Estávamos 16 de Março de 2014, em plena 49ª edição do Tirreno-Adriático, mais precisamente na 5ª etapa. O dia anterior tinha visto Alberto Contador triunfar em Cittareale, na primeira chegada em alto da competição. O jovem polaco Michal Kwiatkowski estava na liderança mas tinha uma dura tarefa pela frente.
Quase 200 quilómetros com a dureza a estar concentrada nos derradeiros 40 quilómetros de etapa, com o Passo Lanciano e o Muro de Guardiagrele, uma parede autêntica, com rampas a quase 30% (!) de inclinação. Contador estava em 2º da classificação geral e para endurecer ao máximo a corrida, a sua equipa, a Tinkoff-Saxo meteu-se ao trabalho ainda nas primeiras rampas do Passo Lanciano.
Não durou muito até ao ataque de “El Pistolero” que viu Nairo Quintana ir consigo. Este ataque serviu para desfazer o grupo, deixando-o muito reduzido, até novo ataque de Contador, a 30 quilómetros da chegada. Desta vez, ninguém seguiu o espanhol da Tinkoff que impôs um ritmo infernal subida acima e depois voou descida abaixo, apanhando todos os fugitivos. A vantagem para o grupo dos favoritos era já de 2 minutos. Brutal!
Um a um, os fugitivos foram cedendo ao ritmo de Contador. Ben King ainda tentou surpreender, atacando em pleno Muro de Guardiagrele mas o espanhol não estava para brincadeiras. Foi a ritmo que Simon Geschke foi deixado para trás com Contador a fazer sozinho o duríssimo quilómetro final. Uma vitória memorável, que Contador disse ser uma das melhores da sua carreira. Os favoritos chegavam a quase 2 minutos, com Nairo Quintana a ceder 1:51
Alberto Contador subia à liderança do Tirreno-Adriático para não mais sair de lá e vencer com 2:05 para Nairo Quintana. Aos 31 anos, esta era mais uma competição adicionada ao seu palmarés. Este era o regresso às grandes exibições de “El Pistolero”, ele que vinha de ganhar no Alto do Malhão e que iria ter um grande ano, culminando com a vitória na Vuelta à frente de Chris Froome, depois de ter abandonado o Tour de France devido a queda.