É incrível quão rapidamente certas coisas mudam no ciclismo e o caso de Nairo Quintana é o exemplo perfeito disso. Em Agosto tudo era perfeito para a Arkea-Samsic e para o colombiano, que só até final de Março já tinha somado uns preciosos 800 pontos UCI para ajudar a equipa francesa na sua demanda pelo World Tour. O Tour até correu muito bem, o 6º posto na classificação geral significa a melhor exibição do colombiano numa Grande Volta desde 2019, mostrando-se muito bem na alta montanha. Foi portanto lógico que em Agosto Nairo Quintana e a Arkea-Samsic tivessem anunciado a renovação do vínculo contratual.
Foi pouco depois que as coisas começaram a descambar. Poucos dias antes da Volta a Espanha começar foi conhecida a desqualificação de Nairo Quintana da Volta a França, ficando assim anulado o seu 6º posto na geral, por uso irregular da substância Tramadol. O ciclista não ficou suspenso, mas a equipa e o próprio decidiram que a melhor coisa a fazer era não partir para a Volta a Espanha. Desde então Quintana nunca mais competiu sem ser nos Mundiais de Wollongong, onde finalizou no 66º posto.
Pois bem, ontem o experiente corredor de 32 anos colocou um vídeo nas redes sociais, onde anunciava que não iria continuar na Arkea-Samsic em 2023, apesar de ter sido anunciada a sua renovação nem há 2 meses. Não foram dadas grandes justificações, mas provavelmente deve-se ao facto da formação gaulesa não ter demonstrado pouco apoio em favor do seu líder, não obstante Quintana ter sido absolutamente fundamental ao longo destes 3 temporadas e é muito graças a ele que vão subir ao World Tour, foram 865 pontos somados em 2020, 827 em 2021 e 880 este ano, são cerca de 2500 pontos no total.
O que se segue para Quintana? Um regresso à Movistar parece-nos fora de questão, a equipa espanhola já está noutra fase, tem Enric Mas e aposta tudo na contratação de Carlos Rodriguez para 2024, para além de querer muito Gaviria e Ruben Guerreiro já para o próximo ano. Haverá 4 grandes opções para Quintana, 2 delas parecidas com a Arkea-Samsic, já se viu que o colombiano quer é ter a liderança e liberdade para os seus objectivos. Em primeiro lugar a TotalEnergies, tem os mesmos objectivos, poderio financeiro e vai sofrer algumas saídas, incluindo a de Niki Terpstra, que tinha algum peso salarial. Tem alguns bons trepadores (Cras, de la Parte, Vuillermoz), mas não tem grandes estrutura para as Grandes Voltas.
Outra equipa francesa que surge como uma possibilidade é a B&B Hotels, visto que já há muito se fala na entrada de um patrocinador importante e que daria outra folga orçamental. Ora, ir para a mesa de negociações com a carta Quintana pode ser crucial, é alguém que dá visibilidade nas Grandes Voltas e no mercado sul-americana e pode funcionar como desbloqueador para a entrada de fluxo monetário. Também não teria grande apoio nas montanhas. Uma grande incerteza será a Israel-Premier Tech, dependendo do que ainda podem ter para gastar e depende também se Quintana sempre quer regressar ao World Tour ou não, porque a formação israelita prepara-se para descer às ProTeams.
Existe ainda uma boa possibilidade que se chama EF Education-Easy Post, uma estrutura com uma forte influência sul-americana e que contará com Richard Carapaz em 2023. Aqui a primeira escolha de Grandes Voltas seria de Carapaz, mas Quintana teria liberdade para ir a um Giro, possivelmente uma Vuelta, com um bloco interessante de apoio, relembrando que existe Caicedo, Cepeda, Eiking, Kudus, Padun ou até Steinhauser, tudo bons trepadores. Talvez com a provável saída de Ruben Guerreiro se tenha aberto uma vaga interessante na formação norte-americana para Nairo Quintana. Veremos o que o futuro reserva para o colombiano, que não irá correr mais em 2022.