É tempo para a melhor equipa francesa do nosso ranking. Tal como nas últimas épocas, a AG2R Citroen tornou-se a formação de referência no país gaulês, num ano onde vários nomes deram um salto qualitativo muito importante, conseguindo resultados inesperados para a própria estrutura.
Os dados
Vitórias: 12 triunfos, incluindo triunfos nas 3 Grandes Voltas.
Pódios: 45 pódios, mais de metade deles conseguidos em competições francesas.
Dias de competição da equipa: 243 dias, um calendário muito competitivo, com corridas em quatro continentes
Idade média do plantel: 28,3 anos, um plantel bastante equilibrado.
Mais kms: O antigo campeão olímpico Greg van Avermaet com 12 907 km percorridos.
Melhor vitória: O triunfo de Ben O’Connor na chegada em alto a Tignes no Tour de France, que o catapultou para uma excelente classificação final.
O mais
Ninguém iria adivinhar no início da temporada que Ben O’Connor seria um dos destaques da AG2R Citroen. 6º no Tour de Romandie e 8º no Dauphiné, antecederam o brilharete no Tour de France, onde foi 4º e venceu uma etapa. A qualidade do trepador australiano está lá, está numa equipa com boa ambiente, tem tudo para resultar.
Benoit Cosnefroy continua a evoluir a olhos vistos, o francês já é um dos melhores puncheurs do pelotão, venceu por 3 vezes esta temporada, incluindo a Clássica de Plouay à frente do campeão do Mundo Julian Alaphilippe, algo que não é conseguido por qualquer um! Dorian Godon é sempre um ciclista fiável, andou bem todo o ano e prova disso foi o triunfo final na Taça de França.
Aurélien Paret-Peintre e Clement Champoussin são jovens ainda em crescimento que, aos poucos, começam a mostrar excelentes resultados. Andrea Vendrame e Geoffrey Bouchard foram bastante combativos. Por fim, Greg van Avermaet salvou-se com um pódio no Tour de Flandres, um resultado nada habitual dentro desta estrutura.
O menos
Oliver Naesen partiu para esta temporada com menos pressão, o bloco de clássicas estava reforçado, dando mais opções à equipa. Apesar de tudo isto, os resultados não apareceram e o belga teve uma temporada muito fraca para o que lhe é habitual. Clement Venturini não é um corredor muito ganhador mas na Taça de França costumava andar sempre na disputa dos primeiros lugares, algo que não se sucedeu com regularidade.
Bob Jungels foi uma das grandes contratações para a nova temporada e mal se viu, talvez quando se tenha visto estava a descolar do pelotão. Zero top-10 numa temporada para esquecer para o luxemburguês. Já começa a ser normal, mas de uma ciclista como Tony Gallopin espera-se sempre mais, os seus melhores anos já passaram. O sprinter Marc Sarreau podia ter dado mais nas provas francesas.
O mercado
As equipas francesas tendem a mexer sempre pouco no seu plantel e a AG2R Citroen não fugiu à regra para a nova época. Julien Duval, Mathias Frank e Ben Gastauer abandonam a modalidade ao passo que Tony Gallopin, Alexis Gougeard e François Bidard abraçam novos projetos, em saídas que nada abalam o núcleo duro da equipa.
As entradas são poucas e focadas na juventude e no desenvolvimento de novos talentos. Paul Lapeira e Valentin Paret-Peintre chegam da equipa de desenvolvimento, Antoine Rugel chega da equipa de desenvolvimento da FDJ e Felix Gall vem da Team DSM.
O que esperar de 2022?
O núcleo duro mantém-se inalterado e depois das exibições conseguidas em 2021, Ben O’Connor ganhou a liderança nas grandes provas por etapas e nas Grandes Voltas. O bloco de montanha não é o melhor mas o australiano sabe desenrascar-se.
Acreditamos que Benoit Cosnefroy continue a sua evolução, esteja ainda mais na luta das clássicas e de etapas que lhe assentam muito bem, tem tido um crescimento bastante sustentável. Clement Champoussin, Doria Godon e Aurelien Paret-Peintre podem dar muitas dores de cabeça nas provas do circuito europeu. Greg van Avermaet e Oliver Naesen tem mais uma oportunidade para brilhar nas clássicas do empedrado, se voltam a falhar a confiança da equipa será menor, a qualidade está lá mas a idade e a nova geração não ajudam.