Um ano onde as grandes figuras tiveram que pegar na batuta e assumir as despesas da equipa. A Lotto Soudal sentiu falta das provas por etapas e semi-clássicas belgas, não conseguindo os mesmos resultados de outros anos. Mesmo assim, ao nível World Tour, a temporada foi bastante positiva, com vitórias espetaculares.



Os dados

Vitórias: 12 triunfos, 8 deles conseguidos no World Tour, um rácio muito positivo

Pódios: 27 pódios, 14 deles no World Tour e, muitos deles, em Grandes Voltas

Dias de competição: 159 dias de competição, num ano praticamente centrado na Europa e sem muitas competições belgas

Idade média do plantel: 28,8 anos, um plantel que mistura a juventude belga com a muita experiência de corredores como Tomasz Marczynski, Philippe Gilbert e Adam Hansen (todos com mais de 36 anos)

Mais kms: quem mais? Thomas de Gendt, com 10 821 kms

Melhor vitória: Entre as etapas conquistadas por Caleb Ewan e Tim Wellens no Tour e na Vuelta, respetivamente, é difícil escolher, mas pela espetacularidade recordamos o triunfo do Pocket Rocket na etapa 11 na Volta a França

 

O mais

Grande época de Caleb Ewan, um dos melhores sprinters do ano claramente, e só à sua conta a Lotto-Soudal somou 7 triunfos. Tem o seu estatuto mais que consolidado, ganhou o ano todo, 3 antes da paragem e 4 depois da paragem, inclusivamente 2 etapas no Tour onde a concorrência estava fortíssima. Se quiser almejar a camisola verde precisa de mais consistência, a vitória na Scheldeprijs foi muito importante para a sua confiança nas clássicas belgas.



Que bom foi ver John Degenkolb a um nível muito próximo do seu melhor, terminando a época com 1 etapa na Volta ao Luxemburgo, 10º no BinckBank Tour, 6º na Gent-Wevelgem, 9º no Tour des Flandres e 4º na Driedaagse Brugge-De Panne. Com este boost de confiança poderemos ter um excelente Degenkolb em 2021. A temporada de Tim Wellens nem estava a ser nada de especial até à Vuelta, quem ganha 2 etapas numa Grande Volta merece obviamente o destaque. Nota ainda para alguns jovens interessantes que deixaram a sua marca: Gerben Thijssen nos sprints da Vuelta, Harm Vanhoucke no Giro e Florian Vermeesch nas clássicas.

 

O menos

Não foi uma surpresa a quebra de rendimento de Philippe Gilbert, é o que normalmente acontece a quem sai da Quick-Step e os 38 anos também não ajudam. Para além disso também teve muito, muito azar com quedas no Tour e no BinckBank Tour que não o deixaram alinhar nas clássicas. Thomas de Gendt não esteve tão eficaz nem tão poderoso como em anos anteriores, só mostrou rasgos de genialidade no Giro e mesmo isso não foi suficiente.

Jasper de Buyst continua a ser muito irregular, excelente em 2017, razoável em 2018, muito bom novamente em 2019 e em 2020 mal se viu nas provas mais importantes. Tosh van der Sande também teve uma época muito complicada, enquanto Carl Fredrik Hagen foi uma sombra do que mostrou em 2019, apenas 42º no Giro quando tinha sido 8º na Vuelta no ano passado. Esperava-se que Steff Cras crescesse num ambiente mais favorável ao jovem belga, mas nunca chegou a aparecer em competição a bom nível.



 

O mercado

Há aqui um claro virar de página na Lotto-Soudal, um grande rejuvenescimento do plantel saindo 6 ciclistas com 29 anos ou mais, nomeadamente Nikolas Maes, Jelle Wallays, Adam Hansen, Sander Armee, Carl Hagen e Brian van Goethem, um núcleo importante ao qual se juntam também Stan DeWulf e Remy Mertz, que tinham alguma influência dentro da equipa. Jonathan Dibben e Rasmus Iversen foram apostas falhadas e que saem naturalmente.

De entrada estão nada mais nada menos que 5 ciclistas da Lotto-Soudal sub-23, é verdade que alguns com referências importantes, mas realisticamente só se poderá esperar algum rendimento destes corredores em 2022. Quanto aos outros 4 reforços, Filippo Conca é outro jovem de 22 anos, que fez 5º no Baby Giro, Kamil Malecki é um rolador proveniente da CCC, Sylvain Moniquet mais um jovem de 22 anos que fez 7º na Ronde de l’Isard e Andreas Kron aquele que tem mais experiência, apesar de também ter apenas 22 anos, foi 5º na Volta ao Luxemburgo em 2020 e 5º na Volta a Bélgica e nos Mundiais sub-23 em 2019, um puncheur com boa ponta final.

 

O que esperar de 2021?

Antevemos que a equipa poderá ter algumas dificuldades na próxima época, até esta nova geração que está a entrar amadurecer e também ganhar outro espírito de equipa, é que a Lotto-Soudal apresenta 16 ciclistas abaixo dos 25 anos e por vezes junto dos grandes líderes é preciso estar gente experiente, vai estar mais peso em cima de Tosh van der Sande, Thomas de Gendt ou Jasper de Buyst para ajudar Wellens, Gilbert e Ewan, que mantém o seu fiel lançador, Roger Kluge.



Depois da época de revelação é preciso ter muito cuidado com Harm Vanhoucke, Florian Vermeesch e Gerben Thijssen, todos parecem ter oportunidade para liderar a equipa nos seus terrenos em algumas provas, e gostaríamos de juntar também o italiano Stefano Oldani, que deixou excelentes indicações no Giro e Kobe Goossens, que acabou a Vuelta em 24º. No entanto, esperamos que os resultados desta aposta de futuro comecem a surgir mais em 2022.

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