Depois de uma temporada terrível foi o renascer a EF Education First. Com quase 2 dezenas de triunfos foi a melhor época desde 2014, quando a esta estrutura, liderada por Jonathan Vaughters, se chamava Garmin Sharp.

 

Os dados

Vitórias: 16 triunfos, nem é muito, mas a grande maioria foi em provas de alto gabarito.

Pódios: 56 pódios, um número assinalável. Houve uma grande distribuição e quem somou mais foi Sergio Higuita, com 8.



Dias de competição da equipa: 254 dias de corrida, nem é muito para uma equipa do World Tour.

Idade média do plantel: 28,4 anos, em 2019 havia mais de 1 dezena de trintões na equipa.

Mais kms: 13348 kms do veterano Tanel Kangert.

Melhor vitória: Ganhar um Monumento é especial, poucos ciclistas têm um feito destes no seu palmarés. O triunfo de Alberto Bettiol no Tour des Flandres, também pelo desempenho global da equipa nesse dia.

 

O mais

Há muitos ciclistas a destacar pela positiva, mas sem dúvida há que ressalvar 2 deles. O primeiro é Sergio Higuita, o talentoso colombiano esteve “emprestado” à Euskadi na fase inicial da época, mostrou grande valor e entrou de rompante. Foi 2º na Volta à California, 4º na Volta à Polónia e fez 14º na Vuelta ganhando 1 etapa na 3ª semana. Isto tudo aos 22 anos, é um talento em bruto com um enorme potencial, tem contrato até 2021 e em 2020 já será certamente um dos líderes da equipa.

Alberto Bettiol deu à EF Education First um dos maiores triunfos da história desta estrutura. Com um genial ataque me solitário o italiano ganhou o Tour des Flandres, naquela que é ainda a única vitória da sua carreira. Ainda foi 11º no Tirreno-Adriatico, 4º na BinckBank Classic e 6º na Brabantse Pijl, não conseguindo manter o nível para a parte final do ano.



Michael Woods voltou a estar muito bem, particularmente na fase final do ano, quando fez 2º no Giro dell’Emilia, 5º no Giro di Lombardia e ganhou a Milano-Torino. Um pouco apagado no Tour continua a ser um activo muito importante nas clássicas. Foi também a melhor época da carreira de Simon Clarke aos 33 anos, sendo 9º no BinckBank Tour, 2º na Amstel Gold Race, 9º na Milano-Sanremo, 8º no Tirreno-Adriatico e 2º no Tour de la Provence.

 

O menos

A maior nota negativa vai mesmo para Sacha Modolo, que está de saída para a Corendon-Circus. O italiano era um dos principais sprinters da equipa e para além de não ter conseguido ganhar em 2019 só somou pódios em competições de menor categoria UCI.

Rigoberto Uran também não teve propriamente um grande ano, afectado por algumas quedas e azares ainda foi 7º no Tour e depois abandonou cedo na Vuelta e no Paris-Nice. Aos 32 anos a sucessão de Uran pode estar à porta com Higuita e Martinez na equipa. Tejay van Garderen teve o ponto negativo da época nas Grandes Voltas, abandonando no Tour e na Vuelta, depois de ter conseguido terminar o Dauphine em 2º.




O mercado

Foi um defeso relativamente calmo, a equipa não perdeu nenhum dos grandes líderes. Houve essencialmente substituição de sprinters com as saídas de Sacha Modolo e Daniel McLay e as entradas de Kristoffer Halvorsen e Magnus Cort (este último mais que somente um sprinter). Deixam a formação norte-americana Matti Breschel e Taylor Phinney, 2 especialistas em clássicas, entrando para o seu lugar Jens Keukeleire, que também tem muita experiência com ele.

Em relação às colinas e à montanha saem 2 corredores que de uma forma geral se esperava mais: Joe Dombrowski e Nathan Brown. É contratado Neilson Powless, que também tem boa capacidade no contra-relógio, Stefan Bissegger, que é um jovem com imenso potencial (vice-campeão do Mundo de sub-23, bom na média montanha e nos contra-relógios, muito completo) e ainda Ruben Guerreiro, que é mais uma opção válida tanto para as clássicas como nas provas de 1 semana. O reforço mais desconhecido é Jonas Rutsch, alemão de 21 anos que parece ser um clássico puncheur, este ano ganhou a Gent-Wevelgem para sub-23 e foi 5º no Tour des Flandres do mesmo escalão.

 

O que esperar para 2020?

A EF Education First tem um bom dilema que é ter vários ciclistas com capacidade de liderar a equipa numa Grande Volta, resta saber como fará a distribuição das provas. Hugh Carthy lutou pelo top 10 no Giro aos 24 anos, Rigoberto Uran é a aposta segura, enquanto que Sergio Higuita tem um potencial tremendo como mostrou na Vuelta. Ainda existe a incógnita Daniel Martinez e os veteranos Tanel Kangert e Tejay van Garderen que terão mais uma tarefa de ajudar os líderes. Michael Woods é um joker neste campo, parece bem mais talhado para as clássicas, mas já fez 7º na Vuelta.



Para as clássicas do empedrado o alinhamento parece assustadoramente forte. Com Sep Vanmarcke e Alberto Bettiol à cabeça ainda existem Jens Keukeleire, Moreno Hofland, Sebastian Langeveld, Magnus Cort e eventualmente Simon Clarke, será um dos blocos mais coesos neste tipo de competições. Acreditamos que Ruben Guerreiro terá algumas oportunidade de mostrar o seu valor, corridas como o G.P. Plouay, a Amstel Gold Race ou as clássicas canadianas são perfeitas para ele.

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