Iniciamos hoje a nossa habitual rúbrica das “Melhores Equipas do ano”, que nos vai levar durante 1 mês a analisar a performance das principais formações do ciclismo. Será publicada 1 equipa por dia, do 30º para o 1º lugar, tendo como ponto de partida o UCI World Ranking, mas fazendo algumas alterações que considerámos pertinentes, pensando no desempenho global vs as expectativas.



Como já é tradição o 30º lugar foi para a melhor equipa Continental do ano, costumamos atribuir essa relevância pois muitas vezes as equipas Continentais ficam todas abaixo dessa posição, tal como aconteceu em 2021. De referir que entre as formações do 3º escalão do ciclismo mundial a W52-FC Porto foi 4ª. A equipa em questão é a HRE Mazowske Serce Polski, uma estrutura que existe desde 2017, na altura com o nome de Team Hurom.

O ciclismo polaco cresceu imenso nos últimos 10 anos, impulsionado por grandes resultados ao mais alto nível, nomeadamente o título mundial de Michal Kwiatkowski. A Polónia neste momento tem muitas competições em termos de provas U.C.I, o que também permite a estas equipas somarem muitos pontos e o final da CCC Team veio revolucionar o mercado interno e aumentar o leque de opções até para as Equipas Continentais. A Mazowske entrou para 2021 com um plantel extenso para este nível, 16 corredores, e ainda o alargou com a entrada de Mihkel Raim em Fevereiro, um corredor claramente a correr abaixo do seu nível.

 

Os dados

Vitórias: 14 ao todo, a maioria em provas no centro e leste europeu. 1 campeonato nacional e 3 corridas na categoria .1. Praticamente dois terços foram na segunda metade do ano.

Pódios: 35 pódios, a equipa foi sempre relevante nas corridas em que participou.

Dias de competição da equipa: 123 dias de corrida divididos por 45 provas, um calendário bem preenchido.

Idade média do plantel: 27,9 anos, o que mostra bem a experiência global do plantel e a mudança drástica que vai acontecer.

Mais kms: Piotr Brozyna com 9485 kms, houve 3 corredores acima da barreira dos 9000 kms.

Melhor vitória: A de Mihkel Raim na Belgrade Banjaluka, porque o levou a conquistar também a classificação geral na corrida bósnia.




O mais

Os sprinters estiveram em destaque, o plantel foi montado para isso mesmo, também tendo em conta as características das provas locais. O comboio era bom e Mihkel Raim aproveitou esta segunda vida a que teve direito para somar 5 triunfos, o mais importante em Abril, na Belgrade Banjaluka, ao vencer a etapa final conseguiu também conquistar a geral de uma corrida da mesma categoria que a Volta a Portugal.

O talentoso Alan Banaszek, apenas com 24 anos e com passagem pela Caja Rural em 2019, foi outra figura de proa. Comparativamente com Raim é mais um puro sprinter, e também picou o ponto por 5 vezes, sempre em corridas com menos visibilidade que Raim. Ainda assim, o que impressiona mais é a regularidade, assinando com 3 dezenas de top 10. Jakub Kacmarek apareceu de rompante em 2020 e manteve o nível em 2021, ganhou a Turul Romaniei e 1 etapa no CCC Tour, é um dos trepadores da equipa.

 

O menos

Esperava-se mais de alguns ciclistas que já passaram por equipas de escalões superiores. Karol Domagalski não conseguiu repetir 2016 e 2017, foi uma sombra dele mesmo e decidiu retirar-se no final deste ano. Piotr Brozyna surpreendeu em algumas corridas na montanha no ano passado, só que nesta época nem um pódio conseguiu alcançar, mesmo em provas internas, ele que esteve na CCC entre 2015 e 2018.



O corredor do qual esperávamos claramente mais é Pawel Bernas, vencedor da Volta ao Alentejo em 2015 e que correu na CCC em 2018 e 2019. O experiente polaco de 31 anos é bastante possante e completo e faltou mostrar irreverência em 2021. Teve uma oportunidade de ouro para ganhar no Alpes Isere Tour, e perdeu para Emil Toudal, sendo também vítima ao longo do ano de ter de participar em perseguições para os seus sprinters muitas vezes.

 

O mercado

Nestas equipas o habitual é o mercado estender-se um pouco mais, para já estão confirmadas 7 entradas, todos eles com 20 anos ou menos, dos quais se destacam Kacper Gieryk e Dominik Gorak, pelos resultados nas camadas jovens. Kurek e Domagalski vão-se retirar do ciclismo e Mihkel Raim vai voltar para o escalão Profissional Continental, mas esperam-se mais saídas confirmadas nos próximos dias.

 

O que esperar de 2022?

Com tantos jovens a serem contratados a Masowsze vai passar por uma transformação na próxima temporada e é de esperar que os resultados não sejam tão bons como em 2021. Muito dificilmente vão repetir este lugar no ranking, até porque principalmente as equipas austríacas estão com um plantel fortíssimo. A manutenção de Brozyna e Kaczmarek é muito importante, mas crucial será saber se Alan Banaszek fica ou sai.




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