Uma equipa bem estabelecida internacionalmente e que em 2022 manteve o lugar face a 2021 em termos de ranking e que parece cada vez mais dependente do inevitável Mads Pedersen, que teve uma época excepcional.
Os dados
Vitórias: 19 triunfos, sendo que metade foi obtido pelo inevitável Mads Pedersen, o grande líder deste colectivo.
Pódios: 63 pódios no total e é uma formação que luta sempre por classificações secundárias.
Dias de competição da equipa: O somatório de todas as corridas em que a Trek-Segafredo participou deu 282 dias
Idade média do plantel: A ligeira renovação para 2023 entende-se porque a idade média é de 28,6 anos
Mais kms: Numa equipa relativamente dependente de Mads Pedersen, foi o dinamarquês a fazer mais quilómetros, com 13212 em competição.
Melhor vitória: Pela importância e pela persistência, o triunfo de Mads Pedersen no Tour, ainda por cima numa fuga onde todos sabiam que se levassem o ex-campeão do Mundo para a linha de meta, ele deveria ganhar
O mais
Mads Pedersen foi a grande estrela e o grande líder desta equipa, não só somou metade das vitórias, como não andou longe de fazer metade dos pódios também, com a saída de Nibali foi uma Trek-Segafredo extremamente dependente de Pedersen. O dinamarquês foi um dos 10 melhores ciclistas do ano, venceu 1 etapa no Tour e 3 na Vuelta, ganhou ainda no Etoile de Besseges e no Paris-Nice, só faltou brilhar ainda mais nas clássicas, onde foi 6º na Milano-SanRemo e 8º no Tour des Flandres, só faltou isso para ficar entre os 3/5 melhores do Mundo. Estabeleceu-se como um dos melhores sprinters, senão o melhor, em chegadas com alguma inclinação.
Mattias Skjelmose deu o salto para outro patamar competitivo, mostrando um nível incrível para o patamar europeu/continental. Foi 2º no Tour de L’Ain, levou para casa a Volta ao Luxemburgo, foi 3º no Tour de Wallonie, na Volta a Dinamarca e no Tour de la Provence. Misturou estes pódios com alguns resultados no World Tour, foi 16º na Volta a Catalunha e 8º na Clássica San Sebastian, para além do top 10 nos Mundiais. É um corredor extremamente completo, bom na alta montanha, capaz de se defender nos contra-relógios e não tem uma má ponta final.
Depois foi muito bom ver Edward Theuns a ser altamente competitivo na segunda metade da temporada, o seu melhor nível desde 2019. Juan Pedro Lopez foi uma agradável surpresa ao fechar o Giro no top 10, depois acusou fisicamente na Vuelta. Antonio Tiberi voltou a deixar algumas boas indicações ocasionais, nota-se que ainda está a procurar o seu espaço como ciclista e no plantel. Quinn Simmons voltou a fazer grandes exibições…falta apenas também uma pontinha de sorte para acompanhar com resultados.
O menos
Globalmente os trepadores da equipa estiveram muito abaixo do esperado, e nem falo de Bauke Mollema porque é preciso ver que o holandês ainda foi 7º na Lombardia e 4º em San Sebastian num ciclismo em que os vencedores têm uma média de idade muito nova e ele tem 36 anos. Falo de Giulio Ciccone (bem melhor do que 2021, ainda longe do nível de 2019 e do nível que se especula que pode alcançar nas Grandes Voltas), e de Gianluca Brambilla e Kenny Elissonde, eles que muitas vezes tiveram que colocar a cara ao vento em perseguições para Pedersen.
Obviamente que em termos de pontos e resultados o ano de Jasper Stuyven foi menos bom, só que o belga foi tão importante para a temporada de Pedersen que isso fica um pouco esquecido. Mesmo nas clássicas foi mostrando uma capacidade física assinalável, faltou apenas um pouco de sorte para pontuar com mais brilhantismo. Matteo Moschetti e Antwan Tolhoek voltaram a desapontar, não se conseguiram afirmar e Markus Hoelgaard teve um ano para esquecer com problemas de saúde, ele que tem potencial para ser muito importante no núcleo das clássicas.
O mercado
Foi um defeso de transição, as grandes mudanças ocorreram de 2021 para 2022 e neste mercado houve somente 5 saídas e 3 entradas até agora. Nenhuma das mexidas foi um grande líder e um grande nome, deixaram o plantel Alexander Kamp, Simon Pellaud, Gianluca Brambilla, Matteo Moschetti e Jakob Egholm. Brambilla já não tinha a influência do passado, Moschetti nunca conseguiu encontrar consistência e diria que Kamp é a maior perda dos 5, no caso para o bloco das clássicas.
Relativamente às entradas, é uma ligeira renovação, a formação norte-americana recrutou Natnael Tesfatsion, Mathias Vacek e Thibau Nys, todos abaixo dos 24 anos e todos demonstraram bom potencial no escalão sub-23, especialmente o explosivo Thibau Nys
O que esperar em 2023?
A Trek-Segafredo parte para a próxima época com Mads Pedersen como único grande líder, o dinamarquês tem tudo para voltar a fazer um ano excepcional, desta vez com obrigação de melhores resultados nas clássicas. Principalmente porque a equipa tem um potente bloco de apoio para esse tipo de provas composto por Jasper Stuyven, Alex Kirsch, Markus Hoelgaard, o próprio Quinn Simmons e ainda Vergaerde e Theuns. De resto, espero uma excelente época por parte de Simmons, que o norte-americano finalmente encontre os resultados e a eficácia que estão a faltar não obstante as boas exibições.
Nas Grandes Voltas há muitas incertezas, Mollema não caminha para novo e parece já estar focado nas clássicas e na conquista de etapas, Ciccone continua muito intermitente e não tem a consistência necessária para um top 10, apesar de representar um grande perigo na montanha. 2023 é tempo para a confirmação de Skjelmose ao mais alto nível, é o seu caminho natural, mas ainda tenho algumas dúvidas sobre a sua capacidade na alta montanha. Prevejo que Hoelgaard seja muito mais preponderante, não acho que Lopez faça um Giro igual a 2022 e estou com muita expectativa para ver o que conseguem Tiberi, Hoole e Baroncini, podemos fechar 2023 a nomeá-los para revelação do ano.