguiram seguir o campeão belga. Este trio apanhava Baarle mais à frente e, logo de seguida, um grupo com Turner, Lampaert, Petit e Stuyven também se juntava ao grupo. Mesmo antes de novo setor, Wout van Aert tinha novo azar, desta vez com um furo, algo que também acontecia na frente de corrida a Mohoric pouco depois. Isto fez com que o esloveno fosse apanhado pelo grupo dos favoritos e, com um ritmo mais brando, Van Aert conseguiu recolar, mais rapidamente, à frente.
Tom Devriendt ainda isolado largos quilómetros mas, por incrível que pareça, Mohoric voltava à frente, agora na companhia de Lampaert e, mais tarde, Van Baarle. A 23 quilómetros do fim, e no final do Bourghelles à Wannehain, Stuyven atacava. Mal acabou o setor Van Aert e Kung fizeram a ponte, ao contrário de Van der Poel, que não conseguiu seguir o ataque do seu grande rival. À entrada de Camphin-en-Pévèle, o quarteto da frente tinha 30 de vantagem para o grupo de Van Aert (onde já não estava Stuyven devido a um furo) e 55 para o grupo de Van der Poel.
Foi neste setor que a corrida se decidiu a corrida, com Baarle a acelerar, deixando os seus companheiros de fuga para trás e, ganhando tempo a todos os grupos na estrada. O neerlandês estava a um ritmo louco e nunca mais ninguém lhe colocou os olhos em cima, sem ser no velódromo de Roubaix. Atrás, e já no penúltimo setor da prova, Mohoric foi apanhado pelo grupo de Van Aert, já depois de Lampaert ter caído após ter embatido num espectador.
No velódromo, e depois da tradicional volta e meia, Van Baarle celebrava a vitória mais importante da carreira, continuando com as semanas de sonho da INEOS e dando o 1º Paris-Roubaix à equipa de Dave Brailsford. A 1:47, Wout van Aert venceu o sprint para o 2º posto, com Stefan Kung a completar o pódio. Destaque, ainda, para o 9º lugar de Mathieu van der Poel, a 2:34, depois de não se ter feito ao sprint pelo 6º lugar.