O Giro 2018 foi uma Grande Volta muito interessante e que teve 2 fases bem nítidas. As 2 primeiras semanas da prova foram dominadas principalmente por Simon Yates. O britânico da Mitchelton-Scott chegava à 14ª tirada com 47 segundos sobre Tom Dumoulin, 1:04 para Thibaut Pinot e 3:20 para um Chris Froome que teve um começo terrível, também afectado por uma queda.
Apesar de ter a camisola rosa, Yates sabia que tinha de ganhar tempo para Dumoulin, 47 segundos não eram suficientes tendo em conta que ainda faltava um longo contra-relógio plano. A expectativa antes da 14ª jornada era muita, os ciclistas tinham de enfrentar o Monte Zoncolan, uma subida terrível com uma inclinação média impressionante.
Na perseguição da fuga a Team Sky provou a sua intenção, mostrando que Froome já estaria com uma condição física superior, mas foi novamente a Mitchelton a assumir a parte final da perseguição. Michael Woods foi um dos mais inconformados e Tom Dumoulin a meio da subida já sentia dificuldades para seguir o ritmo de Wout Poels, numa ascensão que não ia de encontro às suas características.
O ataque decisivo de Chris Froome foi feito a 4 kms da meta, teve a companhia inicial de Pozzovivo, Lopez e Yates, mas depois de nova aceleração ninguém conseguiu seguir com ele. Yates sabia que era uma etapa decisiva e deixou Pozzovivo e Lopez para trás, aproximando-se perigosamente de Froome.
Parecia que Yates ia apanhar Froome no quilómetro final, chegou a estar a escassos metros do ciclista da Team Sky, só que Froome não desistiu e forçou novamente a barra para segurar Yates e ganhar assim no topo do Monte Zoncolan, num último quilómetro agonizante. Este foi um dia de viragem para o múltiplo vencedor do Tour, que assim subiu a 5º da geral e cresceu imenso em termos de confiança.
O dia também foi bom para Simon Yates, que ficou com mais de 1 minuto sobre Tom Dumoulin, Domenico Pozzovivo e Thibaut Pinot. Esta viria a ser a última grande exibição do britânico neste Giro, ele que acabou por quebrar de forma estrondosa na última semana face à melhor versão de Chris Froome.