De uma forma recorrente no topo dos diversos rankings colectivos, a temporada não está a correr de feição para a Quick-Step Alpha Vinyl. Passaram relativamente ao lado das clássicas do empedrado e Julian Alaphilippe, o alicerce para as Ardenas está a ter uma época cheia de problemas. Vale aos comandados de Patrick Lefevere as excelentes temporadas de Remco Evenepoel e de Fabio Jakobsen, que são claramente os principais alicerces para o futuro. Ainda assim, e com a ligeira descida nos rankings e sensação de perda de poderio, algo tinha de mudar na formação belga e foi mesmo isso que estão a procurar fazer neste mercado, com 3 nomes bem conhecidos.



Para os sprints entra Tim Merlier, sprinter belga de 29 anos, actual campeão nacional de estrada, e que nos seus dias é dos melhores sprinters do Mundo num sprint plano. Merlier este ano já leva 4 vitórias, para além dos Nacionais ganhou 1 etapa no Tirreno-Adriatico, a Nokere-Koerse e a Minerva Classic. É o substituto lógico de Mark Cavendish, que aparentemente está de saída. Na Quick-Step será uma segunda escolha, Jakobsen terá sempre prioridade, ainda assim uma segunda escolha na equipa belga ainda tem direito a pelo menos uma Grande Volta e à liderança em algumas clássicas importantes que não tenham muitas colinas.

Em princípio será esse o seu plano na Soudal-Quick Step em 2023, mais um novo nome no ciclismo internacional. Isto porque Davide Ballerini não se tem mostrado uma alternativa a Jakobsen e porque Ethan Vernon ainda não está no nível necessário para ganhar várias corridas do World Tour por ano. Para Merlier é sempre uma mudança positiva, é verdade que na Alpecin-Fenix estava na somba de Jasper Philipsen e aqui estará na sombra de Jakobsen, a diferença é que aqui está na maior estrutura de ciclismo belga que não tem de fazer possíveis contas do World Tour.

Para ajudar no lançamento dos sprints entra o dinamarquês Casper Pedersen, que no pensamento de Lefevere é um substituto a longo prazo do compatriota Michael Morkov. Já dizemos há algum tempo que Pedersen é dos melhores lançadores do mercado e a Quick-Step viu isso e agarrou com unhas e dentes a oportunidades, sabendo perfeitamente da importância que essa função tem. Pedersen estava na DSM desde 2019 e até tinha uma ou outra chance de vez em quando, ganhou o Paris-Tours em 2020 e fez pódio numa etapa do Tour em 2021, mostrando bem do que é capaz. Poderá ser o novo lançador de Merlier.



No terreno oposto ingressa o checo Jan Hirt, ele que esteve na Intermarche-Wanty-Gobert em 2021 e 2022. Esta contratação pode ser vista de vários prismas, em primeiro lugar é preciso ver que Hirt é um puro trepador, um voltista que adora jornadas com montanhas longas e em que é preciso muita resistência. Tem grande capacidade de recuperação, ganhou o Tour of Oman este ano e terminou o Giro em 6º, tendo ganho 1 etapa. Já nos habituou a fazer excelentes terceiras semanas nas Grandes Voltas.

A Soudal-Quick Step pode ter contratado Jan Hirt na perspectiva de ter um líder fácil para uma Grande Volta, especialmente o Giro. Um líder que não precise de muita protecção, que não gaste muitos recursos por assim dizer e que pode ganhar 1 etapa e fazer top 10 na geral quase sozinho. Esta noção que era necessário mais alguém para a montanha foi acentuada pelo facto de Vansevenant, Knox, Masnada ou van Wilder ainda não terem conseguido dar o salto para disputar etapas de montanha com os melhores. Por outro lado, Hirt pode perfeitamente fazer 2 Grandes Voltas por ano, um Giro como homem de geral e uma Vuelta como apoio de Evenepoel, que está a começar a focar-se mais nas 3 semanas. Se olharmos para o plantel da Quick-Step neste momento não há nenhum grande trepador experiente e fiável como é Jan Hirt, não é só com ciclistas como Serry ou Vervaeke que os belgas não disputar uma geral de uma Grande Volta.



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