A equipa conseguiu um bom número de vitórias na presente temporada, mas poucas no WorldTour. Um ano que ficou marcado pelas boas prestações de Giulio Ciccone nas Grandes Voltas e pelo grande triunfo de Jasper Stuyven no primeiro monumento do ano.
Os dados
Vitórias: 19 triunfos, dos quais dois são WorldTour
Pódios: 71 pódios, acaba por ser um bom número para a equipa
Dias de competição da equipa: 243 dias, um calendário muito competitivo, com corridas em quatro continentes
Idade média do plantel: 27,7 anos, o elemento mais novo é Antonio Tiberi, com 20 anos, enquanto que Koen de Kort é o mais experiente, com 39 anos.
Mais kms: O neerlandês Bauke Mollema, com 13 061 km percorridos.
Melhor vitória: A vitória categórica de Jasper Stuyven na Milan-Sanremo. Não teve medo de arriscar, a 3 quilómetros do fim, perante os teóricos favoritos, e acabou por conseguir arrebatar o seu primeiro monumento.
O mais
Uma das figuras da equipa foi Jasper Stuyven. O corredor belga conquistou o primeiro monumento da carreira, a Milano-Sanremo, com grande classe. Fez top dez na Dwars door Vlaanderen – A travers la Flandre, top cinco no Tour de Flandres, 7.º na Bretagne Classic, 3.º posto na Primus Classic e no Paris-Tours e 4.º na prova de estrada do Campeonato do Mundo. No total fez dezasseis top dez ao longo da temporada.
Bauke Mollema continua a ser um dos nomes referência da equipa. Em 2021, o ciclista de 35 anos conseguiu obter três vitórias: 1.ª etapa do Tour dos Alpes Marítimos, Trofeo Laigueglia e etapa 14 do Tour de França. No GP Industria & Artigianato, o ciclista da Trek perdeu apenas para Mauri Vansevenant. Andou bem em várias clássicas em que participou, na Liège-Bastogne-Liège, acabou no oitavo lugar, 7.º no Giro dell´Emilia, 11.º na Flèche Wallonne e 7.º no Gran Premio Miguel Indurain. Vimos um Mollema mais à caça de vitórias e pontos, do que propriamente na luta pelas classificações gerais. O seu melhor resultado em gerais foi mesmo a 3.ª posição alcançada no Tour dos Alpes Marítimos.
Mads Pedersen conseguiu arrecadar três vitórias: na clássica belga Kuurne-Bruxelles-Kuurne, na segunda etapa do Tour da Dinamarca e na terceira etapa do Tour da Noruega. Foi o segundo ciclista da equipa com mais top dez, apenas a seguir a Mollema, com 20.
Um dos nomes que se destacou na luta pelas gerais foi Giulio Ciccone. O italiano abdicou da maioria das clássicas em que costuma participar, para estar presente no Giro e na Vuelta como um dos líderes. Estava a ter uma ótima prestação em ambas as provas, mas o azar bateu-lhe à porta e acabou por cair, levando ao seu abandono nas duas provas, sempre na última semana. Ainda assim, foi dos corredores com mais top dez na equipa.
Dos jovens, Quinn Simmons foi um nome que se destacou. O ciclista de 20 anos demonstrou bastante irreverência e combatividade ao longo da época, o que lhe valeu a vitória na etapa três do Tour da Valónia e consequente conquista da geral. Mattias Skjelmose Jensen foi outro nome em grande evidência. O jovem dinamarquês mostrou-se a grande nível nas gerais de diversas provas, alcançado resultados surpreendentes: 6.º no UAE Tour, 15.º no Tour da Romandia, 5.º no Tour de l´Ain, 8.º no Tour da Dinamarca e 7.º no Tour da Noruega. Esta foi só a sua primeira época no WorldTour. Por fim, o espanhol Juan Pedro López mostra-se capaz de subir com um grupo restrito e com os melhores, prova disso foi o seu 13.º posto na classificação final da Vuelta.
O menos
É normal os fãs de ciclismo olharem para Vincenzo Nibali com grandes expetativas, por isso, esta época nunca poderá ser considerada boa, para o que o italiano já nos habituou. Um 18.º lugar no Giro, um dos grandes objetivos da temporada, fica muito aquém. Venceu a classificação geral e a última etapa do Giro di Sicília, em Itália, e terminou na 9.º posição do Tour do Luxemburgo. Com estes resultados, nem parece que estamos a falar do “Tubarão de Messina”.
Alexander Kamp não conseguiu adaptar-se ao nível do WorldTour, isso parece evidente, pelos resultados das últimas duas épocas. O dinamarquês tem sido muito inconstante, conseguindo um top dez muito esporadicamente, nos sprints. O letão Emīls Liepiņš também esteve aquém, tanto nas clássicas belgas como nos sprints.
O mercado
O veterano Nibali está de volta a uma casa que bem conhece, à equipa cazaque Astana Qazaqstan Team, juntamente com o seu irmão Antonio Nibali. Ryan Mullen sai para a Bora-Hansgrohe, Niklas Eg junta-se ao projeto patriota da Uno-X Pro Cycling, Nicola Conci ruma à Gazprom-Rusvelo, Michel Ries move-se para a Arkéa Samsic, enquanto que Koen de Kort e Kiel Reijnen retiram-se no final do ano. Confirmada está também a saída do contrarrelogista britânico Charlie Quarterman, depois de uma época atrapalhada por lesões.
Tony Gallopin chega à equipa americana, depois de duas épocas pouco conseguidas, espera aqui dar um novo rumo à sua carreira. O italiano Dario Cataldo também é reforço, um ciclista experiente e que sobe bem, e que nas últimas épocas fez um trabalho importante como gregário para os seus líderes. Antwan Tolhoek chega à formação americana, depois de cinco anos na Jumbo-Visma. É um bom trepador, e pode ter um papel importante dentro da equipa. Este ano conseguiu, como melhor resultado, um segundo lugar na geral da Vuelta a Andalucia.
Depois da sua melhor época de sempre, o norueguês Markus Hoelgaard, sobe ao WorldTour. Um ciclista que vem, sobretudo, para ajudar nas clássicas da primavera. O belga Otto Vergaerde, vem da Alpecin-Fenix, depois de três épocas a ajudar Mathieu Van der Poel nas clássicas, vem agora para suportar Stuyven e Mads Pedersen nas provas. O espanhol Jon Aberasturi chega para conquistar bons resultados ao sprint e para ajudar a lançar os outros nomes importantes dentro da equipa. A equipa foi ainda buscar o suiço Simon Pellaud, conhecido pela sua combatividade e maneira agressiva de correr. É um especialista em fugas, pode agora juntar-se a outro elemento sempre combativo Julien Bernard.
Filippo Baroncini (ex-Team Colpack Ballan) e Daan Hoole (ex-SEG Racing Academy), estiveram na equipa, como estagiários, desde agosto, mas passam a elementos definitivos no plantel. O italiano Baroncini obteve grandes feitos em 2021, com a conquista do título de campeão do mundo na prova de estrada de sub-23, campeão nacional italiano de contrarrelógio, na categoria sub-23, venceu ainda o contrarrelógio do Baby Giro e fez top dez no Giro da Lombardia para as esperanças também. Daan Hoole vai ser um nome importante para ajudar nos lançamentos dos homens rápidos e nas clássicas do norte. Terá também as suas oportunidades nos contrarrelógios, uma especialidade pela qual é conhecido. Este ano fez 3.º no Campeonato Europeu e 6.º no Campeonato do Mundo, de contrarrelógio, na categoria de sub-23. Juntam-se ainda Asbjørn Hellemose, 5.º no Baby Giro deste ano, e o espanhol Marc Brustenga.
O que esperar de 2022?
Os grandes líderes para as provas de três semanas serão Giulio Ciccone e Bauke Mollema, contudo, este último poderá focar-se em outros objetivos, sem ser propriamente a luta pela geral. A evolução de Mattias Skjelmose foi notável e pode ter ainda mais oportunidades em provas de uma semana. Jasper Stuyven e Mads Pedersen continuarão a liderar o bloco das clássicas. A equipa tem várias opções para o sprint, para além de Mads e Jasper, contam ainda Matteo Moschetti e Jon Aberasturi. Para as clássicas acidentadas, Mollema, Ciccone e Brambilla são os nomes mais sonantes, com Jacopo Mosca a poder surpreender.
Veremos ainda o desenvolvimento dos jovens: Juan Pedro López, Antonio Tiberi, Baroncini e Quinn Simmons.