Depois de muito suspense, quase como se tratasse da estreia de um filme com estrelas de Hollywood, a Movistar finalmente anunciou os reforços com que vai atacar a próxima temporada. O ambiente na equipa espanhola é de êxtase, isto após ter passado momentos muito complicados durante o ano, estando inclusivamente em risco de sair do World Tour. Pódio na Vuelta, pódio na Lombardia, vitórias em clássicas e no Tour de Langkawi concluíram o virar de página, que viu inclusivamente a formação espanhola terminar no 11º posto no ranking do triénio, mas também abafar todas as críticas que foram muito presentes até ao Tour.

Por isso mesmo, as contratações vão entrar numa Movistar com um ambiente e com um contexto muito mais favorável do que há 1 ano. É uma equipa que neste momento não tem a pressão dos pontos e dos resultados, com muito mais espaço internamente com a saída de um líder histórico como Alejandro Valverde e que espera a entrada de grande investimento para poder competir com os tubarões como Ineos-Grenadiers ou Jumbo-Visma.




E é nesse contexto que vai entrar Ruben Guerreiro, o “Cowboy de Pegões” conseguiu desvincular-se da EF Education-EasyPost, equipa com a qual tinha mais 1 ano de contrato, para ingressar nesta aventura que será a quarta no World Tour, depois de Trek-Segafredo (2017-2018), Katusha (2019) e EF (2020-2022). Aos 28 anos, é um movimento decisivo para a sua carreira, após aquela que foi a melhor temporada até agora onde foi 7º na Fleche Wallonne, 9º no Dauphine, 3º na Volta a Alemanha e vencedor da clássica do Mont Ventoux, esta época vimos um Ruben Guerreiro mais trepador e mais autoritário, a querer a liderança da equipa em certas provas e a assumi-la sem problemas.

Pensamos que com a saída de Alejandro Valverde, Ruben Guerreiro viu na Movistar uma oportunidade de ouro para ser o líder indiscutível em diversas provas, dado que não existem muitas alternativas internas a Enric Mas e o espanhol não dá para tudo (Izagirre, Sosa e Jorgenson são muito curtos, Aranburu e Serrano são puncheurs, não trepadores). Apesar de já ser fluente em inglês devido ao tempo que já está lá fora, o ambiente ibérico é muito mais caseiro e estamos muito expectantes para ver o que Ruben Guerreiro consegue fazer tanto nas clássicas como nas corridas de 1 semana, onde já mostrou que com o apoio certo consegue discutir os primeiros lugares.




Dos 3 reforços o outro nome pesado é o de Fernando Gaviria, o colombiano que se junta a Einer Rubio e Ivan Sosa. Tal como Ruben Guerreiro, é uma aposta e uma mudança decisiva na carreira de Gaviria, aos 28 anos. Deixa a UAE Team Emirates onde tinha a concorrência de Ackermann e uma estrutura altamente focada nas classificações gerais para incorporar a Movistar, onde será o sprinter com mais estatuto, face a Max Kanter e Ivan Garcia Cortina, que são homens rápidos, mas com características diferentes, preferem um sprint em grupo mais reduzido.

Resta saber se Gaviria ainda tem a ponta de velocidade que lhe permitiu vencer 2 etapas no Tour e 5 etapas no Giro entre 2017 e 2019, algo que não nos parece. Por outro lado, também parecia que Cavendish estava “acabado” e uma mudança de equipa fez milagres, resta saber se acontece aqui com a entrada numa estrutura muito motivada e galvanizada. Gaviria ocasionalmente mostrou boas pernas este ano, passa subidas em grupos mais reduzidos, só que parece faltar-lhe a ponta final e a consistência mental para estar lá e vencer nos momentos mais importantes, prova disso também são os diversos DNF’s que teve neste fase final de temporada.



O reforço menos sonante é Ivan Romeo, jovem espanhol que é contratado a pensar no futuro da equipa espanhola, assinando por 3 temporadas. Com 19 anos, Romeo chega da Hagens Berman Axeon e só isso já indica todo o seu potencial. Campeão nacional de estrada e contra-relógio júnior em 2021 e vencedor de várias provas do calendário espanhol, esta temporada foi de adaptação ao pelotão internacional e mesmo assim ainda foi 7º no Tour de Rhodes e 9º no Flandres Tomorrow Tour e nos Nacionais de contra-relógio (de elites!). É uma movimentação de mercado esperada, um dos grandes talentos espanhóis a assinar pela melhor equipa espanhola, sendo necessário dar tempo para que Ivan Romeo tenha uma adaptação e evolução gradual.

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