A equipa profissional americana acabou o ano na décima primeira posição do ranking, no entanto, foi a pior época de sempre, desde o seu aparecimento na estrada, em termos de vitórias.

 

Os dados

Vitórias: 11 vitórias, com Mollema e Ciccone a serem os principais protagonistas com duas cada.

Pódios:  43 pódios, com o mês de agosto a ser preponderante com oito lugares nos três primeiros.

Dias de competição da equipa: 252 dias de competição.

Idade média do plantel: 28,8 anos, com Markel Irizar a ser o elemento mais velho, com quase 40 anos.

Mais kms: Gianluca Brambilla com 13 240 km percorridos.

Melhor vitória: A vitória de Giulio Ciccone na etapa 16 do Giro de Itália.



O mais

O holandês Bauke Mollema é um corredor destemido, prova disso foi a sua fantástica vitória na Lombardia, um dos monumentos do ciclismo. Acabou o Giro de Itália no quinto lugar, conseguindo ainda alguns top ten. O Tour de França não lhe correu de feição, conseguindo apenas um quarto lugar numa etapa. Depois disso, nas clássicas de Outono andou bem. Fez 5.º na clássica de San Sebastián, top 10 no Grand Prix de Montréal e top dez nas clássicas Giro dell´Emilia, Gran Premio Bruno Beghelli e Milano-Torino.  Acabou por vencer as últimas duas provas que disputou: Il Lombardia e Japan Cup. No início do ano, tinha conseguido um sexto lugar assinalável na Flèche Wallonne.

Giulio Ciccone teve um ano de grande qualidade. Venceu no Giro de Itália, a etapa 16, com passagem no mítico Mortirolo e levou para casa a camisola azul da montanha no final da competição.  Foi, sem dúvida alguma, um dos principais entusiastas desta edição do Giro. Esteve perto de vencer no Tour, na etapa da La Planche des Belles Filles, só superado por Dylan Teuns. No entanto, acabou por vestir de amarelo durante dois dias depois dessa etapa. O último ciclista da Trek a ter vestido de amarelo no Tour, tinha sido Fabian Cancellara, em 2015. Em fevereiro, o italiano venceu a etapa dois do Tour Cycliste International du Haut Var, batendo nomes como Thibaut Pinot e Romain Bardet. Ao longo do ano, o ciclista ainda fez clássicas onde esteve a um bom nível.

De salientar, ainda, a boa prestação de Mads Pedersen. Como não? É só o campeão do mundo. O jovem de 23 anos tinha feito uma prestação razoável no Tirreno Adriático, mas nunca se tinha mostrado ao longo do ano. No dia 22 de setembro ganha o Grand Prix d´Isbergues, prova da categoria 1.1, de França. Passado uma semana, no dia 29, vence o campeonato do mundo de estrada. Vencedor surpresa, sem que ninguém esperasse uma vitória desta dimensão por parte do dinamarquês.

O belga Jasper Stuyven conseguiu levar a geral individual do Tour da Alemanha, fazendo top dez em todas as etapas. Conseguiu fechar por 24 vezes dentro do top ten ao longo do ano.



 

O menos

Mais um caso de doping, desta vez por parte do colombiano, Jarlinson Pantano, que acusou positivo. Mais uma vez, um ciclista a manchar a modalidade.

Na vertente competitiva, o australiano, Richie Porte,  já nos começa a habituar aos seus resultados menos conseguidos. Venceu pelo sexto ano consecutivo, a etapa de Willunga Hill, no Santos Tour Down Under, sendo um grande resultado, sem dúvida, mas não chega. Fez quinto, na geral individual do Tour da Califórnia e acabou em 11.º no Tour de França, será que chega?

Degenkolb também esteve aquém, com apenas uma vitória no Tour de la Provence. Fez 15 top ten durante a época, mas são números escassos para um ciclista que já ganhou a Milan-Sanremo e o Paris-Roubaix.



O mercado

O reforço sonante chama-se Vincenzo Nibali! O tubarão de Messina vai integrar o projeto da próxima temporada, assumindo-se como o líder de equipa. Consigo, tráz o seu irmão António Nibali, da Bahrain. A Trek foi buscar Kenny Elissonde para ajudar a cumprir os objetivos na montanha. O francês trabalhou muito nesta época que passou em prol dos seus líderes, dentro da INEOS. Na Trek, irá provavelmente ter mais o seu espaço.

A equipa foi ainda buscar Emils Liepins, o letão, da equipa Wallonie-Bruxelles para ajudar nos sprints. A equipa dinamarquesa Riwal Readynez vê sair Alexander Kamp para a Trek, ciclista que conquistou três vitórias na época, incluindo uma etapa no Tour do Yorkshire. É um nome a ter em conta para as clássicas dentro equipa americana no próximo ano.

No que toca a juventude, a equipa americana não se poupou. Contratou o campeão mundial de estrada, da categoria de junior, Quinn Simmons. O jovem ciclista, de apenas 18 anos, fechou em quarto no contrarrelógio individual dos campeonatos do mundo ( da sua categoria). Simmons conseguiu 13 vitórias em 2019, incluindo gerais e etapas, um feito extraordinário, visto que só teve 17 dias em competição. Para além disto, o ciclista é o campeão nacional americano de juniores, na especialidade de contrarrelógio.

A equipa da Trek quer reforçar-se bem no contrarrelógio. Prova disso é a contratação do campeão nacional britânico de contrarrelógio, da categoria de sub-23, Charlie Quarterman. Da equipa continental, Kometa Cycling, chegam Juan Pedro Lopez e Michel Ries.

Lopez fechou várias vezes dentro do top dez, em provas do calendário sub-23, nesta temporada. Ries fechou dentro do top ten, no Tour de l´Avenir, acabando a prova num honroso sétimo lugar.

A principal saída foi a de John Degenkolb. O alemão não fez a melhor época e procura agora um novo desafio, transferindo-se para a Lotto Soudal, em 2020. Fabio Felline também saiu da equipa, rumando à Astana. O ciclista italiano é um bom finalizador em grupos restritos, acaba por ser um elemento útil para a equipa cazaque. Fumiyuki Beppu saiu para a Nippo Delko One Provence, muito por causa do patrocínio japonês. O austríaco Michael Gogl rumou para a NTT Pro Cycling. Peter Stetina e Markel Irizar abandonaram a modalidade.



O que esperar em 2020?

Com a chegada de Vincenzo Nibali, a liderança passará a ser do italiano e de Mollema, com Porte pelo meio. O holandês já tem estatuto na formação americana e com a vitória na Lombardia enalteceu ainda mais. O problema aqui é que têm pouca gente capaz de os acompanhar em provas de três semanas. Niklas EG, Ciccone, Brambilla e Kenny Elissonde não deve ser apoio suficiente.

A equipa irá apostar acima de tudo, em clássicas, como de costume e irá procurar desenvolver os seus jovens corredores. Não sendo de esperar, uma melhoria muito grande em relação ao número de vitórias de 2019.

 

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