Seguimos por França com a B&B Hotels-Vital Concept. Pela primeira vez na sua história, a equipa de Jerome Pineau foi convidada para o Tour de France, num ano fraco em termos de vitórias (o número mais baixo de sempre) e onde quase todas as principais figuras desiludiram.
Os dados
Vitórias: 4 triunfos, com dois deles conseguidos no escalão .1
Pódios: 13 pódios, 2 conseguidos no World Tour, ambos no Tour de France
Dias de competição da equipa: 109 dias, devido à enorme variada de competição, em diversos continentes, feita no início da época
Idade média do plantel: 29,6 anos, numa equipa com 12 ciclistas com 30 ou mais anos
Mais kms: Cyril Barthe com 8542 kms percorridos, divididos por 51 dias de competição
Melhor vitória: O triunfo de Bryan Coquard na 1ª etapa da Route d’Occitanie, onde derrotou, ao sprint, Elia Viviani e Sonny Colbrelli
O mais
Mesmo num ano com poucos triunfos, Bryan Coquard continuou a ser um dos destaques da equipa. Venceu na Route d’Occitanie, foi vice-campeão nacional francês, 3º na Scheldeprijs e, no seu grande objetivo, somou 7 top-10 no Tour de France.
Aos 34 anos, Pierre Rolland mostrou-se, pela primeira vez, em algum tempo. Vencedor do Tour de Savoie Mont Blanc, onde ganhou uma etapa, somou dois top-5 no Tour de France e foi 14º no Dauphine. Quentin Pacher foi igual a si próprio, regular nas provas por onde esteve, e Luca Mozzato seis top-10 em chegadas ao sprint.
O menos
Tom-Jelte Slagter e Arthur Vichot eram dois dos ciclistas mais experientes, com nível World Tour durante muitos anos, mas os dois juntos somaram apenas 2 top-10. Resultados muito fracos para ambos os veteranos.
Jens Debusschere assumiu o papel de lançador de Bryan Coquard mas nas provas em que teve oportunidade não conseguiu destacar-se com resultados de relevo. Especialista de clássicas, Frederik Backaert nunca conseguiu confirmar o estatuto de reforço.
O mercado
Muitas movimentações nos bastidores da equipa francesa, com 8 saídas colmatadas com outras tantas entradas. De uma só assentada, Tom-Jelte Slagter, Arthur Vichot, Kris Boeckmans, Arnaud Courteille e Jimmy Turgis vão retirar-se, sendo que Adrien Garel, Justin Mottier e Johan le Bom ainda não têm destino para 2021.
Mantendo a identidade francesa, Jerome Pineau olhou para o mercado interno e contratou 6 nomes gaulesas. Jonathan Hivert é uma caixinha de surpresas, quando está bem consegue derrotar os melhores. Cyril Lemoine será um dos capitães na estrada, partilhando muito da sua experiência. Franck Bonnamour e Quentin Jauregui são dois ciclistas de equipas, dois excelentes gregários, que se adaptam ao terreno ondulante.
Thibault Ferasse e Alan Boileau são dois jovens, o primeiro mais virado para as clássicas e o segundo um trepador muito promissor. Do estrangeiro chegam o italiano Nicola Bagioli e o belga Eliot Lietaer. O primeiro é um classicómano, um típico corredor transalpino, que passa bem as dificuldades e tem uma boa ponta final. O segundo é um trepador bastante regular.
O que esperar de 2021?
A Vital Concept abandonou o projeto, deixando a B&B Hotels como único patrocinador, o que levou a um investimento mais controlado mas mesmo assim acreditamos que, se correr dentro da normalidade, a equipa estará melhor que em 2020.
Bryan Coquard terá que assumir a batuta, terá que conseguir mais vitórias, transformando alguns dos seus pódios em triunfos, não só nas provas por etapas mas também nas clássicas. Tem um bloco sólido para o ajudar.
Pierre Rolland continuará a ser a referência na montanha mas já não caminha para novo, o que tornará uma tarefa muito complicada em conseguir grandes triunfos. Eliot Lietaer terá que se assumir. Acreditamos que Quentin Pacher continuará a ser regular e vamos ver do que será capaz Jonathan Hivert. Olho nos jovens Nicola Bagioli, Jeremy Lecroq e Luca Mozzato.