A 4ª etapa do Giro de 2015 acabou com sentimentos bastante ambíguos na Cannondale-Garmin. Numa tirada aparentemente inofensiva, curta, de média montanha, instalou-se o caos na Volta a Itália, é mesmo assim o Giro.
Após um início de etapa de loucos destacou-se um grupo grande, com nomes perigosos para as aspirações dos candidatos à geral. Isto obrigou o pelotão a dar à perna e não foi pouco, primeiro a Tinkoff-Saxo e depois a Astana aumentaram o ritmo, de tal forma que a 55 kms da meta o grupo principal mal tinha 30 unidades.
O circuito final era em La Spezia, com uma contagem de 3ª categoria a cumprir. A dureza foi tanta que no grupo dos favoritos Fabio Aru atacou e apenas Alberto Contador e Richie Porte conseguiram acompanhar o italiano da Astana. O trio alcançou o que restava da fuga, que tinha companheiros como Dario Cataldo, Roman Kreuziger e Kanstantsin Siutsou para ajudar.
Só que na fuga havia um ciclista que já se tinha escapado e acabou a última subida, a 10 kms da meta com uma vantagem substancial de 30 segundos: Davide Formolo. O jovem ciclista italiano, na altura com 22 anos, aguentou a vantagem e festejou efusivamente a primeira grande (ou pequena) vitória como ciclista profissional. No ano anterior Formolo já tinha mostrado o seu talento ao ser 4º na Volta a Turquia e 7º na Volta a Suiça com 21 anos e na primeira época como profissional.
A Orica-Greenedge tinha ganho o contra-relógio coletivo e tinha a camisola rosa, que mudou do corpo de Michael Matthews para o de Simon Clarke, que terminou em 2º na etapa, apesar de pensar que tinha ganho a jornada. Um dia importante na geral sem que nada o fizesse prever, até para a principal carta para a geral da Cannondale-Garmin, equipa de Davide Formolo.
No meio da confusão Ryder Hesjedal perdeu imenso tempo, mais de 5 minutos, e ficou praticamente afastado da geral, no final desde dia era 30º a 6:06 do líder. Mas o canadiano nunca desistiu, perdeu mais tempo na etapa 8 e foi sempre a subir lugares a partir daí, mostrando a sua incrível capacidade de recuperação na 3ª semana. No contra-relógio da 14ª etapa subiu a 15º, na terrível etapa do Mortirolo passou a 10º e nos últimos 2 dias foi o melhor aliado de Aru para acabar o Giro numa incrível 5ª posição, principalmente tendo em conta tudo o que aconteceu.