As vitórias de Zdenek Stybar na Omloop het Nieuwsblad, de Bob Jungels na Kuurne-Bruxelles-Kuurne e de Florian Senechal na Le Samyn têm um significado enorme, muito mais do que parece. “The Wolfpack” como são conhecidos internacionalmente no ciclismo, ou alcateia, em português, diz bem do respeito que a Deceuninck-Quick Step impõe.




A estrutura da Quick-Step já não festejava na Omloop het Nieuwsblad desde 2005, quando Nick Nuyens ganhou e Tom Boonen foi 2º, uma espécie de malapata foi quebrada. Mesmo na Kuurne-Bruxelles-Kuurne o domínio não é assim tão óbvio, nas últimas 9 edições a formação belga só tinha ganho em 2014 e 2015, com Tom Boonen e Mark Cavendish, respectivamente. Quando Bob Jungels cruzou a linha de meta no último Domingo a Quick-Step tornou-se na primeira equipa desde 2000 a ganhar Omloop e Kuurne no mesmo ano.

Ontem Florian Senechal festejou efusivamente quando a Le Samyn terminou, o francês somou o primeiro triunfo enquanto ciclista profissional e a pressão era muita, foi subindo na hierarquia de uma equipa extremamente bem sucedida e desde cedo que foi rotulado como grande promessa para este tipo de provas. Mesmo levando a “equipa B”, sem Bob Jungels, Yves Lampaert, Philippe Gilbert ou Zdenek Stybar, a Deceuninck-Quick Step conseguiu dominar a prova, ganhou e colocou 3 ciclistas no top 10, esteve presente em todos os movimentos importantes. Foi um sinal para a concorrência, especialmente para a Direct Energie, que colocou a carne toda no assador, com um grande líder como Niki Terpstra e todos os seus fieis ajudantes, e mesmo assim perdeu para uma equipa com 4 grandes ausências.




Muito se falou de uma possível perda de poderio quando Tom Boonen se reformou em 2017, quando Niki Terpstra saiu em 2018, mas o que é certo é que esta alcateia continua tão ou mais poderosa, Yves Lampaert subiu na hierarquia, Florian Senechal está a fazer o mesmo e até Bob Jungels (um ciclista com muita classe, mas que parecia um voltista) está a aparecer neste tipo de provas.

Ninguém tão um bloco tão forte e coeso, isso parece óbvio. Os adversários estarão a questionar-se como bater a Quick-Step nas corridas que se avizinham, incluindo Tour des Flandres e Paris-Roubaix. Vamos então começar a excluir hipóteses, um sprint com um grupo de tamanho considerável neste tipo de prova é irrealista, a dureza é demasiada para isso, podemos portanto excluir essa opção, mesmo que a formação belga não tenha um sprinter como Tom Boonen para este tipo de provas (Fabio Jakobsen ainda está em evolução).




Partindo do princípio que em condições normais, num grupo já selecionado pelas dificuldades da corrida, a Quick-Step é aquela que tem mais elementos, a única solução aparente é mesmo o que aconteceu nas provas anteriores. Ou seja, uma fuga de 4/5/6 elementos, com apenas 1 elemento da Quick-Step e esperar que esse ciclista tenha um dia menos feliz fisicamente ou cometa um erro táctico para derrotar os comandados de Patrick Lefevere. Aqui existe um problema, só sai um grupo vá de encontro às pretensões da equipa belga, não podem estar em inferioridade numérica e têm de estar contentes com a constituição do mesmo.

Isso ou aparece um ciclista que simplesmente é claramente mais forte que toda a concorrência, apesar de isso não parece plausível neste momento, com muitos corredores com um nível semelhante, Peter Sagan ainda não começou a competir. O ex-campeão do Mundo está a ter mais cuidado na sua preparação e possui uma equipa forte (Daniel Oss e Jempy Drucker já estão em boa forma), isso pode alterar um pouco a dinâmica táctica nas próximas corridas. A E3 BinckBank será o próximo grande capítulo, dia 29 de Março, até lá ainda vai haver provas como a Strade Bianche, Paris-Nice, Tirreno-Adriatco ou Milano-Sanremo.




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