Foi uma temporada razoável para os comandados de Marc Madiot, mesmo que algumas das principais figuras não tenham tido o protagonismo de outrora. Venceram mais de 20 corridas, pouco no World Tour e dá a sensação que o grupo está mais coeso, com David Gaudu a assumir o previsível papel de líder à falta de Thibaut Pinot.
Os dados
Vitórias: Um total de 22, apenas 2 no World Tour, e com Demare, Kung e Gaudu a levarem 18 ao todo
Pódios: 52 pódios, um número que até é bastante elevado
Dias de competição da equipa: 247 dias de competição
Idade média do plantel: 29,2 anos, muito pelo facto de ter vários corredores que militam na equipa há praticamente 1 década
Mais kms: Curiosamente um dos seus líderes, Arnaud Demare, com 11 628 kms
Melhor vitória: A de Arnaud Demare no Paris-Tours foi muito boa, mas a de David Gaudu na Volta ao País Basco consideramos ainda melhor, ao conseguir seguir Roglic na última subida e assim subir de 16º para 5º na última etapa.
O mais
Numa equipa com Pinot e Demare, não foram os conceituados franceses as figuras de destaque. David Gaudu, é preciso dizer, fez uma temporada soberba, talvez entre os 20 melhores ciclistas do ano. Ganhou a Faun Ardeche, ganhou a última etapa e fez 5º na Volta ao País Basco, foi 3º na Liege-Bastogne-Liege, 9º no Dauphine, 11º no Tour, 7º nos Jogos Olímpicos, venceu 1 etapa no Luxemburgo e ainda foi fazer 7º no Giro di Lombardia. Uma consistência ganha em 2021 que o fez andar bem o ano todo, parecendo ser uma arma com muita força nas clássicas e ainda com aspectos a trabalhar nas Grandes Voltas.
Stefan Kung foi outra das forças motrizes da equipa, esta força pelo puro poder que tem. Esteve entre os 3 melhores contra-relogistas no ano, ganhou na Volta à Comunidade Valenciana, foi campeão nacional, campeão europeu, ganhou na Volta a Suíça, fez 2º e 4º nos esforços individuais do Tour, foi 4º nos Jogos Olímpicos, 5º nos Mundiais e terminou ao levar a Chrono des Nations. Ainda assim, espera-se mais protagonismo de Kung nas clássicas, onde já andou muito bem.
Num plano mais secundário é preciso destacar o início de época de Jake Stewart, sendo 4º no Etoile de Besseges, 2º na Omloop e 6º na Nokere Koerse, depois eclipsou-se, mas deixou boas notas. Attila Valter fez um excelente Giro, mostrando bastante capacidade para corridas de 3 semanas e Valentin Madouas continua a ser um corredor muito fiável nas corridas internas, somou 1 triunfo e vários pódios.
O menos
Apesar de ter somado diversos triunfos, imensos pontos e de inclusivamente ter ganho o Paris-Tours, Arnaud Demare ficou a seco em 2021 no World Tour, algo que não pode acontecer para um líder de uma equipa destas e para um dos melhores sprinters do Mundo, até vencedor de Monumentos. Discreto nas clássicas, fez 1 pódio no Paris-Nice, 1 pódio na Vuelta e no Tour abandonou cedo, isto com o comboio de sempre e com a equipa a apostar nele.
Continua o calvário de Thibaut Pinot e vamos ver onde isto vai parar, porque o gaulês tem agora 31 anos e não parece ter a capacidade psicológica de voltar ao topo do ciclismo mundial. Conseguiu 2 top 10 no início da época, fez algumas corridas e voltou a parar, quando regressou ainda fez 7º na Volta ao Luxemburgo e 5º na Coppa Bernocchi, mas não são resultados dos quais Pinot se possa propriamente vangloriar. Num outro panorama, juntamente com o seu líder, tanto Rudy Molard como Sebastien Reichenbach não estiveram num bom plano em 2021.
O mercado
Foi das equipas que menos mexeu e não saiu nenhuma peça fundamental, saíram isso sim alguns ciclistas muito experientes como William Bonnet ou Mickael Delage e gregários que ocasionalmente fizeram exibições de luxo, como Benjamin Thomas e Alexys Brunel. A estes somam-se Simon Gugliemi e Romain Seigle.
Em relação a entradas, Quentin Pacher pode vir a ser importante no que toca a opções para corridas internas e ajudar Gaudu na montanha no World Tour, Bram Welten chega para ajudar o comboio de Demare e ter uma ou outra chance e Lewis Askey vem com pergaminhos de ser um excelente classicómano da categoria sub-23, um pouco na onda do seu compatriota Jake Stewart.
Michael Storer pode ser, potencialmente, a grande contratação. O australiano deslumbrou no final da sua estadia na Team DSM, e se continuar o nível demonstrado na Vuelta é um grande perigo na montanha e, possivelmente, uma enorme ajuda a Gaudu nos momentos críticos.
O que esperar de 2022?
Apostamos em mais uma época de qualidade de David Gaudu, especialmente nas clássicas. Vai ser um ano importante para a sua maturação e para saber se tem ou não capacidade para também grandes resultados nas Grandes Voltas. Dependendo dos resultados prévios não seria uma surpresa se Storer tivesse oportunidade de brilhar, no Giro por exemplo.
Parece-nos que, se Thibaut Pinot voltar a ter uma época destas, poderá considerar o abandono da modalidade, é muito complicado quando um ciclista deste gabarito entra nesta espiral negativa. Quanto a Demare, tem de ganhar confiança e, principalmente, ter confiança no seu comboio, vimo-lo muitas vezes a ser empurrado pelo pelotão abaixo e a perder a roda dos seus lançadores. Em relação a jovens a manter debaixo de olho, muito cuidado com Jake Stewart e Lewis Askey.