Uma onda de renovações ocorreu esta manhã no World Tour, tendo como epicentro a Movistar e a UAE Team Emirates, que anunciaram entre elas 10 prolongações de vínculo. Coincidentemente são 2 equipas com corredores portugueses, que assim também garantiram a permanência o principal escalão do ciclismo mundial.
Começando pela UAE Team Emirates, foram 4 as renovações de uma equipa que já conta com 24 elementos para 2022. Uma grande dúvida era Fernando Gaviria, por causa das contratações de Alvaro Hodeg e Pascal Ackermann, mas o colombiano fica pelo menos mais 1 temporada, apesar da crescente concorrência interna. Gaviria ainda tem apenas 27 anos, mas vai precisar de encontrar o seu melhor nível, em 2021 apenas ganhou 1 corrida até agora, 1 etapa na Volta a Polónia, e o seu estatuto exige mais, bem como o nível global da UAE Team Emirates. Outro possível problema se apresenta, a equipa este ano não levou sprinter para o Tour para ir completamente focada em Pogacar, se optar por fazer o mesmo ficam 2 Grandes Voltas disponíveis para 3 sprinters, a menos que Hodeg tenha sido contratado apenas para a tarefa de lançador.
No World Tour desde 2010, o campeão do Mundo de 2013 e triplo vencedor de etapas no Tour irá permanecer mais 1 ano na alta roda do ciclismo. As boas exibições na Volta a Suíça e na Volta a França (ao trabalho para Tadej Pogacar), convenceram os responsáveis da UAE Team Emirates que Rui Costa é uma peça muito importante dentro da equipa, juntando-se assim a João Almeida no contingente português confirmado para 2022. O experiente ciclista de 34 anos não teve a sua melhor temporada, mas ainda mostrou que pode lutar por top 10 em corridas de 1 semana do World Tour e a sua experiência nas clássicas e Grandes Voltas é muito valorizada.
Falta ainda falar de 2 ciclistas que rubricaram novo acordo. Um colega de treino de Tadej Pogacar, de nome Jan Polanc, também fica para 2022. O esloveno de 29 anos ficou de fora do Tour, mas tem sido um dos gregários mais importantes da UAE Team Emirates nos últimos anos, sendo que pelo meio ganhou etapas no Giro, através de fugas. Numa equipa que está a conseguir segurar os seus talentos, Alessandro Covi assinou até 2024, em mais um contrato de longa duração. Covi, de apenas 22 anos, fez um excelente Giro com 2 pódios em etapa, é um puncheur com uma boa ponta final e que tem melhorado progressivamente na montanha, poderá ser um perigo em certas clássicas.
Na Movistar, tal como a equipa espanhola diz em comunicado, fica boa parte da coluna vertebral de 2021, nomeadamente Jorge Arcas (um ciclista regular que está a seguir as pisadas de Imanol Erviti), Antonio Pedrero (um grande gregário no Giro em 2019 e que obteve este ano a primeira vitória como profissional) e Carlos Verona (que tem acumulado boas exibições, tem-se mostrado um excelente homem de trabalho na montanha).
Nelson Oliveira já faz praticamente parte da “mobília” da Movistar, vai para a 7ª temporada vestido de azul e apesar dos seus resultados no contra-relógio terem piorado um pouco recentemente continua a ser um elemento indispensável, nomeadamente nas Grandes Voltas. Desde 2016 fez 9 corridas de 3 semanas e até agora completou-as todas, sendo em que 2019, 2020 e 2021 alinhou em 2 Grandes Voltas. Este ano foi 21º nos Jogos Olímpicos, fez top 10 em etapas do Giro por 3 vezes e acabou em 2º na Comunidad Valenciana.
As últimas 2 renovações foram de ciclistas que são apostas de futuro e que conseguiram bons resultados recentemente, convencendo assim os dirigentes da formação espanhola. Ficam o colombiano de 23 anos Einer Rubio, e o alemão de quase 22 anos Juri Hollmann, Rubio foi 7º na Vuelta a Burgos e Hollmann andou bem nos contra-relógios da Volta a Portugal.