É muito raro no ciclismo um ciclista ter as suas melhores exibições e resultados sempre no mesmo país, especialmente quando esse país nem sequer é o de nascença. Na sua carreira Simon Spilak tem 12 triunfos, mais de metade alcançados na Suíça. Ao todo são 8 vitórias no World Tour, 7 delas em solo helvético, um registo impressionante.
Este “conto de fadas” começou em 2010 com o Tour de Romandie, numa fase em que Spilak ainda estava na Lampre. O esloveno viria a ganhar a etapa 5, acabou em 2º da geral, mas o resultado viria a ser retirado a Alejandro Valverde e Spilak ficou oficialmente o vencedor da competição. Uma prova que teve Tiago Machado no 6º lugar ao serviço da Radioshack.
Depois em 2013 viria a ganhar a 4ª jornada do Tour de Romandie diante de Chris Froome. Nesse dia de muito frio e chuva Froome atacou de longe e Spilak foi o único capaz de acompanhar o britânico. O duo colaborou bem e abriu uma vantagem grande sobre o grupo perseguidor, no final Spilak ficou com a etapa enquanto Froome garantia a geral. Rui Costa sprintou para um excelente 3º lugar na etapa.
No ano seguinte a história repetiu-se praticamente a papel químico, Froome e Spilak ganharam vantagem de quase 1 minuto na etapa 3, mas dessa vez o esloveno ganhou a tirada e subiu à liderança. Froome não estava muito preocupado e viria a averbar a geral graças ao contra-relógio no último dia.
Em 2015 desta vez deixou o seu cunho na Volta a Suíça, ganhando a classificação geral. Depois de perder algum tempo no prólogo recuperou essa desvantagem para Thomas e Dumoulin na chegada em alto da tirada 5. Ainda assim partiu para o último dia a 47 segundos de Thibaut Pinot e a 13 de Geraint Thomas. No melhor contra-relógio da carreira o esloveno recuperou a desvantagem para ambos para ganhar por 5 segundos face a Thomas, 19 face a Dumoulin e 45 face a Pinot. De recordar que também foi 2º na Romandia atrás de Zakarin, seu colega de equipa.
Por fim, Spilak brilhou novamente na Volta a Suíça em 2017, aproveitou a 4ª etapa para se aproximar da frente na geral e deu a estocada final na chegada a Solden, onde ganhou a tirada com 22 segundos sobre Ion Izagirre e mais de 1 minuto para os rivais mais próximos. Saltou para a frente e apesar de um bom esforço de Damiano Caruso no contra-relógio final, triunfou com 48 segundos de avanço.
É preciso mencionar alguns aspectos que podem servir de explicação para estes resultados. Primeiro Simon Spilak sempre de adaptou melhor às provas de 1 semana do que às Grandes Voltas ou às clássicas e devido a isso focou a sua atenção nestas mesmas provas. Raramente correu 1 Grande Volta para a geral e isso ajudava na preparação das corridas de 1 semana. Depois nas provas suíças muitas vezes se verificam condições meteorológicas adversas e o esloveno sempre se adaptou a correr debaixo de frio e chuva. Por fim, realçar que mesmo em temporadas fracas como 2016 e 2018, conseguiu fazer 9º e 6º na Volta a Suiça respectivamente, e 7º no Tour de Romandie em 2016, os melhores resultados da temporada, daí o chamarmos de “Senhor Suíça”.