Só poderemos ver ciclismo em estradas portuguesas a 11 de Abril, pelo menos para os elites, com a Prova de Abertura marcada para essa data. No entanto, a Efapel decidiu jogar na antecipação e conseguiu um convite para o Gran Premio Miguel Indurain, corrida da categoria 1.Pro, que vai para a estrada precisamente amanhã.
Com um plantel mais do que renovado, onde apenas transitaram de 2020 António Carvalho e Luis Mendonça, é perfeitamente normal que haja muitas estreias na equipa para esta primeira competição de 2021. Ruben Pereira selecionou para a corrida precisamente António Carvalho e Luis Mendonça, que se farão acompanhar por outro dos líderes da equipa, Frederico Figueiredo, pelos experientes Rafael Reis e Maurício Moreira, e pelos jovens Fábio Costa e André Domingues.
História
Em relação ao Gran Premio Miguel Indurain, é uma clássica que vai para a 22ª edição, não obstante isso é uma corrida já bem consolidada no calendário espanhol. Angel Vicioso foi quem a ganhou por mais vezes, em 3 ocasiões, e nomes como Alejandro Valverde, Joaquin Rodriguez ou Simon Yates estão entre os vencedores. Em 2019, ano da última edição, foi Jonathan Hivert a ganhar diante de Luis Leon Sanchez e Sergio Higuita.
Percurso
A região de Estella, em Navarra, recebe mais uma edição da prova de homenagem ao ex-ciclista Miguel Indurain. Uma maratona de 204 quilómetros com mais de 3400 metros de desnível acumulado fazem desta competição uma clássica bastante dura. É um verdadeiro carrossel. Tendo em conta que são os primeiros kms competitivos para os ciclistas da Efapel, ao contrário da larga maioria da concorrência, não será nada fácil para os comandados de Ruben Pereira.
Os primeiros 100 quilómetros estão longe de serem planos mas são os mais fáceis. Aí, surge o Alto de Eraul (3,5 kms a 5,5%), seguindo-se o Alto del Muru (1,6 kms a 4,6%) e o Alto Ibarra (600 metros a 10%). Logo a seguir os corredores passam pela primeira vez na meta. Esta sequência será feita em apenas 10 kms.
A partir daí começam a surgir subida mais consecutivas, com os 50 kms que se seguem a terem 7 colinas, incluindo novas passagens pelo Alto del Muru e o Alto Ibarra, sendo a mais dura o Alto Guirguillano (2,8 kms a 6%).
Os 10 quilómetros serão muito duros com a sequência Alto de Eraul-Alto del Muru-Alto Ibarra a serem novamente feita. Aqui todas as subidas serão importantes, seguem-se muito rapidamente mas o Alto Ibarra termina a somente 1400 metros do fim, sendo depois uma rápida descida até à chegada.
Lista de participantes
O alinhamento é de luxo, 9 equipas World Tour, 8 equipas Profissionais Continentais, e 2 Continentais, a Efapel e a Electro Hiper Europa, curiosamente com Oscar Pelegri e Marcos Jurado, que recentemente correram em Portugal. Também estará a Eolo-Kometa, com Daniel Viegas e a UAE Team Emirates com Rui Costa.
Blocos e favoritos
Vemos esta corrida claramente como uma corrida de blocos e favoritos, de um lado temos equipas com vários ciclistas que podem ganhar, sem um grande líder, do outro lado equipas com um líder declarado e com um bloco de gregários bons em seu redor, mas que não dão garantias caso um grupo restrito vá embora.
Alejandro Valverde – Depois de um início de temporada muito fraco, o veterano espanhol apareceu em grande na Volta a Catalunha e já esteve a um nível mais próximo do habitual. A Movistar espera controlar a corrida com Verona, Samitier e Enric Mas, que entretanto substituiu Jose Joaquin Rojas. Num grupo reduzido Valverde será sempre favorito.
Bauke Mollema – Excelente início de temporada, 2 vitórias e 2 pódios, sendo um ciclista que costuma andar muito bem nas clássicas. Na Trek-Segafredo nem Bernard, nem Skujins, nem Lopez dão garantias, será all-in para Mollema na esperança que o holandês seja capaz de fazer diferenças.
Pierre Latour – O francês esteve muito bem no Paris-Nice especialmente nas etapas de média montanha, uma das suas melhores versões dos últimos anos. Não tem uma grande equipa com ele, mas é ofensivo muitas vezes, saindo recompensado ocasionalmente.
Astana – Uma equipa ainda sem vitórias em 2021 e que por isso tem aqui uma grande responsabilidade, até pela equipa que traz. Luis Leon Sanchez, Omar Fraile, Alex Araburu, Alexey Lutsenko e Ion Izagirre têm todos potencial para ganhar, pode não haver hierarquia definida e o objectivo será seleccionar cedo a corrida para controlar a partir daí com vantagem numérica.
Bahrain – Pello Bilbao deverá ser resguardado para a parte final, conhece o terreno como a palma da mão e tem um bom sprint. Gino Mader foi uma das sensações do Paris-Nice, se a sua forma se manteve é um nome a ter em conta. Mark Padun é um joker muito grande, o ucraniano não tem correspondido às expectativas devido a muitas lesões.
Cofidis – Um alinhamento muito interessante, na máxima força. A corrida adapta-se bem a Guillaume Martin e a Jesus Herrada, mas o espanhol tem uma ponta final melhor. Simon Geschke, Fernando Barceló e Remy Rochas são excelentes gregários para proteger estes 2 líderes.
UAE Team Emirates – Inicialmente estavam previstos Rui Costa, Brandon McNulty e Rafal Majka, nenhum deles estará à partida. Diego Ulissi seria um grande favorito não estivesse com falta de ritmo competitivo, esta corrida é perfeita para ele. Sendo assim, pode ser uma grande oportunidade para Jan Polanc e Valerio Conti.
Ineos-Grenadiers – Uma equipa que parece um bocadinho “salve-se quem puder”. Ben Swift espera uma corrida pouco atacada e vai tentar sobreviver, Andrey Amador é completo, não sendo propriamente um ciclista de clássicas, sendo que Eddie Dunbar e Laurens de Plus estão longe da melhor forma, ao que parece.
Super-Jokers: Mikel Bizkarra e Krists Neilands.
Aposta: Vitória da Astana através do sempre fiável Luis Leon Sanchez.
A corrida terá transmissão televisiva no Eurosport, a partir das 14h, hora portuguesa.