A Bahrain-Victorious passou de uma equipa que estava de forma consistente entre as 10 melhores do Mundo para estar entre as piores do World Tour em 2024, Passou de rondar os 20 triunfos para os 13 e nas Grandes Voltas não ganhou qualquer etapa. Vai ser difícil fazer pior em 2025, num ano que marcará a estreia de Afonso Eulálio na elite mundial.
Os dados
Vitórias: 13 triunfos, dos quais apenas 4 no World Tour e 2 campeonatos nacionais.
Pódios: 53 lugares de pódio ao longo do ano
Dias de competição da equipa: 232 dias de corrida, o que é muito pouco, tendo em conta que 63 são das 3 Grandes Voltas.
Idade média do plantel: 28,8 anos, dos planteis mais envelhecidos do World Tour, tiveram 12 corredores acima dos 30 anos em 2024.
Mais kms: Edoardo Zambanini foi o único que acabou com mais de 12 000 kms e terminou mesmo acima dos 13 000 kms.
Melhor vitória: Complicado escolher, vamos com Santiago Buitrago na etapa 4 do Paris-Nice, quando segue na companhia de Luke Plapp e deixa o australiano para trás nos 2 kms finais perante uma concorrência de peso na perseguição.
O mais
Há 2 grandes notas positivas a fazer sobre esta Bahrain-Victorious. A primeira delas é Antonio Tiberi, que fez uma temporada extremamente regular e competente num ano de reinvenção depois de ter sido despedido da Lidl-Trek a meio de 2023 após um episódio fora de competição. 8º na Volta a Catalunha, 5º no Giro, abandonou a Vuelta quando era 4º na geral e ainda foi ganhar a Volta ao Luxemburgo, mostrou que tem condições para ser um dos grandes líderes desta equipa.
A outra nota é para Edoardo Zambanini, que finalmente mostrou o nível que se esperava dele. 7º na Volta a Polónia e no Tour of Britain, faz top 10 nas 2 clássicas do Canadá e ainda 4º na Cro Race. Uma pequena nota ainda para Matevz Govekar, que continuou a somar bons resultados a espaços, dá ideia que tem potencial para ser muito mais consistente e fazer ainda melhor.
O menos
Houve um leque de trepadores em claro subrendimento, especialmente Damiano Caruso, alguém que noutras temporadas era sempre um perigo nas provas por etapas e nas Grandes Voltas em geral. O veterano italiano de 37 anos talvez tenha acusado essa veterania porque não só esteve muito apagado, como não conseguiu qualquer pódio ao longo do ano quando, no papel, era um dos líderes. Jack Haig continua a desapontar, somou apenas 257 pontos e cerca de um terço foi logo em Janeiro, no Tour Down Under, mal se viu no Tour e na Vuelta, o contrato com a Bahrain termina no final de 2025 e a continuar assim dificilmente vai renovar.
Pello Bilbao não realizou propriamente uma má temporada, esteve dentro do nível de 2020 e 2021, mas longe do nível obtido em 2022 e 2023, foi essa a grande diferença. Esta época foi essencialmente mais irregular, ainda assim fez 2º no G.P. Montreal e 3º no UAE Tour, mas nas competições francesas como Paris-Nice e no Tour esteve bastante apagado. Matej Mohoric também não esteve no seu nível habitual, muito longe de qualquer vitória no Tour, apenas esteve perto de disputar grandes corridas na Milano-Sanremo e na Strade Bianche. Numa estrutura deste género faz muita diferença a performance de corredores como Bilbao ou Mohoric, sendo que estes 2 últimos não estiveram propriamente mal, só piores que no ano passado.
O mercado
Foi um defeso muito aleatório por parte da Bahrain-Victorious, mas também verdade seja dita, dos ciclistas que perdeu talvez o mais impactante seja Wout Poels e o neerlandês também não era propriamente conhecido pela sua consistência. Dos corredores que entram, 5 deles são da equipa de formação, jovens com bons resultados entre os sub-23, sem deslumbrar ninguém. Afonso Eulálio é mais um elemento um bocadinho estranho, primeiro português de sempre nesta estrutura, dá o salto directamente de uma equipa Continental para o World Tour, nem ele nem a equipa saberão o que esperar de uma primeira época de adaptação, Paasschens não tem grande resultados de relevo internacional.
As 2 grandes apostas no que toca a reputação são mesmo Lenny Martinez e Vlad van Mechelen. O belga é muito jovem, apenas 20 anos, mas é rotulado como uma das grandes promessas do ciclista belga no que toca a sprints e clássicas, foi 5º no Paris-Roubaix sub-23 este ano, já Martinez é um trepador que estava na Groupama-FDJ, assina por 3 épocas e supostamente era pretendido por mais equipas. Já fez top 10 em clássicas importantes, em corridas de 1 semana do World Tour e isto apenas aos 21 anos, mas a longo prazo terá sempre o problema do contra-relógio nas Grandes Voltas. Ele tem pouco mais do que 50 quilos e num esforço a maior velocidade sente dificuldades.
O que esperar de 2025?
Nem o nível real da Bahrain é este de 2024, nem é o de 2023, em que ficaram no 6º lugar do ranking. Diria que a equipa deveria rondar, pelo plantel que tem, um lugar entre o 8º e 0 12º. A questão é que não existe profundidade do plantel, olhando para o deste ano seria expectável que 15 ciclistas não obtivessem qualquer resultado de relevo e depois quando é necessário também têm pouca capacidade para ajudar nos momentos chave. A juntar a isso, a Bahrain não é equipa de fazer um calendário alargado nas clássicas belgas e francesas, portanto quando ciclistas como Bilbao ou Mohoric têm uma temporada menos feliz nas corridas mais importantes, isso faz-se logo sentir muito mais do que numa estrutura que tenha mais opções para liderar.
Dito isto, espero em 2025 ver a Bahrain mais acima no ranking. O bloco composto por Bilbao, Buitrago (deveria estar mais focado nas clássicas das Ardenas), Caruso, Martinez e Tiberi, com a ajuda de Haig e Traeen na montanha não é nada mau. Depois nas clássicas dá a ideia que Mohoric fica por vezes um pouco sozinho de mais, veremos a ajuda que Stannard e Wright poderão dar. Ns sprints Bauhaus continua a ser o grande líder nesse departamento e muito dependerá depois da evolução de Govekar, Bruttomesso e Mechelen, sendo que Bruttomesso pode ser uma das surpresas do ano. Faltam mais bons roladores para ajudar, Pasqualon e Arndt não chegam para tudo.